O encontro parecia sentenciado, com o Benfica a mostrar uma maior capacidade de controlar a vantagem sem descurar as oportunidades de tentar chegar ao terceiro golo em transições rápidas. No entanto, e ainda com 20 minutos por jogar, bastou uma ação irrefletida para tudo mudar: Dedic foi expulso pela primeira vez na carreira por acumulação de amarelos, os encarnados ficaram reduzidos a dez 16 meses depois num jogo a contar para o Campeonato (o último vermelho tinha sido a Aursnes no Sporting-Benfica em abril de 2024), o Alverca deixou tudo em aberto até ao fim depois de tornar-se a primeira equipa a ser capaz de marcar um golo à muralha das águias que esteve 715 minutos com a baliza a zero. No final, “sobrou” a vitória.

Sofrer como resultado de ter a tal veia resultadista (a crónica do Alverca-Benfica)

As próprias reações de Bruno Lage na zona técnica mostraram uma intranquilidade inesperada. Depois de ter contestado muito a expulsão do lateral bósnio, gritando e gesticulando por mais do que uma ocasião que o jogador tinha feito apenas uma falta depois de ficar “tapado”, o treinador andou muito mais ativo na sua zona técnica e, instantes antes do apito final, continuava a alertar o quarto árbitro para o tempo de descontos que se tinha esgotado. Quando José Bessa terminou o encontro, Lage pontapeou uma bola que estava perto do banco do Benfica, foi buscar uma garrafa de água enquanto respondia com gestos a algumas “palavras” que vinham da bancada e seguiu em passo acelerado para a zona de acesso aos balneários. Travou, ficou à espera dos jogadores para a despedida de Florentino Luís e só aí depois passou pela flash interview.

Apesar dessa irritação com algumas decisões de arbitragem, o técnico acabou a comemorar a obtenção de todos os objetivos que tinham sido traçados nesta primeira fase da época: oito jogos com sete triunfos e um empate na Turquia com o Fenerbahçe, conquista da Supertaça frente ao Sporting, entrada na Champions, 100% de triunfos no Campeonato com esse longo período de 715 minutos sem golos sofridos. Contas feitas, e depois do desaire dos leões no clássico frente ao FC Porto, o Benfica é a equipa do Campeonato com uma maior série sem derrotas que vem desde a época de 2024/25, num total de 18 encontros.

“O Benfica sofre demasiadamente em que parte do jogo? [Na parte final] Exatamente. Houve duas partes distintas. Com 11 fomos claramente a melhor equipa em campo. Tivemos uma entrada muito boa na segunda parte também. A seguir à expulsão o jogo mudou. Fizemos 12 faltas, levamos seis cartões amarelos. O Dedic fez três faltas e levou dois cartões amarelos. O que retiro desta partida é que enquanto estava 11 contra 11 fomos claramente a melhor equipa. Também jogámos com dez frente ao Fenerbahçe [na Turquia]. O jogo foi sempre tranquilo. A forma como o Dedic levou o segundo amarelo, na minha opinião, não havia essa necessidade”, começou por referir o técnico dos encarnados, na zona de entrevistas rápidas da SportTV.

“Alterações na equipa? O Samu [Soares] está num grande momento de forma. O número 1 é o Trubin, o Samu é o número 2. A cada momento, e assim que entendermos, a qualquer momento, o Samu joga. Já o Tomás [Araújo] também foi uma opção estratégica e correu bem. Ivanovic? Não jogámos só com um homem na frente….”, comentou, antes de abordar a paragem para as seleções: “Não vai ter grande importância. Para dar exemplo, vários jogadores nossos vão jogar na quarta-feira e nós temos logo jogo na sexta-feira…”.

Fora do Complexo Desportivo de Alverca, também Mário Branco, diretor geral do futebol do Benfica, falou do início da época… e de arbitragens. “Depois de uma pré-temporada das mais desafiantes e exigentes do Benfica, praticamente sem férias, conseguiram com distinção atingir os três objetivos a que nos propusemos: vencer a Supertaça, entrar na Champions e vencer os jogos do Campeonato, neste caso, os três que fizemos. Relativamente ao jogo de hoje, foi um jogo difícil, num relvado, tal como no Estrela, que deixou um bocadinho a desejar, e a partir do momento em que ficámos reduzidos a dez elementos começou-se a notar o cansaço do jogo da Champions. Antes das paragens é sempre difícil este tipo de jogos”, referiu.

“O que nos preocupa e sobre o qual vamos estar atentos e vigilantes é se estes tipos de critérios de arbitragens se vão manter durante a temporada. Tivemos o cuidado de, antes do início da época, estar na Cidade do Futebol e perceber que tipo de recomendações que a nova Comissão de Arbitragem tinha para o remanescente da época e não percebi que houvesse um critério tão rigoroso como aquele que foi utilizado hoje neste campo. Acabámos por receber um amarelo a cada duas faltas que fizemos. Parece-me extremamente rigoroso e até ilógico tendo em conta o tipo de jogo que disputámos. Queria que estivéssemos todos atentos. Vamos estar vigilantes e perfeitamente identificados com este tipo de coisas”, completou.