Era um dos últimos jogos da fase de grupos do Mundial de Clubes e trazia praticamente tudo em aberto. Em Filadélfia, RB Salzburgo e Real Madrid discutiam a última jornada com os mesmos quatro pontos e a ideia de que estavam essencialmente a decidir quem é que ficava no primeiro lugar do Grupo H — mas ninguém se podia esquecer de que, em Nashville, o Al Hilal defrontava o Pachuca e ainda tinha possibilidades de roubar uma das vagas de acesso aos oitavos de final do Mundial de Clubes.

Do lado dos austríacos, depois da vitória contra os mexicanos e o empate contra os sauditas, não existiam cenários para além do apuramento. “O objetivo é vencer o Real Madrid, é para isso que aqui estamos. Não estamos em Filadélfia de férias, estamos aqui para chegar longe no Mundial de Clubes. Sabemos que temos de ganhar para assegurar o apuramento. É uma grande competição e estamos totalmente motivados para este desafio”, explicou Thomas Letsch, que assumiu o comando da equipa em dezembro, na antevisão.

Do lado dos espanhóis, que somaram a mesma vitória contra os mexicanos e o mesmo empate contra os sauditas, até pairava a inevitabilidade de que a qualificação pecava por tardia. “São quase dois jogos: o jogo para ganhar e o jogo para ficar em primeiro lugar no grupo. O último jogo deu-nos boas sensações, apesar de termos de melhorar com e sem bola. Fizemos um bom jogo e queremos repetir isso com onze jogadores, queremos começar bem contra um adversário exigente e dinâmico. Temos de estar no nosso melhor, a 100%”, atirou Xabi Alonso, recordando que os merengues defrontaram o Pachuca em inferioridade numérica praticamente durante todo o jogo, face à expulsão de Raúl Asencio.

Assim, no Lincoln Financial Field, Thomas Letsch tinha Edmund Baidoo e Petar Ratkov no ataque, apoiados por Oscar Gloukh e Nene Dorgeles. Já Xabi Alonso lançava Rüdiger no lugar do castigado Raúl Asencio, com Jude Bellingham e Vinícius nas costas de Gonzalo García e Trent Alexander-Arnold e Fran García a serem os donos dos corredores. No banco, com muita polémica nos ombros, estava Rodrygo — que não tem sido opção para o treinador espanhol e está cada vez mais perto da porta de saída.

Numa primeira parte interessante, não foi preciso esperar muito para perceber que o Real Madrid queria assumir a dianteira das ocorrências. Os merengues criaram a primeira situação de perigo nos instantes iniciais, com Rüdiger a cabecear ao lado (8′), e pareceram sempre ter algum ascendente em relação ao RB Salzburgo, mesmo quando não conseguiam construir verdadeiras oportunidades de golo.

Vinícius poderia ter marcado à passagem dos 20 minutos, quando apareceu na cara de Christian Zawieschitzky mas permitiu a defesa do jovem guarda-redes austríaco (20′), mas só adiou o momento. Já perto do fim da primeira parte, na sequência de uma recuperação de bola de Fran García e de um passe perfeito de Jude Bellingham, o avançado brasileiro tirou um adversário da frente antes de rematar colocado de pé esquerdo (40′). 

Nos descontos, os espanhóis ainda tiveram tempo para aumentar a vantagem, com o mesmo Vinícius a deixar a bola redondinha de calcanhar na grande área e Fede Valverde, oportuno, a atirar certeiro (45+3′). Ao intervalo, o Real Madrid estava a vencer o RB Salzburgo e tinha não só o apuramento como o primeiro lugar do Grupo H muito bem encaminhados.

Thomas Letsch mexeu logo ao intervalo e lançou Maurits Kjaergaard e Adam Daghim, com o RB Salzburgo a ter um início de segunda parte mais atrevido, com maior presença no meio-campo contrário e alguns remates que obrigaram Courtois a demonstrar-se atento. O Real Madrid só conseguiu assentar já perto da hora de jogo, passando a gerir a vantagem com alguma tranquilidade e sem muita vontade de procurar o terceiro golo.

Xabi Alonso fez as primeiras substituições a pouco mais de 20 minutos do fim, colocando Luka Modric, Jacobo Ramón e o surpreendente Rodrygo de uma vez, e ainda teve tempo para dar minutos a Dani Ceballos e Brahim Díaz. Já perto do apito final, Gonzalo García aproveitou um erro da defesa adversária e ainda fechou as contas com uma finalização excelente na cara do guarda-redes (84′). No fim, o Real Madrid venceu o RB Salzburgo em Filadélfia e carimbou o primeiro lugar do Grupo H, marcando encontro com a Juventus nos oitavos de final do Mundial de Clubes.

A pérola

Na cidade do Rocky Balboa de Sylvester Stallone, Vinícius mostrou que é mesmo o homem que é capaz de assinar um KO a sorrir. O avançado brasileiro brilhou no lance do primeiro golo, com uma finta que deixou um adversário plantado antes de rematar colocado com o pé esquerdo, e voltou a brilhar no segundo golo, com uma assistência de calcanhar que tudo ofereceu a Fede Valverde.

O joker

Acabou o jogo totalmente esgotado e com motivos para isso. Jude Bellingham foi um autêntico pêndulo do Real Madrid, funcionando como a habitual ligação entre o meio-campo e o ataque que desequilibra e cria espaços onde aparentemente não existem. Foi dele a brilhante assistência para o golo de Vinícius e foi também o médio inglês que iniciou a jogada que acabou com o remate certeiro de Fede Valverde.

A sentença

Com este resultado, o Real Madrid venceu o Grupo H e vai defrontar a Juventus nos oitavos de final, já que os italianos ficaram no segundo lugar do Grupo G. Já o RB Salzburgo, em conjugação com a vitória do Al Hilal frente ao Pachuca, acaba por ser eliminado do Mundial de Clubes e não garante o apuramento para a próxima fase.

A mentira

O RB Salzburgo está muito longe das equipas que outrora fizeram furor na Europa. Depois de uma temporada em que perderam o Campeonato pela primeira vez em 10 anos, para o rival Sturm Graz, a equipa austríaca precisa claramente de se reencontrar e reformular, já que a diferença para os principais conjuntos europeus voltou a ser demasiado grande para encurtar.