Eugenie é Eugenie devido a Eugenie de York, filha do príncipe Andrew e de Sarah Ferguson, neta da rainha Isabel II. A irmã gémea, Beatrice, é Beatrice precisamente devido a Beatrice de York, irmã de Eugenie e também filha do príncipe Andrew e de Sarah Ferguson e neta da rainha Isabel II. A terceira irmã, Charlotte, deve o nome a Charlotte Casiraghi, filha de Carolina do Mónaco, enquanto que o William, o único rapaz de quatro filhos, é inspirado no príncipe William, filho de Carlos III e atual herdeiro do trono de Inglaterra.
Numa família com tamanha inspiração real, dificilmente não apareceria alguém destinado a coroas. Eugenie Bouchard nasceu num núcleo claramente apoiante, fã e adepto das famílias reais europeias que decidiu associar os nomes dos quatro filhos a príncipes e princesas — e a vida da tenista canadiana podia muito bem fazer parte de um qualquer romance histórico com voltas e reviravoltas.
You’ll know when it's time. For me, it's now.
Ending where it all started: Montreal ❤️ pic.twitter.com/NxqKqXdgHt
— Genie Bouchard (@geniebouchard) July 16, 2025
Esta quarta-feira, Eugenie Bouchard anunciou que vai terminar a carreira depois no Open de Montreal que começa no final do atual mês de julho. “Sabemos quando chegou a hora. Para mim, é agora. Terminar onde tudo começou: Montreal”, escreveu a canadiana nas redes sociais, confirmando que vai deixar o ténis na cidade de onde é natural e no WTA 1.000 para o qual foi convidada através de um wildcard.
Aos 31 anos, despede-se de uma carreira recheada de altos e baixos e onde foi muito mais do que uma tenista. Começou a jogar ainda no Canadá, mudou-se para a Florida com a família durante a adolescência para levar a modalidade a sério e estreou-se no circuito WTA com apenas 17 anos, no Citi Open de Washington DC. Venceu o Junior Wimbledon em 2012, estreou-se num Grand Slam no Open da Austrália do ano seguinte e explodiu em 2014.
Com 20 anos, conquistou o primeiro troféu da carreira em Nuremberga, chegou às meias-finais do Open da Austrália e de Roland Garros e à final de Wimbledon, perdendo para Petra Kvitova. Pelo meio, tornou-se a número 5 do ranking mundial, assumindo cada vez mais a inevitabilidade de ser um dos nomes de futuro do ténis feminino. No ano seguinte, porém, tudo mudou: para além de vários resultados desapontantes nos principais torneios da temporada, Eugenie Bouchard escorregou no balneário do US Open e sofreu uma concussão cerebral que acabaria por travar-lhe a carreira para sempre.
???? Eugénie Bouchard announces her retirement
The former world No.5, runner-up at Wimbledon in 2014 and a semi-finalist in Australia and Roland Garros that same year, has decided to retire.
"You’ll know when it's time. For me, it's now. Ending where it all started: Montreal." pic.twitter.com/PutIwfR4Cg
— We Are Tennis (@WeAreTennis) July 16, 2025
A canadiana ainda processou a United States Tennis Association, chegando a acordo já em 2018, mas desistiu de todos os restantes torneios da época e só disputou mais uma partida em 2015 — que abandonou devido a tonturas. A carreira de Eugenie Bouchard nunca recuperou o rumo, com lesões consecutivas e prolongadas, e a tenista acabou por abraçar outros projetos, dedicando-se essencialmente à publicidade, ao marketing e às redes sociais, tornando-se uma das primeiras influencers ligadas ao desporto.
Numa entrevista recente, a canadiana confessou que foi muito criticada pela presença nas redes sociais e lamentou a importância que deu a esse tipo de comentários. “Não deveria ter levado as coisas tão a peito e não deveria te deixado que o ódio me absorvesse o cérebro. A lavagem cerebral funciona mesmo e quando começas a ouvir coisas negativas sobre ti uma e outra vez é difícil não acreditar. Só gostava de ter conseguido controlar mais esse aspeto e não permitir que isso afetasse a minha confiança, porque afetou totalmente a maneira como pensava sobre mim mesma. E até afetou a minha forma de jogar”, sublinhou.
“Odiavam-me muito por fazer outra coisa que não ténis. Era um peso que carregava nos ombros e foi muito duro. Agora é mais aceite, pelo menos isso. Não é que tenha sido a pioneira deste tipo de coisas, mas sinto que ajudei a que se convertesse em algo um pouco mais normal. A minha paixão pelo ténis manteve-se sempre muito ativa. A paixão que desenvolvi quando comecei a jogar ajudou-me nos momentos difíceis da minha carreira. Evoluí muito nas últimas décadas até conseguir tornar-me no que sou hoje”, acrescentou.