A justiça luxemburguesa condenou a prisão perpétua, num julgamento à revelia, Steve Amieiro Duarte, um cidadão luso-luxemburguês que se juntou ao autoproclamado Estado Islâmico em 2014. A notícia está a ser avançada pelo jornal Luxembourg Times esta segunda-feira.
Steve Duarte, que é filho de pais portugueses da região da Figueira da Foz e cresceu no Luxemburgo, estará atualmente numa prisão curda no norte da Síria, adianta o jornal luxemburguês L’essentiel. Foi agora emitido um mandado de captura internacional pela justiça luxemburguesa para o deter.
Numa entrevista à RTP em 2019, Steve Duarte contou que se “converteu ao Islão em 2007”. Esteve depois na Argélia, mas só foi para a Síria em 2014. Foi aí que se juntou ao autoproclamado Estado Islâmico, onde adotou o nome Abu Muhajir Al-Andalusi. Um dos seus objetivos consistia em “recuperar” para o Islão a região de Al-Andalus, numa referência aos territórios que os muçulmanos ocuparam na Península Ibérica.
Na Síria, Steve Duarte apareceu num vídeo divulgado pelo Daesh, em que mata a tiro um refém. Na entrevista à RTP, o cidadão luso-luxemburguês negou tê-lo feito e disse que apenas era responsável pela captação e partilha de vídeos em que os membros do autoproclamado Estado Islâmico executavam reféns.
Jihadista português quer voltar à Europa: “Cometi um erro. Estou pronto para ir para a cadeia”
Steve Duarte foi agora condenado à pena mais gravosa pelo sistema penal luxemburguês. Foi acusado, segundo o jornal L’essentiel, dos crimes de terrorismo, ato de provocação, ato de recrutamento, prática de ato terrorista, participação ativa em grupo terrorista, homicídio, incitação ao ódio ou à violência e filiação em grupo terrorista.
O luso-luxemburguês tem agora 40 dias para recorrer da decisão judicial. No Luxemburgo, o julgamento começou em novembro de 2024. Na entrevista à RTP, Steve Duarte reconheceu que queria “voltar à Europa”, tendo admitido que “cometeu um erro”.