Se dúvidas ainda existissem, se a forma tranquila, natural e “séria” como surgiram os triunfos com Wydad e Al Ain não chegasse, a maneira como o Manchester City goleou a Juventus numa versão 2.0 daquele “rolo compressor” que conhecíamos dos melhores tempos de Pep Guardiola provou que os ingleses estão a fazer deste Mundial de Clubes uma plataforma de lançamento para uma nova era. Com jogadores novos integrados aos poucos na equipa (Rayan Ait-Nouri e Reijnders, neste caso), com nomes mais batidos a ocuparem uma outra posição em campo mais adequada à ideia trabalhada, com outras figuras que andavam mais escondidas como Matheus Nunes ou Doku a assumirem um outro protagonismo. Mas seria algo para continuar?
Manchester City vence Al Hilal ao intervalo por 1-0 com golo de Bernardo Silva
“Jogo a jogo, mês a mês, veremos a influência que este Mundial de Clubes terá na nova temporada. Talvez em novembro, dezembro ou janeiro sejamos um desastre, talvez estejamos esgotados, quiçá o Mundial não nos destrói. Não sei mas tudo isto é a primeira vez que acontece nas nossas vidas. Se gostava de ter dois meses para fazer a preparação da próxima temporada? Sim. Se gostaria de estar a descansar para a próxima época? Sim. Mas é o que é e merecemos estar aqui pelo que fizemos no passado”, comentara o técnico espanhol em relação ao impacto que a competição e o rendimento da equipa agora podem ter depois em 2025/26.
Ainda a esse propósito, Guardiola comentou também as palavras de Jürgen Klopp, ex-rival durante vários anos no Liverpool que deixou muitas críticas ao Mundial de Clubes. “Lutámos juntos muitas, muitas vezes. Sei de onde vem esta ideia porque lutámos muito em Inglaterra quando íamos às reuniões da UEFA, em especial da Premier, para decidir o calendário e tentar dar mais qualidade. Quando os jogadores e os técnicos têm mais descanso, temos mais qualidade. Entendo-o, respeito-o. Temos uma relação incrível desde há muitos anos, quando éramos rivais, e percebo o seu argumento. Eu também o defenderia mas temos todo um trabalho feito… Os treinadores não vão organizar as competições, cada um tem o seu próprio papel e existem pessoas para organizar estas competições”, detalhara, “fintando” a questão entre elogios ao germânico.
Al Hilal manager, Simone Inzaghi: “I believe every coach that starts to train considers Guardiola an inspiration.
I believe there was football before and there will be after Guardiola, but he developed a new philosophy of football and a new way of playing.
I believe he is the… pic.twitter.com/ISkGSApNKx
— City Report (@cityreport_) June 30, 2025
A expressão “é o que é” explicava tudo. Se Guardiola pudesse estava toda a gente de férias para libertar um claro desgaste mental que assolou o City na última temporada depois de vários anos de sucesso, havendo este Mundial de Clubes com a presença da equipa após ter sido campeã europeia em 2023 a ideia passava por vencer e “esquecer” o que foi feito em 2024/25 como se existisse um reset a tudo o que de mal aconteceu. Ponto curioso além do reencontro com João Cancelo? O espanhol encontrava Simone Inzaghi, técnico a quem ganhou essa mesma final da Champions mas que é um dos que melhor travava as ideias de Pep.
Al Hilal Chairman Mr. Fahd bin Saad bin Nafel met with Manchester City Chairman Khaldoon Al Mubarak to exchange gifts tonight. ????????
