Stefana Lepidi estava em Lisboa para uma conferência e viajava na quinta-feira com o filho a bordo do carro do Elevador da Glória que começava a subir a calçada com o mesmo nome. No início, tudo parecia bem e até tinha arranjado lugar sentada. Porém, tudo mudou quando o cabo se partiu e a cabine desceu até bater no fim dos carris na Praça dos Restauradores, deixando Stefana com um braço partido e como uma das 23 pessoas feridas na tragédia que matou 16 pessoas.

Numa entrevista ao Corriere della Sera, Lepidi, natural da cidade de L’Aquila e investigadora do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia, lembrou que, no momento do choque, foi “projetada para cima dos que estavam de pé” e que também acabaram por cair.

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“Ouvimos um estrondo, havia muito fumo, saímos todos a correr com medo de ficar presos, depois chamámos por ajuda”, contou, lembrando que, depois de sair, se apercebeu “quase imediatamente” que o “osso estava deslocado e o braço torcido de forma anormal“.

“No geral, estou bem, tenho o braço partido, fisicamente não estou mal, mas foi uma experiência um pouco forte”, lembrou ainda, sublinhando que, depois de sair, esperou no chão da rua por duas horas “angustiantes” em que esteve “muito assustada”.

“Via sangue por todo o lado, comecei a tremer, a vomitar“, confessou. Stefana afirmou ainda ter-se lembrado do que sentiu no sismo que matou 380 pessoas na sua cidade natal em 2009.

“O terror do terramoto em L’Aquila voltou ao meu estômago“, lembrou, sublinhando que tiveram “sorte” porque ficaram “ilesos”. Foi essa “sorte” que admitiu ao Corriere della Sera ter tido também já que acredita que, se tivesse andado na cabine que descia a rua e que colidiu no prédio, podia não estar ali a falar com o jornal italiano.

Os bombeiros, durante as horas que esperou, pediam-lhe “paciência” e diziam que não podiam ajudar “imediatamente” porque “havia mortos”. “A certa altura colocaram-me uma manta térmica“, acrescentou.

Depois de ser assistida, Stefana disse que acabou por ser levada “para um hospital na periferia” da capital, já que “o [hospital] central de Lisboa tinha colapsado”. “Mas deram-me código de alta prioridade, fizeram todos os exames para verificar se eu não tinha outros traumas, quiseram manter-me lá a noite toda“, relatou, lembrando ainda que lhe tinham perguntado se ela e o filho estavam a bordo do funicular” ou andar na rua naquele momento.

Segundo ela, a família em casa foi avisada pelo seu filho, que diz ter ficado “bem” depois do incidente e que a ajudou durante todo o processo. Lepidi teve alta pela hora de almoço, ficando a tomar analgésicos e tendo o regresso a Itália já esta sexta-feira. “Vou descansar uma noite no hotel, a última foi muito agitada“, concluiu.

Paola Landolfi ficou “em choque” com o que viu

Na Praça dos Restauradores, outra italiana, Paola Landolfi, viu o cenário que se viveu imediatamente depois do descarrilamento do Elevador da Glória, tendo chegado pouco depois do incidente.

Landolfi relatou também ao Corriere della Sera que estava a ir para lá para “entrar na fila para apanhar o funicular”, juntamente com o filho de 13 anos. Quando chegaram ao ponto de partida nos Restauradores, acabaram por ver chegar “os bombeiros e a polícia”.

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“O veículo tinha acabado de se chocar contra o prédio. Fomos parados pelas barreiras, vimos que estavam a retirar os corpos das chapas“, lembrou, destacando que viu “uma cena terrível”.

Questionada pelo jornal sobre se, depois disto, ponderaria andar no funicular novamente, a italiana disse que “não”. “Acho que nunca mais na minha vida“, sublinhou.

Texto corrigido às 12h38 substituindo a menção da Rua da Glória pela Calçada da Glória