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Pelo menos 10 agentes para uma jovem "muito simpática": a apertada segurança da infanta Sofía em Lisboa

Este artigo tem mais de 1 ano

Sempre atentos, pelo menos dez agentes acompanham a recente vida universitária da infanta espanhola no Largo do Barão de Quintela. Mas nas redondezas, no Chiado, há quem não saiba da sua chegada.

A Infanta Sofía seguia entre os colegas à entrada da Forward College
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▲A Infanta Sofía seguia entre os colegas à entrada da Forward College

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

▲A Infanta Sofía seguia entre os colegas à entrada da Forward College

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Segue entre o grupo de colegas que desce a rua das Flores, em Lisboa. Sorridente e animada para ingressar naquele que é o primeiro ano letivo no ensino superior, a infanta Sofía surge na manhã desta terça-feira como uma rapariga normal. De cabelo apanhado numa trança, que deixa a franja cair-lhe naturalmente pelo rosto, e de cardigan vermelho vestido, chega assim a mais um dia na semana de integração na Forward College, onde, nos próximos três anos, vai estudar Ciências Políticas e Relações Internacionais. Já esta segunda-feira a faculdade partilhou nos stories página oficial de Instagram imagens dos momentos das boas-vindas aos estudantes, onde também a filha mais nova dos Reis de Espanha surge junto dos restantes alunos em atividades de team building. Mas o aparato a que o Observador assiste na manhã desta terça-feira mostra que a presença de Sofía transcende, como seria de esperar, a normalidade.

Apesar da liberdade que a entrada na faculdade — muito mais numa nova cidade — pode sugerir, a infanta Sofía vai estar sempre bem acompanhada, com a sua segurança sempre em primeiro lugar, como se comprova à porta do estabelecimento de ensino. Assim que Sofía entra pelo número 71 da rua das Flores, rapidamente três agentes se colocam junto à entrada daquele antigo edifício. Quem os visse na rua nunca pensaria que fizessem parte da equipa que constitui o perímetro de segurança da filha dos Reis de Espanha. Vestidos à civil, tomaram conta do Largo do Barão de Quintela sem que ninguém desse por eles. Por lá ficarão nas seguintes horas, sempre atentos a quem por lá passa, e prontos para proteger a infanta a qualquer momento.

▲ Pelo Largo do Barão de Quintela os seguranças de Sofía estavam estrategicamente posicionados, entre carros, portas e pelo jardim

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

Trata-se de uma equipa de cerca de 10 pessoas, agentes espanhóis na sua maioria, vindos especialmente de Madrid, ao que o Observador apurou. Pelo meio ouve-se falar português: estão presentes pelo menos dois agentes da Polícia de Segurança Pública que, sem entrarem em pormenores, adiantam estar também atentos a quem procurar fotografar a infanta. É impossível travar o gesto, mas sempre que possível pedem a identificação do fotógrafo em causa. Cada um na sua posição estratégica, há também quem encontre vista direta para a rua das Flores a partir do Largo Camões.

Apesar do discreto mas grande aparato que por aquela zona se montou, a presença da infanta Sofía ainda se mantém tímida. Pelas redondezas, a vinda da filha mais nova de Felipe VI e Letizia para o Bairro Alto é pouco ou nada falada mas, na porta mesmo ao lado da entrada da Forward College, Vasco Lopes ainda a comenta com o colega, na BD Mania. Os funcionários da loja de banda desenhada admitem estar a par da chegada de Sofía mas confessam não saber se algum dia a vão chegar a ver, “com a segurança que deve ter”. “Mas acho que ela não vai ter rédea livre para andar por aí a passear. Não acredito”, afirma. O colega recorda as movimentações após as primeiras notícias de que Sofía vinha para Lisboa: receberam na loja “repórteres espanhóis e o comissário da esquadra do Bairro Alto para fazer o briefing da segurança”. Apenas temem que, se a segurança se tornar apertada, o negócio fique prejudicado: “Quando foi a JMJ as pessoas não vinham cá”, exemplifica.

▲ Tanto na BD Mania como no Hub Criativo do Bairro Alto já se falava sobre a chegada da Infanta Sofía

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Fazendo o caminho até à Rua Luz Soriano, no Bairro Alto, é por lá que encontramos o Hub Criativo do Bairro Alto. Em tempos casa do Diário Popular e da redação do Observador, o edifício acolhe agora o segundo campus da Forward College. À entrada, notamos a presença de um carro de vidros escuros, denunciado pela pequena luz azul atrás do volante: trata-se de um dos membros da equipa de segurança de Sofía. Ao que o Observador apurou, a infanta começou a manhã naquele edifício, antes de descer depois para a rua das Flores. “Falei com ela e é super simpática. Acho que toda a gente gostou dela e, das outras pessoas com quem falei, todas disseram que ela era simpática”, revelou ao Observador o jovem que desde domingo está a cobrir o lugar do porteiro do prédio. “Os meus pais são os donos do prédio”, comenta, acrescentando: “A minha mãe ficou toda entusiasmada com a vinda da infanta. Mas os Reis ainda não estiveram cá”.

Naquele posto temporariamente, lamenta não saber se nas últimas semanas a vinda de Sofía tem sido tema de conversa nas redondezas mas, afirma, entre os trabalhadores do Hub Criativo foi certamente. Preocupado com “o facto de ela não se sentir perseguida”, diz já ter visto seguranças na zona: “À paisana, mas não tenho a certeza se eram mesmo. Mas ela também não anda assim muito protegida, anda entre os colegas”.

▲ Na Panificação da Mercês, Mariana Gouveia espera poder atender a Infanta Sofía

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Pelas redondezas, na verdade, a conversa não se tem focado na nova etapa da vida da infanta. Na Junta de Freguesia da Misericórdia, uma funcionária — e moradora do Bairro Alto — afirma que não sabia que a irmã mais nova de Leonor vinha para Portugal estudar e que muito menos se tem falado na zona sobre vir para a faculdade que se encontra umas ruas acima. “Se a visse na rua nem saberia quem é mas fico feliz por estar aqui no Bairro Alto e em Lisboa”, comenta também uma funcionária num cabeleireiro local.

Já Mariana Gouveia, padeira na Panificação da Mercês, reage de forma entusiasmada à notícia de que a infanta Sofía vai estudar a poucos metros daquela loja. “Sabia que vinha para Portugal mas não sabia que vinha para aqui”, confessa, acrescentando que se um dia entrar para comprar um dos pães ou bolos que exibe na montra “era top, o top do top”. “Eu sei quem é, sim. É linda, meu Deus. Claro que uma pessoa conhece. Mas se viesse cá era fixe, eu ficava toda contente”, afirma. À porta, uma cliente habitual, e uma das poucas idosas que vem à Panificação da Mercês, revela não ter ouvido falar sobre o tema, confessando não ser do seu interesse. Em sentido oposto, há quem torça baixinho: Sofía “tem de vir aqui comprar pão”.

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