Respect. ???????? pic.twitter.com/GIxGOCtf6y
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Foi isso que se percebeu no posicionamento sem bola do Al Hilal em campo, depois de uma passagem dos sauditas de Cancelo e Rúben Neves aos oitavos sem qualquer derrota (uma vitória, dois empates). Nuance? Os posicionamentos dos jogadores do City dentro de uma nova ideia de jogo ainda não são fáceis de travar, pelo balanceamento ofensivo da equipa, pela mobilidade do meio-campo para a frente e pelas zonas altas de pressão que retiram espaço na construção ao adversário. Às vezes chega a ser uma pressão quase asfixiante, com resultados que também aqui ficaram à vista: Rúben Dias teve a primeira oportunidade após cruzamento de Doku da esquerda para um desvio de cabeça que saiu à figura de Bono (6′), Bernardo Silva inaugurou o marcador depois de um ressalto em Gündogan numa jogada construída por Ait-Nouri e Reijnders que mereceu muitos protestos, e com razão, dos sauditas por mão na bola no ex-lateral do Wolverhampton (10′).
Bernardo Silva faz o seu primeiro no FIFA Mundial de Clubes ????@FIFACWC | 14 Junho – 13 Julho | Vê todos os jogos grátis em https://t.co/fpfuiyzIoG | #FIFACWC #TakeItToTheWorld
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???? Al Hilal players watched the replay of Manchester City's goal on the stadium screen and this was their reaction ????pic.twitter.com/3lkeEK9mSy
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O jogo estava inclinado a todos os níveis para o lado dos ingleses, com o Al Hilal a ter algumas tentativas de transição rápida aproveitando as linhas subidas do Manchester City mas com os ingleses a criaram várias oportunidades para aumentarem a vantagem antes da meia hora entre um remate isolado de Savinho após assistência de Haaland para defesa de Bono, um lance em que Gündogan surgir sozinho na área para nova intervenção do marroquino e um desvio de cabeça após canto de Gvardiol para outra parada do guarda-redes dos sauditas. O intervalo chegaria com a vantagem mínima apesar das chances de golo dos ingleses, que ainda tiveram Bernardo Silva próximo do bis, e de uma melhoria no plano ofensivo do Al Hilal, com maior capacidade de chegar ao último terço apesar de ter apenas um desvio de cabeça de Marcos Leonardo.
Um período de descanso, um autêntico caos durante dez minutos no arranque da segunda parte. Marcos Leonardo, aproveitando um ressalto na área após jogada entre Malcolm e João Cancelo na direita, só teve de empurrar na pequena área de cabeça para o empate (46′), Malcolm marcou o golo da reviravolta depois de um canto do City com um passe fabuloso de Cancelo a isolar o brasileiro para correr sozinho desde o meio-campo (52′), Haaland fez novamente o empate aproveitando um ressalto após canto (55′) e Rúben Dias só não estendeu a passadeira para nova desvantagem dos citizens porque Malcolm partiu de situação irregular antes de ser carregado em falta na área pelo português (56′). O encontro estava reaberto.
O Menino da Vila ????@FIFACWC | 14 Junho – 13 Julho | Vê todos os jogos grátis em https://t.co/fpfuiyzIoG | #FIFACWC #TakeItToTheWorld
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Cancelo assiste para a corrida de Malcom e está feito o segundo do Al-Hilal ????@FIFACWC | 14 Junho – 13 Julho | Vê todos os jogos grátis em https://t.co/fpfuiyzIoG | #FIFACWC #TakeItToTheWorld
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O robô Haaland diz presente ????
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Pep Guardiola já tinha lançado entretanto Nathan Aké, Akanji e Rodri, procurando outra velocidade e um maior conforto nas transições defensivas sem correr riscos por causa dos amarelos de Matheus Nunes e Gvardiol (no fundo, corrigir aquele que foi um dos grandes problemas do City esta época). Apesar de tentar controlar o encontro à procura de nova reviravolta, o conjunto inglês também corria riscos, com Rúben Dias a tirar duas bolas na profundidade que poderiam deixar sauditas isolados em frente a Ederson. Ainda assim, os últimos minutos foram de total “sufoco”, com Ali Lajami a tirar em cima da linha uma recarga de Haaland para nova reviravolta após canto (84′) e Rúben Dias a arriscar a meia distância para nova defesa de Bono (85′). Tudo seguiria para prolongamento, com muitos jogadores em clara inferioridade física.
