Primeiro um toque no sonho, depois uma dura queda na realidade. Em pouco menos de um ano, a dupla de K2 500 João Ribeiro e Messias Batista conseguiu sagrar-se campeã mundial em 2023, em Duisburgo, mas ficaram também “referenciados” como alvo a abater nas provas seguintes, em concreto nos Jogos. Apesar da grande final realizada em Paris, a embarcação nacional acabou por não passar da sexta posição, numa decisão que teve as seis primeiras equipas com menos de um segundo de distância. Faltou pouco, muito pouco para a medalha olímpica. Sobrou muito, mesmo muito, para o que se seguiu a partir daí.

O sol abriu mas não era um sinal divino para Messias e Ribeiro: 0,95 centésimos separaram o justo e o correto para um K2 em sexto nos Jogos

“Defesa do título? “Não é uma má pressão. Pressão é um privilégio, como costumam dizer. Prefiro ser o atual campeão do mundo e os outros estarem atrás de mim do que ser ao contrário.  Temos experiência e sabemos lidar com este tipo de pressão, mas quando não somos os melhores acho que é mais fácil perseguir esse primeiro lugar. Depois de estar no topo, só dá para cair. Portanto, é um pouco mais difícil manter, porém estamos confiantes que se não conseguirmos, pelo menos vamos lutar por ele”, destacara Messias Batista depois das eliminatórias. “Termos feito o melhor tempo é um bom indicador, ficámos felizes por isso, até porque viemos a gerir um bocadinho o esforço. As sensações foram boas e agora é continuar a aplicar o que temos vindo a fazer. Não fazemos K2 desde maio, na Taça do Mundo da Hungria, que não nos correu tão bem, em condições que não conseguimos controlar. Mas já passou e queremos vingar um bocadinho esse resultado, bem como o de Paris-2024”, acrescentara João Ribeiro, também em declarações à agência Lusa.

Um final de sonho que acabou em lágrimas: Ribeiro e Messias fazem história e sagram-se campeões mundiais de K2 500

Com a motivação da conquista do ouro em K4 500 pelo meio, que deu prolongamento com um título mundial ao triunfo alcançado no último Europeu, a dupla nacional conseguiu o apuramento para a final A com o segundo melhor tempo, mostrando de novo que era uma das principais candidatas ao pódio numa decisão que contaria com Austrália, Alemanha e duas formações de Atletas Neutrais. “Fizemos uma boa regata. Conseguimos sair logo para a frente, o que nos permitiu a meio gerir o esforço. No fim, ficámos ali à espera a ver se nos conseguiam pressionar um bocado. Não foi preciso dar tudo. Claro que custa e que doeu, mas conseguimos controlar bem e estamos na final”, sublinhara Messias após o apuramento. “Quando fomos campeões do mundo ganhámos por muito pouco, em Paris fomos sextos e ficámos muito perto da medalha, por muito pouco. As coisas são mesmo assim, veremos o que nos sai”, completara João Ribeiro.

Uma estreia de sonho: Portugal sagra-se campeão mundial de K4 500 (depois do título europeu)

A final do K2 500 masculino, uma distância olímpica, era um dos principais destaques do quinto e último dia de Campeonato do Mundo em Milão, depois da decisão do K1 500 com nova presença de Pimenta após o bronze ganho em K1 1.000 que deixou o limiano na quarta posição sem medalha. E não desiludiu, apesar da chuva que se fez sentir ao longo de toda a manhã com impacto naquilo que foi o rendimento dos canoístas.

Numa prova disputada mais uma vez ao limite, João Ribeiro e Messias Batista saíram bem, conseguiram passar os 250 metros na liderança da prova e foram até ao limite na luta pelas medalhas, conquistando desta vez a prata com 1.28,44 apenas atrás dos húngaros Levente Kurucz e Bence Nadas (1.28,28). O bronze acabou por ser para os alemães Jacob Schopf e Max Lemke (1.28,94), que tiveram uma ligeira quebra na ponta final e não conseguiram dar prolongamento ao título olímpico alcançado em Paris-2024.