O Governo moçambicano pretende mobilizar 2.317 milhões de euros a curto e médio prazo para estimular a economia, nomeadamente face aos efeitos das alterações climáticas e da instabilidade política, conforme plano aprovado esta terça-feira em Conselho de Ministros.
De acordo com o porta-voz daquele órgão, Inocêncio Impissa, na reunião realizada em Maputo foi apreciado e aprovado o Plano de Recuperação e Crescimento Económico (Prece), “um instrumento de curto e médio prazo para responder aos desafios da conjuntura económica”.
“Contempla um pacote de medidas estimado em 2.750 milhões de dólares (2.317 milhões de euros). Deste pacote, 800 milhões de dólares (674 milhões de euros) serão fundos de apoio à economia para a sua recuperação, através de instrumentos aprovados pelo Governo“, explicou.
Entre esses instrumentos já aprovados, alguns em fase de implementação, estão o Fundo de Garantia Monetária, o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, linhas de financiamento de apoio à recuperação pós-tensões eleitorais, bem como o futuro Banco Nacional de Desenvolvimento, detalhou o governante.
“A implementação eficaz do Prece contribuirá para restabelecer a confiança dos investidores e da população em geral, bem como acelerar a recuperação económica, criando um ambiente propício para investimentos, geração de emprego e crescimento sustentável no médio e longo prazos”, apontou Impissa.
O porta-voz do Conselho de Ministros explicou que, com a adoção do Prece, a projeção do Governo aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique de 2,5% em 2025, contra os anteriores 2,4%.
“O que será observado em todo o período da implementação, prevendo-se um crescimento de 6,3% no final do período, ou seja, em 0,65 pontos percentuais acima do projetado pelo Programa Quinquenal do Governo 2025-2029”, apontou ainda Inocêncio Impissa.
Moçambique viveu quase cinco meses de tensão social, com manifestações, greves e barricadas em ruas de várias cidades, sobretudo Maputo, inicialmente em contestação aos resultados eleitorais de 9 de outubro, convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados eleitorais.
Os protestos degeneraram em violência com a polícia e provocaram cerca de 400 mortos, bem como a destruição e saque de infraestruturas públicas e em empresas.
Quase mil empresas moçambicanas foram afetadas pelas manifestações pós-eleitorais, com um impacto na economia superior a 32,2 mil milhões de meticais (480 milhões de euros) e 17 mil desempregados, segundo estimativa apresentada em fevereiro pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
De acordo com o levantamento feito pela CTA, foram afetadas de “forma direta” pelas manifestações e agitação social que se seguiu às eleições gerais de outubro 955 empresas, em que 51% “sofreram vandalizações totais e/ou saques das suas mercadorias”.
Em 23 de março, o Presidente da República, Daniel Chapo, encontrou-se pela primeira vez com Venâncio Mondlane, tendo ambos assumido o compromisso de acabar com a violência, o que acabou por acontecer.