Os incêndios rurais consumiram este ano, até este domingo, mais de 172 mil hectares, 32 mil entre sábado e domingo, ultrapassando a área ardida de todo o ano de 2024, segundo dados provisórios do ICNF.
De acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entre 01 de janeiro e 17 de agosto, arderam 172.054 hectares, valor que ultrapassa a área ardida em todo o ano de 2024, que foi de 136.424 hectares.
Entre sábado e domingo, foram consumidos 32.963 hectares. A área ardida neste período é a segunda maior desde 2017, quando ocorreram os grandes incêndios de Pedrógão, que foi de 201.876 hectares até 15 de agosto.
O ICNF especifica que desde o início do ano, até hoje, deflagraram 6.378 incêndios, a grande maioria em povoamentos florestais (45%) e matos (42%), e a restante em terrenos agrícolas (13%).
Até às 18h30 da tarde de domingo estavam ativos 12 grandes fogos em Portugal continental, a maioria no interior centro do país, com especial foco para os distritos de Viseu, Guarda e Coimbra. Destes fogos classificados como ocorrências significativas na página da Proteção Civil, metade começaram há dois dias ou mais, não tendo até agora sido controlados.
O fogo que lavra há mais tempo é de Trancoso no distrito da Guarda que começou no dia 9 de agosto. Os incêndios em Piodão/Arganil (distrito de Coimbra) e Sátão (Viseu) lavram desde o dia 13, há quatro dias. Ao final da noite, os fogos de Trancoso e Sátão que já eram um só, entraram em fase de resolução.
Há outros grandes fogos que começaram no feriado: Pêra do Moço na Guarda, onde morreu um autarca a combater as chamas entrou em fase de resolução ao final da noite. Poiares em Freixo de Espada à Cinta (Bragança) e Sabugal (Guarda).
Estavam ainda ativos, os fogos Mirandela, Tarouca, Celorico de Bastos, Mondim de Bastos e Moura que começaram entre sábado e domingo, dias durante os quais arderam mais de 30 mil hectares.
Portugal ativou o mecanismo europeu de proteção civil na sexta-feira passada, mas ainda não recebeu qualquer reforço da União Europeia. Foram pedidos quatro Canadair, no entanto, está prevista a chegada de apenas dois aviões Fire Boss, com menor capacidade do que os Canadair que só deverão começar a operar esta terça-feira. Marrocos aceitou manter os dois Canadair que emprestou a Portugal até quarta-feira.
Os incêndios provocaram dois mortos, um autarca da Guarda, e um bombeiro da Covilhã num acidente com o veículo que seguia a caminho de um fogo no Fundão.
O Governo prolongou a situação de alerta até terça-feira à noite