O duelo de titãs, entre dois históricos. A primeira partida de sempre entre Inter Milão e River Plate teve o condão de ser um jogo de alto risco, com o apuramento para os oitavos de final do Campeonato do Mundo de Clubes em discussão. Depois do empate frente ao Monterrey na ronda inaugural (1-1), os nerazzurri quase foram surpreendidos pelo Urawa Red Diamonds, conseguindo a vitória apenas no tempo de compensação (2-1). Muito longe do nível apresentado no final da temporada passada, e que valeu a presença na final da Liga dos Campeões, os italianos tinham pela frente um duro embate pelo apuramento, já que os milionários apresentaram-se a um bom nível diante dos nipónicos (3-1) e dos mexicanos (0-0). Vencer e garantir o primeiro lugar era o objetivo das duas equipas.

“Estamos à espera de um jogo difícil, igual aos dois anteriores. Estas equipas têm ambições, querem mostrar o seu valor e dificultam-nos sempre a vida em campo. A condição física das equipas americanas é melhor que as da Europa, pois estas acabaram de terminar longas séries de jogos. Nunca é fácil, mas vamos enfrentar esse desafio e tentar encontrar as melhores energias mentais e físicas. Tenho um grande respeito pelo Gallardo, ele é incrível. Foi relevante como jogador e é um treinador muito bom. Alcançou ótimos resultados no River Plate. O que posso dizer sobre o River é que são uma boa equipa, têm jogadores que passaram pelo futebol europeu, assim como campeões do mundo. O River faz parte da história do futebol sul-americano e nós admiramo-los”, antecipou Cristian Chivu.

“Soubemos aproveitar a oportunidade. Vencemos na estreia com autoridade e também merecíamos a vitória na partida seguinte. Amanhã [quarta-feira], espero que façamos escolhas inteligentes, que a nossa eficácia volta e que a equipa jogue bem, pois é crucial apresentarmos um desempenho fortíssimo para termos hipóteses. Os nossos adversários estão cientes de que vão enfrentar uma equipa complicada. Precisamos de ser decisivos e defender com firmeza contra uma equipa que ataca com tantos jogadores. Isso precisa de ser a base do nosso plano de jogo. Temos de nos reconstruir e ver como nos preparamos. Vejo o copo meio cheio. Vamos jogar a terceira partida com o que temos de melhor”, perspetivou, por sua vez, Marcelo Gallardo

Com mais uma invasão argentina em território norte-americano, agora de regresso a Seattle, e que até permitiu comemorar o golo do Benfica que eliminou o rival Boca Juniors da competição, Chivu voltou a contar com Denzel Dumfries no onze inicial, depois de o ala ter recuperado de lesão. Para além do neerlandês, Francesco Acerbi, Alessandro Bastoni e Henrikh Mkhitaryan regressaram à equipa, com Luis Henrique, Stefan de Vrij, Carlos Augusto e Nicola Zalewski a sentarem-se no banco. Já muñeco Gallardo optou por colocar Matías Kranevitter e Rodrigo Aliendro no lugar dos castigados Enzo Pérez e Giuliano Galoppo. Na frente, Miguel Borja foi opção em detrimento de Kevin Castaño.

A partida começou equilibrada e discutida a meio-campo, com a primeira ocasião a sair dos pés de Kristjan Asllani, que recebeu dentro da área e atirou por cima (11′). Na resposta, Franco Mastantuono arriscou de fora da área, mas Yann Sommer agarrou a bola (12′). Na ocasião mais gritante da primeira metade, Nicolò Barella rompeu a defesa pela direita e tirou um cruzamento rasteiro e atrasado para o coração da área, onde Franceso Esposito apareceu a finalizar para a baliza, com Martínez Quarta a cortar com o corpo e a impedir o golo (26′). Pouco depois, Lautaro Martínez entrou na área pela esquerda e tentou um remate cruzado, com a bola a passar ao lado (31′). Com este resultado ao intervalo, os italianos eram segundos e os argentinos estavam à beira da eliminação (0-0).

Na etapa complementar, o Inter Milão apresentou-se com outra postura e, nos primeiros minutos, Lautaro atirou ao poste, num remate em esforço que contou com a oposição do ex-Sporting Marcos Acuña (51′). No lance seguinte, Federico Dimarco fez a bola passar a centímetros do golo (52′) e Lautaro, depois de driblar Quarta, atirou para uma grande defesa de Franco Armani (54′). Na resposta, Facundo Colidio apareceu completamente sozinho na área a concluir um cruzamento na esquerda, mas o cabeceamento saiu fraco e acabou nas mãos de Sommer (64′). Depois de um passe vertical de Dumfries para as costas da defesa, Martínez Quarta falhou o domínio e permitiu a Mkhitaryan isolar-se, o arménio recebeu, partiu para a baliza, mas acabou rasteirado pelo internacional argentino, que foi imediatamente expulso (66′).

Os nerazzurri capitalizaram de imediato a superioridade numérica, com Petar Sucic a receber dentro da área, solto de marcação, e a colocar rasteiro em Francesco Esposito que, depois de rodar e passar por Paulo Díaz, atirou colocado para o golo inaugural (72′). A fechar, Sucic isolou Mkhitaryan que, depois de ultrapassar Armani, atirou por cima, com a baliza escancarada (90′). Pouco depois, o capitão Bastoni subiu no terreno rompendo pelo meio, ultrapassou dois defesas argentinos e, à entrada da área, desferiu um remate colocado para o segundo golo (90+3′). Até ao apito final, Gonzalo Montiel foi expulso e Acuña envolveu-se em confrontos com Dumfries, tendo sido travado por praticamente todos os companheiros.

A pérola

  • Depois de uma temporada de afirmação no Spezia, em que apontou 19 golos e três assistências em 40 jogos, Federico Esposito regressou ao Inter Milão para se afirmar como o principal substituto de Marcus Thuram, que acumulou o cansaço neste final de época e só foi utilizado no primeiro jogo do Inter Milão neste Mundial de Clubes. A tarefa não era fácil para o jovem italiano, que não se intimidou. Esposito foi decisivo esta quinta-feira mas, acima de tudo, mostrou que tem todas as condições para integrar o plantel nerazzurri na próxima temporada.

O joker

  • Se a juventude de Esposito ajudou a selar o apuramento do Inter Milão para a próxima fase, a veterania de Henrikh Mkhitaryan deu importante contributo. Aos 36 anos, o internacional arménio continua a encher o campo e a mostrar um pulmão que raramente chega ao fim. Foi importante no ataque, ao aparecer em zonas de finalização a servir os seus colegas, mas também foi decisivo sem bola, ao condicionar os médios do River Plate e a apoiar a sua defesa. A idade é só um número. Afinal, Mkhitaryan completou mais 90 minutos e podia ter fechado a vitória no fim.

A sentença

  • Com esta vitória, o Inter Milão encaixou mais 1,8 milhões de euros mas, acima de tudo, garantiu o apuramento para os oitavos de final do Mundial de Clubes, no primeiro lugar, à frente do Monterrey. Desta forma, os nerazzurri vão agora medir forças com o Fluminense. O River Plate despede-se da competição.

A mentira

  • Num duelo que tinha muito em jogo, esperava-se que a estratégia e a postura defensiva de Chivu e Gallardo salta-se à tona, mas não foi isso que se viu. Apesar de o primeiro tempo ter sido bem mais fechado que o segundo, as duas equipas tentaram de tudo para chegar cedo ao golo que permitisse dar mais tranquilidade. O desafio acabou por terminar com apenas dois golos, um deles já para lá do minuto 90, mas não perdeu espectacularidade.