Era o tema que inevitavelmente iria dominar a conferência de imprensa de Jorge Jesus na Cidade do Futebol. E as previsões não falharam. O selecionador nacional foi insistentemente questionado sobre o adeus de Cristiano Ronaldo à Seleção. Admitiu que pode ter apressado a decisão de CR7 de colocar um ponto final na ligação à equipa das quinas, mas garantiu que não se sente responsável pela saída de Ronaldo. O selecionador nacional admitiu ainda que contava com ele para os próximos jogos de Portugal na Liga das Nações e que não falou com o jogador antes de ter sido conhecida a decisão de Ronaldo.
“Se calhar apressei as coisas“, disse Jorge Jesus, sublinhando, no entanto, não se sentir responsável nem culpado pela decisão de Cristiano Ronaldo. “Não me sinto culpado de nada, respeito a decisão dele”, referiu o selecionador nacional. “Estava na cabeça dele que mais convocatória, menos convocatória (e nós falávamos várias vezes) isso ia acontecer”, revelou Jorge Jesus, acrescentando não se arrepender de nada. “Não mudava nada, tomei a decisão a pensar na minha equipa”. O selecionador sublinha não haver mágoa em relação à situação. “Não há mágoa nenhuma, as decisões que tomo são a pensar na equipa”.
“O Cris trabalhou comigo um ano, fomos felizes, fomos campeões. Respeito a decisão dele. Não sei responder o porquê da decisão dele. O momento dele estava próximo, foi ele que escolheu”, sublinhou o selecionador, recusando que a Seleção Nacional tenha agora maior responsabilidade sem Cristiano Ronaldo.
Questionado pelos jornalistas, Jorge Jesus revelou que não tentou falar com Cristiano Ronaldo e sublinhou que iria estar sempre ligado à saída de CR7 da seleção até 2030. “Não tentei falar com o Cris”, limitou-se a dizer. “Eu ia sempre ficar na história de o Cris sair da Seleção. Se não fosse nesta convocatória, na próxima convocatória ele decidiria. Iria estar sempre ligado à saída do Cristiano Ronaldo até 2030”, disse o selecionador nacional.
“Claro que pensava que voltava, claro que pensava convocá-lo, contar com ele”
Quanto ao anúncio da saída de Ronaldo da Seleção, feito esta quinta-feira, Jorge Jesus garantiu conheceu a decisão de CR7 quando os portugueses souberam. “Soube quando todos nós soubemos. Até aí não tinha conhecimento de nada. Ele estava a jogar, a fazer golos”, disse. O selecionador nacional Jorge Jesus assumiu que queria convocar Cristiano Ronaldo para os próximos jogos da Seleção. “Claro que pensava que voltava, claro que pensava convocá-lo, contar com ele. Ele decidiu que era hora de abandonar a seleção, mais tarde ou mais cedo tinha de acontecer. Tenho de respeitar, respeitando o que ele é e foi para Portugal”, repetiu Jorge Jesus.
Na conferência de imprensa na Cidade do Futebol, o selecionador nacional revelou ainda que vai ser Bernardo Silva (agora o jogador com mais internacionalizações) a assumir a braçadeira de capitão da seleção.
“Na Seleção, o selecionador não escolhe os capitães de equipa. Eles são escolhidos pelas internacionalizações. Neste momento são cinco os que têm maior número de internacionalizações e o jogador com mais internacionalizações a seguir ao Cris é o Bernardo Silva”, disse Jorge Jesus, explicando que os restantes quatro jogadores com mais jogos pela Seleção são “Rúben Dias, João Cancelo, Rúben Neves e Bruno Fernandes”.
Jorge Jesus foi questionado também sobre o diferendo que impede a realização de jogos da Seleção Nacional no Estádio da Luz. O selecionar recordou a passagem pelo Benfica e disse que gostava que o estádio voltasse a receber jogos da Seleção. “Claro que gostava que a Seleção voltasse ao estádio da Luz. É um estádio emblemático, foram sete anos em que fui treinador do Benfica. Fui muito feliz, nunca estive em nenhum clube em que ganhasse tantos títulos. Gostava muito que a seleção voltasse a jogar no estádio da Luz”, disse Jesus.