Portugal entrou na qualificação para o Campeonato do Mundo do próximo ano, que vai decorrer nos Estados Unidos, no Canadá e no México, com uma goleada frente à frágil Arménia, numa partida em que entrou forte, dominou, resolveu as contas em apenas 21 minutos e controlou como quis. O resultado expressivo começou a ser construído na primeira parte, com golos de João Félix, Cristiano Ronaldo e João Cancelo, o segundo dos quais ao minuto 21, naquele que foi o primeiro jogo da Seleção depois da morte de Diogo Jota. Na segunda parte, a dupla de ataque do Al Nassr chegou ao bis na conta pessoal e fixou o resultado final em 0-5, com todos os golos marcados por jogadores do Campeonato da Arábia Saudita.

Cristiano e João, a metamorfose das arábias que personifica a intemporal fórmula 23+1 de Martínez (a crónica do Arménia-Portugal)

Em termos coletivos, esta foi uma partida de grande criação ofensiva da equipa de Roberto Martínez que, para lá dos cinco golos, terminou o desafio com 24 remates, nove deles à baliza, 6,2 golos esperados e seis ocasiões flagrantes desperdiçadas. Destaque ainda para as 53 ações na área adversária, os 93% de eficácia de passe, as dez ações no meio-campo adversário e os 70% de posse de bola, números reportados pelo GoalPoint. Em termos individuais, Cancelo foi o melhor em campo para a mesma fonte, com uma nota de 9 (em 10), fruto do golo, da assistência, de duas ocasiões flagrantes criadas e de quatro passes para finalização.

Noutro capítulo, Ronaldo chegou este sábado aos 140 golos por Portugal, 38 deles apontados em fase de qualificação para o Mundial. Neste capítulo, o capitão português desempatou com Lionel Messi (36 golos) e está agora a apenas um golo de igualar Carlos Ruiz no topo da lista. O antigo avançado da Guatemala marcou por 39 vezes nas qualificações, embora nunca tenha marcado presença na fase final. Curiosamente, se excluirmos lesões, há 19 anos que o madeirense não era substituído tão cedo num jogo da Seleção Nacional. Ao sair ao minuto 58, Ronaldo igualou o registo que vinha do jogo com o Cazaquistão, na qualificação para o Europeu de 2008. O “recorde” continua a datar da qualificação para o Mundial de 2006, frente à Letónia, quando o goleador foi substituído aos 45 minutos.

Portugal voltou às goleadas dez meses depois de o ter feito pela última vez, diante da Polónia, na Liga das Nações (5-1). Se juntarmos as duas últimas qualificações, para o Euro-2024 e o Mundial-2026, feitas por Martínez, a Seleção continua sem golos sofridos fora de casa, tendo marcado 20 golos e somado três goleadas. O selecionador continua invicto em qualificações para o Mundial, tendo agora 16 vitórias e três empates em 19 jogos.

“É importante começar bem e agarrar o jogo. A atitude foi exemplar. Controlámos com bola. Depois do golo foi outro jogo, controlámos esse novo jogo com disciplina, continuámos a tentar marcar e, em geral, foi um desempenho completo. Entrada perfeita? Foi porque não é fácil. Já disse que a preparação foi boa. Agora precisamos de recuperar bem. A Hungria em casa vai ser mais um desafio. Rotação? É importante. Pouco a pouco tive a sensação que, durante o Europeu, não tínhamos 20/22 jogadores em que todos tinham a informação, os conceitos táticos, aquilo que tentámos fazer. É importante. Durante a Liga das Nações já tivemos um grupo maior de jogadores. É importante gerir o esforço, a carga. Fico muito satisfeito com a forma como correu. Temos um ambiente de competitividade saudável. Golo ao minuto 21? O Diogo Jota está connosco. Poder marcar ao minuto 21 foi especial. Continuamos a caminhada”, começou por dizer Roberto Martínez à RTP.

“É importante começar bem e agarrar o jogo. Tivemos uma atitude exemplar, controlo com bola e um bom ritmo. Depois do primeiro golo foi outro jogo e controlámos esse novo jogo com muita disciplina. Continuámos a tentar marcar golos e a manter a baliza a zero. Não é fácil jogar na Arménia, mas a preparação foi muito boa. Agora temos o segundo jogo, é recuperar bem. É importante controlar os jogos quando começamos e quando terminamos. É importante gerir o esforço e a carga. Estou satisfeito com a forma como correu o jogo e temos um ambiente saudável, de muita competitividade. É muito bom para Portugal. Félix? O ritmo é importante e a capacidade de tomar a decisão mais rápida faz parte do jogar. O João entrou muito bem. Era um jogo para ele. Senti que a equipa tinha boa ligação e sincronização”, acrescentou, na SportTV.