Foi um sorteio que deu para quase tudo. Esta quinta-feira, o Benfica ficou a conhecer os oito adversários da fase de liga da Liga dos Campeões e já sabe que poucos jogos dão certezas absolutas de pontos. Entre Chelsea, Real Madrid, Bayer Leverkusen, Juventus, Nápoles, Ajax, Qarabag e Newcastle, os encarnados não ficaram propriamente com os oponentes mais simples de cada pote e terão uma ronda inicial complicada no arranque da competição.
Quanto a destaques, para além dos reencontros com Enzo Fernández, Álvaro Carreras e Alejandro Grimaldo, sublinha-se o encontro inédito com o Qarabag, já que as duas equipas nunca se cruzaram. O Benfica reencontra o Chelsea, com quem acabou de perder nos oitavos de final do Mundial de Clubes, mas também reencontra o Real Madrid, com quem não disputa um encontro oficial desde os anos 60. Ao todo, os encarnados vão defrontar quatro antigos campeões europeus: Real Madrid, Chelsea, Juventus e Ajax.
Chelsea, Stamford Bridge, fora
A equipa que o Benfica defrontou há menos tempo. Foi apenas em junho, nos oitavos de final do Mundial de Clubes, que os encarnados cruzaram com o Chelsea — num jogo que ficou para a história pela paragem devido ao alerta de mau tempo que fez com que, no total e desde o apito inicial ao apito final, durasse quase cinco horas.
O histórico, porém, é totalmente favorável aos ingleses. Para além da recente derrota no Mundial de Clubes e na sequência do prolongamento (1-4), a verdade é que o Benfica nunca conseguiu vencer o Chelsea: perdeu tanto na primeira como na segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões de 2011/12 (0-1 e 2-1), com a segunda partida a ficar fechada com grande golo de Raúl Meireles nos descontos em Stamford Bridge, e perdeu também na final da Liga Europa de 2012/13 (1-2), em Amesterdão, com um golo de Ivanovic também no tempo extra a garantir a conquista europeia da equipa então orientada por Rafael Benítez.
Com Enzo Maresca ao leme desde o início da temporada passada, o Chelsea é agora uma equipa consistente e assente em princípios claros: conquistou a Liga Conferência e o Mundial de Clubes e ficou no quarto lugar da Premier League. Sem ter perdido referências no mercado de verão, apesar das saídas de João Félix e Madueke e do fim do empréstimo de Jadon Sancho, assistiu às chegadas de João Pedro, Jamie Gittens, Liam Delap, Estêvão e Dário Essugo, entre outros. O jogo proporciona ainda o reencontro do Benfica com Enzo Fernández, médio argentino que deixou os encarnados em janeiro de 2023 para rumar aos ingleses por 121 milhões de euros.
Benfica e Chelsea cruzaram-se em junho, no Mundial de Clubes
Real Madrid, Estádio da Luz, casa
De forma natural, o jogo com mais história de todos aqueles que o Benfica vai cumprir na fase de liga da Liga dos Campeões. É preciso recuar aos anos 60 para encontrar os últimos encontros oficiais entre os encarnados e o Real Madrid, mas são encontros recordados por todos: a vitória do Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus de 1961/62, com um golo de Eusébio (5-3), a goleada do Benfica na primeira mão dos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus de 1964/65, com mais dois golos de Eusébio (5-1), e a derrota do Benfica na segunda mão da mesma eliminatória, com mais um golo de Eusébio (2-1), que não chegou para evitar o apuramento português.
De lá para cá, acumularam-se jogos particulares: em 1980, em 1995, em 1996, em 2004 e em 2012, sendo que o Benfica só conseguiu vencer o mais recente. Há 13 anos, na Eusébio Cup que serve como apresentação dos encarnados, a equipa de Jorge Jesus goleou os merengues de José Mourinho com golos de Javi García, Witsel, Enzo Pérez e Carlos Martins (5-2).
Na temporada de estreia de Xabi Alonso, que deixou o Bayer Leverkusen para suceder a Carlo Ancelotti no Santiago Bernabéu, o Real Madrid vem de uma temporada atípica em que não conquistou Campeonato, Liga dos Campeões ou Mundial de Clubes. Saíram Lucas Vázquez e Modric, essencialmente, e foi feita uma renovação através da juventude com Dean Huijsen, Trent Alexander-Arnold, Franco Mastantuono e Álvaro Carreras, que reencontra o Benfica depois de ter saído este verão a troco de 50 milhões de euros.
