O Palmeiras empatou com o FC Porto e venceu o Al Ahly. O Flamengo venceu o Espérance e o Chelsea. O Botafogo venceu o Seattle Sounders e o PSG. Este sábado, mais do que o próprio apuramento, o Fluminense jogava o próprio orgulho — e procurava prolongar o sucesso dos outros clubes brasileiros no Mundial de Clubes e juntar um triunfo ao positivo empate contra o Borussia Dortmund.

Em New Jersey, no colossal MetLife Stadium, a equipa do Rio de Janeiro defrontava um modesto Ulsan HD que tinha perdido com o Mamelodi Sundowns na primeira jornada — ou seja, que precisava de pontuar para não ficar desde já eliminado. Já o Fluminense entrava em campo já depois de o Borussia Dortmund ter vencido os sul-africanos de Niko Kovac, ou seja, a necessitar de uma vitória para igualar os alemães na liderança do Grupo F.

“Não há jogos fáceis. Sabemos as dificuldades que vamos encontrar. É um jogo chato, que existe tranquilidade. O objetivo do adversário é o mesmo objetivo do Fluminense: procurar a vitória para continuar a sonhar com o apuramento. Sabemos que fizemos uma estreia muito boa, mas já virámos a página. Muita gente acha que o Fluminense e o Borussia Dortmund são os favoritos, mas o favoritismo só fica decidido dentro de campo”, atirou Renato Gaúcho antes do jogo contra os tricampeões da Coreia do Sul.

Neste contexto, o treinador brasileiro montou uma equipa claramente vocacionada para o ataque, com Jhon Arias, Ganso e Kevin Serna no apoio a Germán Cano, com Agustín Canobbio a começar no banco e Thiago Silva a coordenar a linha defensiva a partir do eixo. Do outro lado, Kim Pan-gon tinha o crónico Erick como referência ofensiva e deixava Matías Lacava, ex-Vizela e Tondela, como suplente.

O Fluminense começou com o pé bem fundo no acelerador, conquistando três pontapés de canto consecutivos, com Ganso a obrigar Jo Hyeon-woo a duas defesas importantes logo nos instantes iniciais (2′). Os brasileiros tinham o natural controlo das ocorrências e estavam totalmente inseridos no meio-campo contrário, com o Ulsan HD a limitar-se a defender e a tentar manter a organização defensiva para evitar as oportunidades do adversário.

A equipa de Renato Gaúcho foi gerindo a superioridade, sem uma grande asfixia aos sul-coreanos mas com lances de perigo como um cabeceamento por cima de Juan Pablo Freytes (13′) e um remate desenquadrado de Kevin Serna (21′), e acabou por chegar naturalmente à vantagem. Na sequência de um livre direto perfeito, mesmo à entrada da grande área, Jhon Arias atirou de pé direito e em jeito para abrir o marcador (27′). 

A lógica manteve-se e o Fluminense até poderia ter aumentado a vantagem nos minutos seguintes, com um remate de Kevin Serna ao lado (29′) e outro de Gabriel Fuentes que passou por cima (30′), mas o mais inesperado estava por chegar. Já perto do intervalo, numa transição rápida que foi a primeira aproximação à baliza de Fábio, o Ulsan HD empatou por intermédio de Lee Jin-Hyun, que finalizou já com pouco ângulo após cruzamento na direita de Um Won-sang (37′). Nos descontos, o mesmo Um Won-sang carimbou a reviravolta com um belo salto de peixe (45+3′), levando os sul-coreanos a vencer os brasileiros para o intervalo.

Renato Gaúcho mexeu logo ao intervalo e trocou Ganso por Everaldo, que tinha sido titular na primeira jornada contra o Borussia Dortmund. A dinâmica com que a primeira parte tinha terminado, porém, prolongou-se para a segunda: o Ulsan HD estava mais confiante e criava as melhores situações de perigo, com Ludwigson a aparecer isolado sem conseguir finalizar (50′) e Um Won-Sang a rematar ligeiramente ao lado depois de mais uma transição rápida (56′).

O treinador brasileiro fez mais duas substituições à passagem da hora de jogo, lançando Nonato e Keno, e a dupla acabou por fabricar o golo do empate: Keno iludiu vários adversários na esquerda antes de cruzar para a área, onde a defensiva sul-coreana ainda aliviou antes de Nonato rematar para igualar o resultado (66′). O Fluminense continuou a carregar até ao apito final, até porque o Ulsan HD começou a ter muitas dificuldades físicas, e conseguiu mesmo chegar à vitória com Juan Pablo Freytes a marcar na sequência de um lance muito confuso na área (83′) e Keno a fechar as contas já nos descontos (90+2′).

No fim, o Fluminense venceu o Ulsan HD em New Jersey e eliminou diretamente os sul-coreanos, apurando o Borussia Dortmund e deixando todas as decisões do segundo lugar do Grupo F para a última jornada, onde só precisa de um empate contra o Mamelodi Sundowns para seguir para os oitavos de final do Mundial de Clubes.

A pérola

Por muito que Jhon Arias tenha marcado e assistido, é impossível fugir a Keno. Aos 35 anos, o avançado que é um autêntico globetrotter do futebol brasileiro entrou na segunda parte para agitar um jogo em que o Fluminense não estava a conseguir agarrar: criou o lance que deu o empate de Nonato e ainda foi a tempo de fechar as contas de cabeça nos descontos, assumindo-se como uma das individualidades mais importantes do triunfo do Fluminense.

O joker

Mesmo com a derrota, Um Won-sang. O ala natural de Gwangju, que tem 26 anos e é internacional pela Coreia do Sul em oito ocasiões, criou praticamente sozinho o lance que deu o primeiro golo do Ulsan HD e ainda marcou o segundo, com um belo gesto técnico que culminou num salto de peixe. Apesar da eliminação dos sul-coreanos, não seria totalmente inesperado se Um Won-sang fosse um dos jogadores mais periféricos a aproveitar o Mundial de Clubes para dar o salto para outros voos.

A sentença

Com este resultado, o Borussia Dortmund já garantiu o apuramento para os oitavos de final do Mundial de Clubes. Fluminense e Mamelodi Sundowns vão discutir quem é que acompanha os alemães através do segundo lugar, sendo que os brasileiros só precisam de um empate no confronto direto e que os sul-africanos de Miguel Cardoso têm mesmo de ganhar para seguir em frente. Em sentido oposto, naturalmente, o Ulsan HD já está eliminado da competição e vai apenas cumprir calendário na última jornada.

A mentira

O Ulsan HD não foi ao Mundial de Clubes para ser bobo da corte. Apesar das duas derrotas em duas jornadas, o tricampeão da Coreia do Sul mostrou as valências coletivas que substituem a qualidade individual e baseou-se essencialmente na organização defensiva e na transição rápida para fazer frente ao Fluminense.