Depois da surpresa… vinha a bonança? Depois da goleada frente ao Atl. Madrid (4-0), o PSG entrou para a segunda jornada mais relaxado e Luis Enrique aproveitou para rodar metade do onze inicial frente ao Botafogo. Contudo, a estratégia montada praticamente na perfeição por Renato Paiva acabou por surpreender os parisienses, que perderam e chegaram à última jornada do Grupo B em situação mais ou menos complicada, ainda que a vitória frente ao Seattle Sounders fosse suficiente para garantir o apuramento. Ainda assim, o primeiro lugar podia ser uma miragem, mediante o que brasileiros e espanhóis fizessem na outra partida. Bem mais complicado era o cenário dos norte-americanos que, mesmo a jogarem em casa, não escaparam à derrota nas duas partidas inaugurais e vinham agora numa série de quatro desaires consecutivos.

“Acho que chegámos à melhor fase da competição. Precisamos de vencer para seguir em frente e é isso que nos motiva. Estamos prontos e preparados para esta partida. Quanto ao Botafogo, acho que fizemos o nosso jogo de sempre. Não merecíamos perder o jogo, mas o futebol é assim… Tivemos alguns problemas, mas a equipa jogou a um bom nível e precisamos de continuar. Acho que a equipa está num bom momento. Fizemos três treinos perfeitos, com intensidade. Acho que estamos prontos. Vamos pensar em como gerir a bola e pressionar. É uma competição altamente motivadora. É preciso pensar que só se pode jogar esta competição uma vez a cada quatro anos. Temos que pensar nisso para encontrar motivação e ver qual é o nosso nível neste momento”, antecipou Enrique.

Com o apuramento em jogo, o técnico catalão voltou à fórmula habitual, fazendo regressar ao onze inicial Marquinhos, Nuno Mendes, João Neves e Fabián Ruiz, com Vitinha a manter-se como o pêndulo do meio-campo e Gonçalo Ramos a começar no banco de suplentes. No outro lado, Brian Schmetzer também fez quatro alterações, lançando na sua equipa Álex Roldán, Nouhou Tolo, Ryan Kent e Jesús Ferreira. Apesar de uma entrada mais afirmativa da turma da casa, os rouge et bleu começaram a estabilizar com o passar dos minutos, e Désiré Doué quase inaugurou o marcador, valendo a intervenção de Stefan Frei (12′). Pouco depois, o jovem internacional francês voltou a aparecer com espaço em zona frontal, mas o guarda-redes voltou a negar-lhe o golo (30′). Foi na sequência de um canto que os franceses inauguraram o marcador, com Vitinha a aproveitar um corte feito para a entrada da área para alvejar o alvo, só que a bola saiu desviada, embateu nas costas de Kvicha Kvaratskhelia e enganou Frei (35′).

A tendência manteve-se na etapa complementar, que abriu com Doué a tentar de novo golo, valendo um corte da defesa norte-americana (56′). Já com Warren Zaïre-Emery no lugar de João Neves, Obed Vargas não conseguiu empatar a partida e, no contra-ataque seguinte, Bradley Barcola recebeu na esquerda, conduziu até à área e colocou ao segundo poste para Achraf Hakimi que, completamente sozinho, atirou para o segundo golo, que deixou as contas praticamente resolvidas (66′). Para a reta final do encontro, Luis Enrique lançou Gonçalo Ramos, mas foi nessa fase que o Seattle Sounders aproveitou para crescer e almejar o golo, com a falta de pontaria de Jordan Morris (88′) e Paul Rothrock a imperarem (89′).

A pérola

  • Há um ano estava no Rennes. Agora, é um titular cada vez mais absoluto no PSG de Luis Enrique e encontra-se a disputar o Mundial de Clubes na condição de… campeão da Europa. A temporada que agora terminada foi de grande qualidade e de afirmação para Désiré Doué que, frente ao Seattle Sounders, foi o nome que mais procurou o golo. É certo que não teve sucesso e que, depois do bis apontado na final da Champions, leva já cinco jogos sem marcar, mas o jovem internacional francês continua a mostrar os pergaminhos que fazem de si um dos craques da nova geração.

O joker

  • Numa equipa bastante jovem, Achraf Hakimi apresenta-se como um dos elementos mais experientes, por ser dos jogadores que está no clube há mais tempo e apesar de ter apenas 26 anos. Se, no ataque, a titularidade de Doué não levanta questões, o mesmo aplica-se ao internacional marroquino, que chegou a Paris para estabilizar o lado direito da defesa e conseguiu. E não é só no ataque que Hakimi se revela decisivo. Com subidas vertiginosas e posicionamentos por dentro do bloco do adversário, o lateral é uma das soluções para os parisienses chegarem ao golo, tal como mostrou esta segunda-feira.

A sentença

  • Com esta vitória, o PSG evitou o descalabro e qualificou-se para os oitavos de final deste Campeonato do Mundo de Clubes e como primeiro classificado do Grupo B, algo que parecia improvável antes desta última jornada… e até aos 87 minutos do outro jogo. Assim, os parisienses vão defrontar o segundo classificado do Grupo A, que tem o FC Porto. Em sentido inverso, o Seattle Sounders diz adeus à competição sem qualquer ponto somado, apesar da boa imagem.

A mentira

  • Esperava-se um jogo espectacular, acabou por ser um jogo que não ficará na memória. Apesar do desnível considerável entre as duas equipas, Seattle Sounders e PSG encontravam-se a lutar pelo apuramento e isso podia animar o jogo. Acabou por acontecer durante a fase inicial da partida, mas com o passar dos minutos os franceses assumiram o controlo do desafio e acabaram com as aspirações norte-americanas.