Bayer Leverkusen, Estádio da Luz, casa
Um encontro que não acontece há mais de uma década. A última vez que Benfica e Bayer Leverkusen se cruzaram foi já em 2014, na fase de grupos da Liga dos Campeões: na altura, os encarnados de Jorge Jesus perderam na Alemanha (3-1) e empataram na Luz (0-0), num Grupo C onde ficaram mesmo no quarto e último lugar e acabaram eliminados.
Dois anos antes, na Liga Europa de 2012/13, Benfica e Bayer Leverkusen encontraram-se nos 16 avos de final. Os encarnados começaram por vencer na Alemanha com um golo de Óscar Cardozo (0-1) e voltaram a ganhar na Luz com golos de Ola John e Matic (2-1), seguindo em frente numa competição onde só acabariam por cair na tal final de Amesterdão contra o Chelsea. Nos anos 80, na primeira eliminatória de que há registos entre portugueses e alemães, Benfica e Bayer Leverkusen somaram dois empates nos dois jogos dos quartos de final da Taça das Taças de 1993/94, com os encarnados a apurarem-se graças aos golos marcados fora. Nas meias-finais, porém, acabaram eliminados pelo Parma.
Ainda na ressaca da saída de Xabi Alonso, que conquistou Bundesliga e Taça da Alemanha em 2023/24, o Bayer Leverkusen está a começar a era de Erik ten Hag. As saídas, contudo, foram muitas: Florian Wirtz, Jeremie Frimpong, Amine Adli, Granit Xhaka e Jonathan Tah rumaram todos a outras paragens, sendo que Lucas Hincapié também ainda deve sair para o Arsenal nos próximos dias. Em sentido contrário, chegaram Malik Tillman, Jarell Quansah, Loic Badé, Ibrahim Maza, Mark Flekken, Ernest Poku e ainda Lucas Vázquez. Destaque óbvio para o reencontro de Álex Grimaldo, antigo lateral-esquerdo encarnado, com o Estádio da Luz.
Os 8 adversários do Benfica na Champions:
➡ Vai defrontar 4 clubes que já conquistaram a competição
➡ Duelo inédito frente ao Qarabag
➡ Reencontra o Real Madrid, 60 anos depois pic.twitter.com/GMByUmuJib— Playmaker (@playmaker_PT) August 28, 2025
Juventus, Allianz Stadium, fora
Um dos encontros mais repetidos do sorteio desta quinta-feira. Desde aos anos 60 até 2025, Benfica e Juventus já se cruzaram em 12 ocasiões: sete vitórias para os encarnados, duas vitórias para os italianos e três empates. O último capítulo da história foi mesmo já em janeiro deste ano, também na fase de liga da Liga dos Campeões, com a equipa de Bruno Lage a ganhar em Turim com golos de Pavlidis e Kökçü (0-2).
Recuando à década de 60, Benfica e Juventus encontraram-se nas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus de 1967/68, com os encarnados a vencerem tanto na Luz como em Itália para seguirem para uma final onde acabariam por perder com o Manchester United em Wembley. Os italianos vingaram-se em 1993, ao darem a volta a uns quartos de final da Taça UEFA onde até começaram a perder em Lisboa, mas os portugueses reequilibraram as contas nas meias-finais da Liga Europa de 2013/14, carimbando o passaporte para uma final europeia que também perderiam, curiosamente em Turim, com o Sevilha. Mais recentemente, na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2022/23, o Benfica ganhou em Itália e goleou na Luz, vencendo o Grupo H e seguindo para os oitavos de final.
Com Igor Tudor a assumir o comando técnico em março, depois do despedimento de Thiago Motta, a Juventus está a tentar voltar a dias mais felizes — principalmente no capítulo europeu, onde as desilusões substituíram as finais europeias da década anterior. Nicolò Ravella, Alberto Costa, Nicolò Fagioli e Samuel Mbangula foram as principais saídas, não sendo ainda garantida a manutenção de Vlahovic, e chegaram Jonathan David, Lloyd Kelly, Pierre Kalulu e João Mário.
Nápoles, Estádio da Luz, casa
Curiosamente, um dos cruzamentos com menos história. Em termos oficiais, são apenas quatro os jogos oficiais entre Benfica e Nápoles — dois na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2016/17, num Grupo B que os italianos venceram e em que os encarnados ficaram no segundo lugar, à frente do Besiktas e do Dínamo Kiev, e outros dois na primeira eliminatória da Liga Europa de 2008/09.
Começando pelo mais recente, o Benfica começou por perder em Itália logo na segunda jornada da fase de grupos, com a equipa de Rui Vitória a não resistir ao poderio de Hamsik, Mertens, Milik e companhia. Já na sexta e última jornada, na Luz, os encarnados também acabaram por ser derrotados pelos italianos de Maurizio Sarri, num desaire que não colocou em causa o apuramento para os oitavos de final. Menos de uma década antes, na Liga Europa, o desfecho foi ao contrário: o Benfica de Quique Flores também começou a perder em Nápoles, mas deu a volta em Lisboa na segunda mão e graças a golos de José Antonio Reyes e Nuno Gomes e seguiu para a fase seguinte.