Pep Guardiola não perdeu tempo a mexer na equipa também por esse mesmo desgaste, lançando longo no arranque do tempo extra Cherki e Marmoush para o ataque. Problema? Sempre que ia lá abaixo o Al Hilal conseguia criar perigo, voltando de novo à vantagem com um cabeceamento de Koulibaly à entrada da pequena área após canto de Rúben Neves (94′) antes de mais um empate em cima do intervalo, com Phil Foden a receber um cruzamento largo de Cherki para encostar da primeira para o 3-3 (104′). Voltava a ficar tudo em aberto, voltava a haver espaço para a surpresa: depois de um cruzamento da esquerda, Milinkovic-Savic cabeceou para defesa de Ederson antes da recarga na pequena área de Marcos Leonardo (113′). A surpresa estava feita, tendo começado em parte com o ressuscitar dos fantasmas do passado por Cancelo.
Al-Hilal chega-se à frente mais uma vez ????
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Foden celebra o empate dos Citizens ⛵
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É O MENINO DA VILA, MARCOS LEONARDO ????
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A pérola
- Havia muito por onde pegar no Al Hilal, entre a figura de Bono que voltou a ter defesas determinantes a segurarem a equipa nos momentos chave, a influência de Koulibaly a comandar a organização defensiva (além de marcar um golo) ou a inteligência de Rúben Neves a liderar a equipa a partir do meio-campo, mas às vezes a solução mais óbvia acaba por ser a melhor: Marcos Leonardo, que tem a difícil missão de substituir Mitrovic na equipa, fez o primeiro empate logo após o intervalo e marcou o golo decisivo a sete minutos do final do prolongamento, sendo a chave para o triunfo histórico do Al Hilal.
O joker
- Em posse, o Manchester City transforma-se num 3x4x3 muito povoado a meio-campo, com Matheus Nunes a jogar também por dentro mais próximo de Reijnders, Gündogan e Bernardo Silva, que têm a liberdade para tentarem desmarcações de rutura ou jogada de apoio mais a cair nas alas. É daí que nascem os principais desequilíbrios, com Savinho à direita e Doku à esquerda a darem maior largura à forma de atacar dos citizens. Quando ambos estão num dia de inspiração, torna-se muito complicado travar a dinâmica ofensiva dos ingleses, como voltou a ficar bem expresso nas oportunidades criadas. No entanto, e do outro lado, Malcom também não ficou atrás em termos de influência na equipa e no jogo.
A sentença
- Com esta vitória, o Al Hilal não só continua sem perder nesta edição do Mundial de Clubes (uma vitória e dois empates na fase de grupos) como vai agora defrontar o Fluminense nos quartos da prova, naquele que será o primeiro duelo dos top 8 na sexta-feira às 20h também em Orlando. Já o Manchester City, que era a única equipa só com vitórias na competição, vai mesmo começar mais cedo as férias…
A mentira
- Na parte final da época, quase como um desabafo perante algumas exibições muito aquém do esperado, Pep Guardiola teve palavras mais duras com Matheus Nunes. “Pode tornar-se um bom lateral direito pelo seu físico mas penso que não é um jogador para jogar no meio porque não é suficientemente inteligente, não tem compostura. Tem uma habilidade incrível e está a aprender muito…”, assumiu o espanhol. A saída parecia inevitável, a aposta (forte) tornou-se surpreendente e o internacional veio contradizer a ideia do técnico, jogando como um falso lateral que em posse assume terrenos centrais à procura de desequilíbrios e sem bola agarra mais no ala contrário. Mais uma vez, e dentro da forma como o City está a jogar, Matheus Nunes continua a jogar bem e a ganhar o seu espaço no plantel apesar do erro no segundo golo do Al Hilal que permitiu que João Cancelo isolasse Malcolm na profundidade.