Está para o Reino Unido como o chá das cinco, o nevoeiro ou a chuva miudinha. O trench coat é aliás, é um dos seus mais estilosos adversários, e se há etiqueta que respira esse ADN da velha Albion chama-se Burberry. Melania Trump é fã assumida da marca, famosa pelo xadrez icónico, pelas gabardines e inúmeras declinações desta peça histórica. Um exemplar resistente, à prova de água, originalmente criado pelo exército britânico em vésperas da I Grande Guerra (não andasse isto tudo ligado, dirão os mais cínicos.)
Foi no pós II Guerra, que a moda a cultura popular se apropriaram deste símbolo, outrora arma funcional, agora ícone de bom gosto, de Humphrey Bogart em “Casablanca” ao Inspetor Closeau de Peter Sellers, provando que a adesão se estende a todos os utilizadores. Esta terça-feira à noite, os olhos voltaram a dirigir-se (também) para o look de chegada da primeira-dama dos EUA ao aeroporto de Stansted, que sabiamente voltou a tirar do armário um aliado da diplomacia. De mão dada com o Donald Trump, desceu do Air Force One no seu longo Burberry Kensington Heritage, devidamente apertado, conjugando com uma lentes escuras Saint Laurent e umas botas de pele Christian Dior Empreinte.
Na última visita ao Reino Unido, em 2019, Melania recorreu em diferentes momentos a criações da Burberry, da muito comentada blusa de laçada em seda, às variantes em encarnado, ou branco. Para a história passou ainda o vestido lápis usado na deslocação ao palácio de Buckingham, que rapidamente evocou alguns dos melhores momentos de Diana, a princesa de Gales. Sobre a cabeça, um não menos comentado boater. Para o então banquete de Estado oferecido por Isabel II, uma concessão aos vizinhos franceses: o Dior couture branco e as luvas prevaleceram na imagem.
Há seis anos, para aterrar em solo britânico, nesse mês de junho, o estado do tempo convidou a um registo mais fresco. Melania optou então por um conjunto de saia e casaco em tons navy e uma blusa estampada.
Ao longo do mais recente mandato de Trump na Casa Branca (e num contexto de tarifas acrescidas impostas pelo Presidente dos EUA) a primeira-dama tem investido mais nos designers norte-americanos. De forma silenciosa, ao seu género, os sinais chegam sem grande ruído, como habitual através do guarda-roupa. Da tomada de posse ao 79.º aniversário de Donald, criadores como Adam Lippes, o popular Ralph Lauren ou Thom Browne saltaram para a linha da frente e são uma forma de dizer comprem em casa.
Mas não é menos público que a mulher de Donald Trump é grande entusiasta das principais de casa de moda europeias, no que ao segmento de luxo diz respeito — a começar pelo impressionante acervo de carteiras Hermès. A sua coleção de gabardines Burberry, aliás, já foi devidamente documentada. Para momentos de streetwear ou ocasiões mais oficiais, Melania divide-se entre modelos curtos ou maxi, apostando em trench coats que oscilam entre o clássica tom bege ou o azul escuro. Em 2014, numa visita a Turnberry, na Escócia, repetiu a fórmula, para jogar em casa em toda a linha.
O casal em 2021, e Melania a chegar à Trump Tower, em Manhattan, em 2023 © Getty Images
O Presidente norte-americano e a primeira-dama partiram esta manhã de quarta-feira de Londres para Windsor, onde deverão ser recebidos no Castelo pelo príncipe e pela princesa de Gales, antes de se reunirem formalmente com o rei Carlos III. Depois de falhar as cerimónias fúnebres da duques ade Kent, esta terça-feira, espera-se que a Rainha Camilla tenha recuperado da sua crise de sinusite aguda, podendo juntar-se à agenda prevista para os próximos dias. Na agenda, ao lado de Melania, está uma visita à Casa de Bonecas da Rainha Maria e à Biblioteca Real do Castelo de Windsor, esta quinta-feira.