Depois das indecisões do último dia do mercado de transferências, da notícia de que Jeremiah St. Juste tinha sido colocado a treinar com a equipa B e da derrota no Clássico contra o FC Porto, era expectável que Frederico Varandas não demorasse muito tempo a surgir perante os jornalistas. Para dar esclarecimentos aos adeptos, mas também e principalmente para dar o seu lado de cada história.
Esta quarta-feira à noite, à margem da Supertaça de futsal no Pavilhão Multiusos de Gondomar, o presidente do Sporting começou naturalmente pelo falhanço na contratação de Jota Silva — que acabou por não ser inscrito como jogador dos leões por um minuto. “Foi um jogador identificado pelo nosso treinador com o intuito de trazer maior profundidade ao plantel e esse pedido foi valorizado pela estrutura do Sporting. Nós decidimos que era um dos alvos deste mercado de transferências, trazer o Jota, e isso obviamente obrigava a um determinado esforço financeiro. O Jota esteve inegociável praticamente todo o mercado, porque eram pedidos cerca de 15 milhões de euros a que nós, administração e treinador, dissemos que não”, começou por dizer.
“O Nottingham Forest recebeu uma proposta do Botafogo de 19 milhões de euros pelo Jota. Informámos o nosso treinador, que esteve sempre a par do processo, de que não havia nada a fazer. Depois aconteceu que o Jota recusou essa proposta e já perto da meia-noite, por volta das 23h20, 23h do último dia, finalmente aceitou um empréstimo mais ou menos nos nossos moldes, mas não dentro dos nossos valores. O Sporting cedeu, estamos a falar de uma coisa de três ou quatro minutos, não havia tempo, e aceitámos uma proposta de empréstimo de 4,5 milhões mais o salário de 2,5 milhões, que seria sete milhões de euros pelo empréstimo do jogador”, acrescentou.
Mais à frente, Frederico Varandas ainda elogiou o departamento jurídico do Sporting, mas acabou por reconhecer que não era possível concluir o processo a tempo. “É tecnicamente impossível receber a documentação, preencher os impressos, assinar os contratos, digitalizar, pôr na plataforma em 15 minutos. Era tecnicamente impossível. Aliás, quando recebemos a documentação final, às 23h45, as pessoas experientes do nosso departamento jurídico disseram ‘presidente, isto não vai ser possível’ e eu disse ‘ok, vamos tentar’. Aconteceu que depois destas telenovelas tudo se fez em 16 minutos, uma coisa que nunca pensei. Tentámos, mas não conseguimos o Jota. Estamos aqui desde 2018 e nunca conseguimos ser o campeão do mercado. Nunca conseguimos! Nem em número de investimento nem em número de jogadores nem em número de jatos particulares ou número de aeroportos ou contratações secretas. Nunca conseguimos!”, sublinhou.
Entre um louvor claro a Morten Hjulmand, que recusou propostas “onde ia ganhar o triplo”, o presidente leonino vincou que o clube conseguiu “manter o grupo”. “O Sporting tem uma forma de trabalhar que não muda por estar em ano de eleições, temos eleições este ano. O Sporting já ficou em terceiro lugar e nunca fizemos um ‘all in’. Na época 2020/21, com Amorim, dissemos que fizemos um ‘all in’… Investimos 30 milhões de euros e fomos campeões nacionais. Agora o Sporting faz, pelo terceiro ano consecutivo, o maior investimento da sua história. O Sporting este ano vendeu cerca de 100 milhões de euros. O Dário [Essugo] e o Quenda foram vendidos no exercício 2024/25. E investimos 75 milhões de euros, onde estão incluídos 11 milhões do resto do passe do Trincão. Temos o plantel mais caro, o maior investimento da história do Sporting, e um plantel bicampeão. Acho que há falta de respeito por aquele grupo. Acham que alguém entra ali facilmente? Se tiver de entrar alguém por 30 ou 40 milhões, assim seja. Mas é para o presente e para o futuro”, atirou, deixando farpas claras aos milionários investimentos de Benfica e FC Porto no verão.