1235,6kWh poupados 1235,6 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

"Se o teatro pegar fogo, ela pode correr?" Como Maria Carlos Baptista cria os visuais de palco para Carminho

Este artigo tem mais de 1 ano

Um vestido que não pode "engolir" a fadista mas sim torná-la maior — e que a permita movimento, respiração e correr, se for preciso. Designer e cantora falam da relação de troca que já dura 4 anos.

14 fotos

“Pensei que era um scam”, ri-se Maria Carlos Baptista sobre a abordagem da fadista Carminho em 2021. A jovem designer tinha vencido o concurso Bloom alguns meses antes e dava os primeiros passos no mundo da moda. “Vi umas fotos dela na internet e apaixonei-me. Enviei uma mensagem no Instagram“, conta a cantora, numa conversa intimista na Quinta do Bomfim, com vista para o Douro, no primeiro dia do Portugal Fashion. “Não vejo nenhuma separação na forma como me apresento como cantora das minhas roupas. É também comunicação, é parte da arte, da expressão”, afirma Carminho, a usar uma espécie de poncho cinza claro assimétrico com gola alta e uma abertura que deixa as calças pretas visíveis — o estilo que já se tornou inconfundível e que marca a parceria entre duas artistas que já dura há cerca de quatro anos.

Horas antes da talk, Carminho chegou na Quinta do Bomfim num visual discreto, em calções azuis e top branco. Deparou-se logo com uma equipa de reportagem de televisão — mas interpelada com a sugestão de uma entrevista, desconversou logo: “Queria ver a Maria, não está aqui a Maria?”, encontrando assim uma forma de se retirar do meio dos jornalistas. Mais tarde, a tentativa de se misturar na multidão parece que ganha uma explicação. A fadista descreve o seu gosto particular como “clássico, andrógino, místico e escondido”. “Ao esconder-se, sinto que deixo as pessoas com vontade de ver mais”, justifica Carminho. “O que temos em comum é a expressão como uma extensão do ‘eu’. A Carminho expressa-se através da música e eu através da roupa“, diz Maria Carlos Baptista. “Há uma conexão entre nós”, garante ainda, por entre olhares, elogios e sorrisos. A sincronia é tanta que uma completa a frase da outra. “Primeiro achava que estava a trabalhar para uma musa. Mas agora sinto que tudo desenvolveu, foi mais profundamente. Crio para a Carminho mas trocamos ideias. Sinto-me no palco quando ela usa minhas peças.”

▲ Nos bastidores, Maria Carlos e Carminho estiveram sempre a conversa. A designer ajeita os últimos detalhes do visual

IGOR MARTINS/OBSERVADOR

Da Primark ao Bloom, até os palcos do mundo todo

Maria Carlos Baptista trabalhava como lojista Primark quando venceu o concurso Bloom em outubro de 2020. Hoje é designer na Parfois, trabalho que concilia com as criações sob encomenda e a parceria com Carminho. “No início estava muito preocupada com crescer, mas já não sinto que tenho essa pressa. O processo tem sido muito feliz, estou a saber saborear. Trabalhar por encomenda dá me imenso prazer e o meu trabalho com a Carminho já está a ocupar bastante o meu tempo. Mas é claro que adorava estar à frente de uma grande maison, ser diretora criativa”, diz ao Observador.

A designer entra este ano numa espécie de incubadora da plataforma Bloom, promovida pelo Portugal Fashion, e vai passar por um trabalho próximo com os Marques’Almeida. Marta Marques e Paulo Almeida devem ajudar Maria e outros dois bloomers (Veehana e Arieiv) desde o processo criativo até a parte do negócio — trazendo a experiência de anos e do mercado internacional. Com o empurrão, Maria tem a expectativa de crescer a marca. Rejubilei. Fiquei como é óbvio, muito contente. Lembro-me de estar na escola e falar dos Marques’Almeida como referência. São portugueses e exemplo de êxito no estrangeiro”, diz Maria, que agora segue com a mentoria da dupla. “A intenção é apresentar uma nova coleção. No último ano não houve Portugal Fashion, foi uma fase turbulenta, não havia garantias. Como estava habituada com o calendário de março e outubro, não ia conseguir concretizar para julho. Mas quero voltar a trabalhar coleções, faz parte também do projeto com a incubadora”, assume, afirmando que pode passar a criar apenas uma coleção por ano, que se encaixe no calendário anual do evento do Porto. “Prefiro o produto intemporal, clássico, mas que tenha qualquer coisa de contemporâneo. Não estou a procura de estar a frente das tendências.”

Sobre o apoio da fadista na sua carreira de designer, Maria Carlos Baptista diz que Carminho é “muito impulsionadora. “Quando recebi o convite para o Portugal Fashion não tinha coleção para apresentar, estava insegura com isso. Mas o meu momento foi muito bonito. Quando eu lhe apresentei esta ideia de ela vir fazer o Portugal Fashion ela mostrou-se super pronta”, diz a designer.

“Se o teatro pegar fogo, ela pode correr?”

Desde o início da parceria que Carminho usa quase que exclusivamente criações de Maria Carlos Baptista em palco. “A primeira coisa que penso é: se o teatro pegar fogo ela pode correr?”, ri-se a designer, que depois explica. “Ela precisa respirar, estar confortável e mover-se bem“, diz, afirmando que a experiência prévia como bailarina ajuda-a a perceber o que é mesmo importante em cima do palco. A fadista concorda: “Faz vestidos tão práticos para cantar. Estar no palco não é como estar numa festa. Não tenho ferro nos bastidores, por exemplo. Então o vestido não deve precisar de ser engomado. São detalhes que são tão importantes.”

▲ O visual de Carminho precisa garantir conforto, praticidade e movimento em palco. Os tecidos não precisam de ser engomados

IGOR MARTINS/OBSERVADOR

Outro ponto importante é o papel do vestido na composição do concerto. “Faço o design de luzes dos meus concertos, e saber o design da roupa é muito importante para construir as ideias do que será visto depois. Portanto é essencial esta colaboração, que a Maria saiba como estará a luz e as cores”, explica Carminho. As duas garantem que a troca é constante, mas a designer reforça que procura dar um toque da própria identidade ao visual da fadista. “O que me ajudou a criar a minha imagem foi ser verdadeira comigo mesma.”

Para além do conforto em palco há ainda a componente dramática. “Sempre penso: como posso fazê-la ficar maior?”, questiona Maria Carlos, que justifica que a roupa não se pode sobrepor à arte. Questionada se escolheu Maria Carlos Baptista por ser portuguesa, Carminho é direta: “Visto Maria porque acredito nela e na nossa conexão, porque me sinto poderosa e consigo expressar-me. Mas é claro que amo dizer que ela é portuguesa.” A fadista termina a afirmar que acredita que “lealdade é importante”, e que não costuma usar roupas de outros designers: “Achei a minha alma gêmea”.

O Observador está instalado no Porto à convite do Portugal Fashion.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.