Parece haver tudo, de forma quase contraproducente agora não há nada. Apesar do forte investimento feito pela Arábia Saudita no futebol sobretudo desde que Cristiano Ronaldo deixou o Manchester United, agora as notícias que chegam do país assumem um caminho contrário: segundo o jornalista saudita Ahmed Ajlan, os quatro principais clubes, Al Hilal, Al-Ittihad, Al Nassr e Al Ahli, que pertencem ao Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (75%) e ao Ministério do Desporto saudita (25%) estarão agora à venda, sendo que só um, o Al Hilal, terá um potencial comprador (o príncipe Al Waleed bin Mosaad). Do Al Nassr, ainda nada. E tudo num verão marcado pelo compra de jogadores como João Félix, Coman ou Iñigo Martínez.

Félix decidiu que quer mesmo ser jogador com Jesus: Al Nassr vence campeão na estreia e está na final da Supertaça saudita

Alheio a tudo isso, até por não ter existido até ao momento mais informações nesse sentido, a formação de Riade agora comandada por Jorge Jesus procurava aquilo que, na verdade, mais tem faltado ao Al Nassr desde a chegada de Ronaldo: títulos. E a possibilidade voltava a estar à distância de apenas 90 minutos, após o triunfo frente ao campeão Al-Ittihad nas meias-finais da Supertaça mesmo reduzido a dez desde que Sadio Mané foi expulso aos 25′. Ronaldo fez uma assistência, João Félix foi um dos melhores em campo não só pelo golo na estreia mas também pela forma como ajudou a equipa a defender e seguia-se agora o Al Ahli.

“O Al Nassr ganhou com justiça, apesar de ter jogado 70 minutos sem o Sadio Mané, que é um jogador chave. Estivemos muito bem, fizemos dois golos e um terceiro que era válido mas que o árbitro decidiu anular. O Al-Ittihad não conseguiu criar muito perigo”, apontou Jorge Jesus, técnico português que fez também a estreia depois das passagens pelo rival Al Hilal. “Ronaldo? É um grande exemplo para o mundo do futebol. O Al Nassr merece ter esta estrela global, que vai ajudar a ganhar títulos esta época. Aos 40 anos, ainda está ao mais alto nível atlético. É profissional e não tenho dúvidas de que é o melhor do mundo. Como português, tenho orgulho em poder treiná-lo. 90% dos adeptos vieram aqui para o ver”, acrescentou o treinador.

Jesus voltou à Arábia Saudita perante a possibilidade de treinar o capitão da Seleção, Jesus queria também ser o técnico que dava o primeiro troféu “oficial” a Ronaldo no país depois do triunfo do Al Nassr na Taça dos Campeões Árabes frente ao Al Hilal. Queria, tinha a primeira oportunidade apenas dois encontros depois mas falhou: no dia em que o capitão da Seleção se tornou o primeiro da história a chegar aos 100 ou mais golos por quatro equipas (450 no Real Madrid, 145 no Manchester United, 101 golos na Juventus e 100 no Al Nassr no total de 939 golos na carreira juntando os remates certeiros por Portugal e pelo Sporting), o Al Nassr não conseguiu segurar por duas vezes a vantagem e acabou por cair nas grandes penalidades.

Com Wesley a ganhar a corrida a Ângelo para render o castigado Sadio Mané na equipa inicial, o Al Nassr foi tentando agarrar no controlo do jogo, teve uma primeira ameaça numa jogada de João Félix pela direita que não conheceu depois conclusão na área (10′) e beneficiou depois da melhor oportunidade da meia hora inicial com Wesley a rematar cruzado a rasar o poste da baliza de Mendy (16′). Só faltava o golo e essa chance lá chegou de grande penalidade, com Ronaldo a marcar o golo 100 pelo Al Nassr depois de um corte com a mão na área (41′). Tudo apontava para a vantagem do conjunto de Riade ao intervalo mas os descontos acabaram por trazer um “novo” Al Ahli, que teve um golo anulado a Ivan Toney após assistência de Galeno (45+2′) e chegou ao empate no quinto e último minuto de descontos através de Kessié (45+5′).

Ficava tudo em aberto para o segundo tempo num encontro que, ao contrário do que aconteceu nas meias-finais, fazia prevalecer mais as duas organizações defensivas do que propriamente a magia nos ataques onde estavam as principais estrelas. Foi essa a tónica principal depois do descanso com uma fadiga crescente à mistura entre os quase 30º que se faziam sentir em Hong Kong, com a primeira grande oportunidade a surgir apenas a 20 minutos do final com Firas Al-Buraikan a receber sozinho na área uma cruzamento de Ivan Toney para o remate ao poste. O Al Ahli estava por cima, o Al Nassr foi mais eficaz: Kessié facilitou em zona proibida à entrada da área, perdeu a bola para Brozovic e o croata não deu hipóteses a Mendy para o 2-1 (82′). O conjunto de Jesus tinha a conquista da Supertaça na mão mas a “oferta” foi devolvida, com o guarda-redes a sair de forma disparatada da baliza para Ibañez fazer o empate de cabeça (89′). Tudo ficaria mesmo adiado para as grandes penalidades, com o Al Ahli a ser mais feliz e a fazer a festa em Hong Kong num desempate que teve apenas uma tentativa falhada Al-Khaibari e que foi decidida por Galeno (5-3).