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"Não quero fazer aqui e mostrar só em Paris". Gabriel Figueiredo, um lusodescendente na Dior e a estreia da De Pino no Porto

Finalista do prémio LVMH com a marca própria, a De Pino, o designer filho de pais portugueses já está em contacto com as fábricas do Norte e apresentou-se pela primeira vez no Portugal Fashion.

Gabriel Figueiredo, o lusodescendente finalista do prémio LVMH, apresentou pela primeira vez no calendário do Portugal Fashion, com a sua De Pino
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▲Gabriel Figueiredo, o lusodescendente finalista do prémio LVMH, apresentou pela primeira vez no calendário do Portugal Fashion, com a sua De Pino

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

▲Gabriel Figueiredo, o lusodescendente finalista do prémio LVMH, apresentou pela primeira vez no calendário do Portugal Fashion, com a sua De Pino

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

É em passo acelerado que Gabriel Figueiredo passa pelo Portugal Fashion. “Cheguei ontem à noite super tarde e tenho que ir amanhã super cedo”, conta ao Observador o designer de 36 anos, finalista dos prémios LVMH e com nome inscrito no calendário do evento de moda do Porto. O motivo da correria é o desfile de alta-costura da Dior, realizado dali a dois dias em Paris. “Tenho que ir trabalhar. Estou na equipa de roupa de pele e trabalho na coleção de alta-costura”, explica o criador nascido em França, mas filho de pais portugueses. Está no atelier Christian Dior desde novembro de 2025, mas antes passou seis anos na Maison Margiela Artisanal, a trabalhar como bordador sob as direções criativas de John Galliano e Glenn Martens. “Quando se faz uma marca sozinho, não há ninguém com mais experiência. Em marcas como estas, trabalhas com gente que já tem 20 anos de experiência, que tem um olho que é super interessante. É muito enriquecedor trabalhar com gente assim”, elogia.

▲ O designer escolheu coordenados que representam os últimos seis anos da marca, que mistura a elegância da mulher parisiense ao estilo conceptual e divertido da moda belga

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

Pelo local reservado para a apresentação da De Pino no Portugal Fashion circulam duas manequins em plataformas de acrílico, que as levam perto dos dois metros de altura. Enquanto uma projeção em vídeo passa pela parede, seis coordenados estáticos decoram o ambiente. A elegância dos pretos e brancos, dos padrões clássicos como as riscas em xadrez e dos tecidos como a malha ou a lã, encontram um lado mais divertido, no corte com volume exagerado, nas franjas ou no uso de materiais como a ouatine, uma espécie de enchimento acrílico que Gabriel Figueiredo se apropria para aplicar num colete. “Acho que para mim a marca é um bocadinho isso. A partir da ideia desta mulher de Paris super sofisticada, super chique, brincar com as proporções e fazer deste vestuário super chique uma coisa um pouco mais engraçada“, explica o designer, que se sente inspirado pela moda de luxo da capital francesa, mas que também busca o lado conceptual na Bélgica, onde tirou o mestrado em Design de Moda pela La Cambre, em 2017.

A De Pino foi lançada em 2020 como “um pequeno projeto durante a Covid”, explica Gabriel Figueiredo. “Era mesmo uma mini coleção e cresceu depois que fiz o meu primeiro desfile, na Semana da Moda de Paris de 2024. Foi quando ganhou mais atenção”, diz o designer, que também já trabalhou como stylist, o que alavancou o início da carreira na moda. O nome da marca é uma homenagem ao apelido dos avós, que têm casa em Portugal mas vivem em França. “Não queria que fosse o meu nome próprio. Por isso achei que este nome, que é da minha família mas não é o meu, era uma boa ideia”. Gabriel diz que vinha a Arouca todos os anos de férias quando era pequeno, onde tanto os avós maternos quanto os paternos tinham casa. “A minha avó era uma super costureira e ela deu-me este gosto de fazer a costura. Também a minha mãe e as minhas tias sempre gostaram de se vestir bem. Estive sempre rodeado de mulheres que gostam de se vestir”, conta.

▲ Gabriel Figueiredo começou a De Pino em 2020 como um "projeto pequeno", que ganhou dimensão com o primeiro desfile em Paris em 2024

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

A vinda ao Porto também está relacionada com a vontade de tornar a marca maior. “Estou a trabalhar com fábricas no Porto e sou bastante ligado com a indústria. Para mim faz sentido também não fazer só a parte da confeção aqui, mas estar mesmo ligado ao ambiente da moda nacional. Porque afinal, a roupa é também a gente que a faz, que é super importante. Não quero fazer aqui e mostrar só em Paris — estar presente no Portugal Fashion também faz parte da história da marca”, assegura. Contudo, quer que o crescimento da De Pino aconteça “de uma maneira natural. Para mim é super importante também manter a criatividade. Depois, a produção e as vendas vão vir de uma maneira mais orgânica”, afirma.

Em março, a De Pino foi selecionada pelo grupo LVMH como uma das finalistas do concurso de jovens designers, que atribui um prémio de 400 mil euros e um período de formação com mentoria do conglomerado de luxo. Gabriel Figueiredo garante que desde o resultado das semifinais tem recebido mais contactos e visibilidade, mas mantém os pés no chão. O resultado está previsto para setembro e o designer insiste que não quer que a marca cresça “muito rápido”. “Por agora, tenho este trabalho na Dior, portanto a minha marca tem a liberdade de fazer o que eu quiser. Gosto de ter estes dois projetos porque assim não há muita pressão na minha marca. Claro que quero que a marca se desenvolva e que fique maior, mas vai ser com o tempo que for preciso.”

O Observador esteve instalado no Porto a convite do Portugal Fashion.

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