O grande passo foi dado este domingo, os dois pequenos passos em falta falharam esta segunda-feira. Em condições normais, e de acordo com informações recolhidas pelo Observador, já era admitida em Alvalade a possibilidade de haver um acordo final com o Arsenal para a venda de Viktor Gyökeres com um valor fixo que ia ao encontro daquilo que era pretendido e com essa hipótese de não ter de falar, negociar ou sequer pagar ao empresário do avançado sueco. Faltavam dois pontos, só dois pontos. Continuam a faltar dois pontos.

Com representantes do jogador em Londres com contacto direto aos responsáveis do Sporting em Alvalade, existiam duas questões em aberto: os prazos de pagamento do valor fixo, neste caso os tais 63,5 milhões de euros sem qualquer encargo com comissões de intermediação, bem como a hipótese de serem os ingleses a ficarem com o ónus do pagamento do factoring para que o encaixe entrasse de forma adiantada nas contas da SAD verde e branca; e os objetivos indexados aos dez milhões de euros de variáveis que estariam também em cima da mesa. À partida, com uma ou outra cedência, tudo ficaria feito. Para já, só para já, não ficou.

Contra todas as expetativas, e quando o Sporting tentava esticar os objetivos mais facilmente concretizáveis de cinco milhões para um valor perto dos sete milhões (ou seja, um encaixe que poderia entrar ainda neste exercício de 2025/26 iniciado a 1 de julho), o Arsenal acabou por apresentar uma base que estava abaixo do que era esperado – ou seja, apenas 30% dessas metas variáveis eram de execução mais “imediata”. Foi essa abordagem que acabou por causar algum incómodo junto dos responsáveis leoninos, tendo em conta que o que foi transmitido a Bernardo Palmeiro, diretor geral da SAD, chegou através dos londrinos e não do agente do dianteiro escandinavo, que deixou de ter relação com o líder leonino, Frederico Varandas.

Apesar desse mal-estar causado por uma oferta “sem sentido” perante o que estava alinhavado, que até contrariou aquilo que tinha sido abordado aquando da segunda proposta recusada de 65 milhões de euros fixos mais dez milhões de variáveis (aí, cinco eram de fácil concretização), o Observador sabe que a hipótese de Viktor Gyökeres rumar ao Arsenal continua em cima da mesa mas obrigará a mais algumas reuniões para que seja encontrado “fumo branco”. Aliás, em termos internos, é assumido que o avançado tem um acordo com os gunners e que decidiu não ouvir sondagens de outros clubes. No entanto, ainda é jogador do Sporting, neste caso com mais três anos de contrato. E é este ponto que os leões farão sempre prevalecer.

Depois de duas aparições públicas que tinham sobretudo o intuito de contar todos os pormenores sobre o que tinha sido falado com o empresário do sueco e “balizar” os possíveis valores para o negócio avançar, aquilo que Frederico Varandas disse no passado sábado à agência Lusa mais não foi do que um alerta para o que pode vir a acontecer caso o Arsenal não chegue ao que é pretendido. “Estamos tranquilos. Tudo se resolve com o fecho de mercado, uma multa pesada e um pedido de desculpas ao grupo. Se não quiserem pagar o valor justo de mercado do Viktor [Gyökeres], ficamos muito confortáveis com isso durante os próximos três anos. Se os génios que estão a delinear esta estratégia acham que isto me pressiona para facilitar a saída, não só estão completamente errados como ainda estão a tornar mais complicadas as condições de saída do jogador. Ninguém está acima dos interesses do clube. Seja ele quem for”, fez questão de destacar.

Há questões paralelas que fazem com que a celeridade do processo fosse também uma prioridade para o lado verde e branco, entre a contratação de um sucessor de Gyökeres que pudesse ser opção ainda na Supertaça e a vontade de, dentro da pouca margem ainda existente, promover uma saída “limpa” que dignifique todo o percurso do número 9 durante as duas épocas em que esteve em Alvalade. No entanto, e até por forma de deixar uma mensagem para dentro e para o mercado, o Sporting não irá mudar a sua postura. Aliás, existe até um ponto que não deve ser colocado de parte: apesar de conhecerem a vontade do jogador em rumar a Londres (neste altura só espera para fazer exames médicos e assinar contrato), qualquer proposta mais vantajosa que possa chegar a Alvalade será analisada da mesma forma do que a oferta do Arsenal. Com um problema: em dois anos, Hasan Cetinkaya trouxe apenas os gunners para a mesa de negociações, o que faz com que o Sporting não feche portas a outras abordagens que possam surgir pelo avançado sueco.

Esse é, há muito, um ponto falado em Alvalade – e que já foi comentado em público por Varandas, que com alguma ironia apontou ao empresário do jogador e deu alguns dados comparativos do atual mercado de transferências. “Vi um jogador, o Zubimendi, que, tem menos seis meses que o Viktor, sair por 65 milhões. Vi o Matheus Cunha ir para o Manchester United por valores na ordem dos 75 milhões de euros. Estamos a falar de jogadores com 26 anos. Acredito que o Viktor possa sair, a não ser que tenha o pior agente do mundo, coisa que não acredito, porque é um dos melhores futebolistas do mundo”, disse a 29 de junho. Ou seja, o maior entrave entre toda a novela foi sempre o “afunilar” do destino do sueco para o Arsenal sem que mais nenhum clube fosse a jogo, o que dá outra margem a Andrea Berta, diretor desportivo dos gunners.