Não é preciso ter um conhecimento muito alargado sobre MotoGP para saber que Miguel Oliveira gosta de brilhar à chuva. Sempre muito confortável quando a pista está molhada, o piloto português alcançou alguns dos melhores resultados da carreira quando as nuvens ficaram mais cinzentas — e este fim de semana trouxe a ideia de que a história poderia repetir-se.

No circuito de Sachsenring, na Alemanha e depois da queda que o obrigou a abandonar o último Grande Prémio dos Países Baixos, Miguel Oliveira impressionou na qualificação e esteve muito perto de chegar à Q2 pela primeira vez na temporada. Ainda assim, aproveitou a lesão de Maverick Viñales para melhorar o 13.º lugar registado e arrancar de 12.º, a posição mais elevada em que começou uma etapa em 2025. Já na corrida sprint, no sábado, o piloto português não foi além do 11.º lugar, demonstrando-se desiludido com a estratégia da Pramac.

A chuva deu asas ao falcão: Miguel Oliveira ficou muito perto da Q2 e acabou Sprint no 11.º lugar, Marc Márquez manteve domínio

“Não foi o melhor dia, definitivamente. Na Q1 comecei com o pneu traseiro médio e senti-me logo bem, mas quando a pista parecia estar a secar entre para trocar o pneu e foi exatamente aí que começou a chover mais. Foi uma daquelas decisões que têm de ser tomadas em três voltas e, infelizmente, não resultou. Na corrida utilizei o pneu traseiro macio, mas basicamente não tive aderência. Tive os mesmos problemas da segunda sessão de treinos antes da qualificação, não consegui manter a mota estável, não tive tração nem aderência. Tenho a certeza de que a corrida poderia ter sido muito melhor para mim. Em termos de acerto, precisamos definitivamente de pensar em algo para amanhã”, explicou o piloto natural de Almada depois de Marc Márquez, que também tinha a pole-position, começar o fim de semana com uma vitória na corrida sprint.

Assim, este domingo, Marc Márquez não deu qualquer hipótese no arranque e segurou desde logo a liderança do Grande Prémio. Mais atrás, o azar voltou a bater à porta de Miguel Oliveira: na última curva do circuito, logo na quarta volta e depois de ter perdido várias posições nos instantes iniciais da corrida, o piloto português despistou-se sozinho e abandonou pela segunda semana consecutiva.

Numa corrida muito acidentada e com inúmeros abandonos quase consecutivos — só dez motos cruzaram a meta, algo que potenciou os melhores resultados da temporada de vários pilotos –, Marc Márquez dominou em absoluto e juntou a vitória no Grande Prémio à pole-position e ao triunfo na sprint com mais de sete segundos de vantagem, confirmando cada vez mais que vai mesmo voltar a ser campeão mundial de MotoGP. Álex Márquez ficou na segunda posição, aproveitando as quedas de Fabio Di Giannantonio e Marco Bezzecchi, e Pecco Bagnaia encerrou o pódio.