Com Antonio Conte a manter-se no comando técnico da equipa depois da conquista da Serie A, o Nápoles entra na Liga dos Campeões com o claro objetivo de fazer melhor do que na temporada passada, já que não foi além dos oitavos de final. Giacomo Raspadori, Natan, Elia Caprile e Gianluca Gaetano deixaram o clube, enquanto que Kevin De Bruyne, Luca Marianucci, Milinkovic-Savic, Sam Beukema, Noa Lang e Miguel Gutiérrez foram os principais reforços.
Encarnados e italianos defrontaram-se na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2016/17
Ajax, Johan Cruyff Arena, fora
Mais um mítico confronto europeu. Em 11 jogos ao longo do tempo, o Benfica venceu o Ajax em três ocasiões, empatou outras três e perdeu em cinco, num histórico claramente favorável aos neerlandeses. E tudo começou nos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus de 1968/69, numa eliminatória muito equilibrada que obrigou a terceiro jogo depois de uma vitória para cada lado e onde a equipa de Johan Cruyff e companhia acabou por sair por cima.
Reencontraram-se em 1972, nas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus, com Sjaak Swart a marcar o único golo da eliminatória e a atirar os neerlandeses para uma final que acabariam por vencer contra o Inter Milão. O Ajax foi o convidado da Eusébio Cup de 2014, que ganhou com um golo de Ricardo Kishna, e o Benfica perdeu em Amesterdão e empatou na Luz na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2018/19. Mais recentemente, nos oitavos de final da Champions de 2021/22, os encarnados levaram a melhor com um empate nos Países Baixos e uma vitória em Lisboa, seguindo para uns quartos de final onde acabaram afastados pelo Liverpool.
Depois de uma temporada traumática em que perdeu a Eredivisie para o PSV quando chegou a ter sete pontos de vantagem a poucas jornadas do fim, com Francesco Farioli ao leme, o Ajax procura reinventar-se pela mão de John Heitinga, antigo internacional neerlandês. Jorrel Hato, Carlos Forbs, Borna Sosa, Jakov Medic e Jordan Henderson seguiram para outras paragens, com Oscar Gloukh, Raúl Moro, Ko Itakura e Joeri Heerkens a serem os reforços mais sonantes.
Qarabag, Estádio da Luz, casa
Um duelo absolutamente inédito. Benfica e Qarabag nunca se encontraram em qualquer competição europeia, com a Liga dos Campeões de 2024/25 a marcar o primeiro capítulo da história entre os dois. A equipa do Azerbaijão é tetracampeã nacional e na última década só falhou a principal competição europeia em 2021/22, chegando apenas ao playoff de acesso aos oitavos de final da Liga Conferência.
Como melhor resultado nas competições europeias, a equipa de Gurban Gurbanov recorda a Liga Europa de 2023/24, quando chegou aos oitavos de final depois de afastar o Sp. Braga no playoff, caindo apenas com o Bayer Leverkusen. Na Liga dos Campeões, porém, nunca ultrapassou a fase de grupos.
Newcastle, St. James’ Park, fora
Se com o Qarabag o cruzamento é absolutamente inédito, com o Newcastle o histórico não anda muito longe disso. Contam-se apenas três jogos entre Benfica e magpies: dois nos quartos de final da Liga Europa de 2012/13, com os encarnados a vencerem na Luz e a empatarem em Inglaterra para seguirem para as meias-finais da competição, e outro na Eusébio Cup de 2022, onde a equipa de Roger Schmidt derrotou a de Eddie Howe com golos de Gonçalo Ramos, Grimaldo e Henrique Araújo.
O quinto lugar na Premier League do ano passado, acompanhado pela conquista da Taça da Liga, permitiu o regresso do Newcastle à Liga dos Campeões — já tinha voltado à competição em 2023/24, depois de uma passagem pelo deserto de quase uma década que até envolveu uma descida ao Championship, mas não conseguiu passar da fase de grupos.
Com a saída ou a permanência de Alexander Isak ainda totalmente em aberto, naquela que tem sido a grande novela do mercado de verão em Inglaterra, o Newcastle perdeu Lloyd Kelly, Sean Longstaff, Callum Wilson e Isaac Hayden, contratando Anthony Elanga, Jacob Ramsey, Malick Thiaw, Aaron Ramsdale e também Antoñito Cordero.
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— SL Benfica (@SLBenfica) August 28, 2025