Ao final da manhã desta quinta-feira, o furacão é já de categoria 1, com ventos de 200 a 250 km/h, estando a cerca de 940 quilómetros a oeste da ilha do Faial, no grupo Central. Desloca-se a uma velocidade de 52 km/hora. Na madrugada de sexta-feira deverá passar entre os grupos Ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) dos Açores, com ventos que podem chegar aos 150 km/h e ondas que andarão entre os 14 e os 18 metros — as ilhas foram já colocadas em alerta vermelho. E, entre a noite de sábado para domingo, o Gabrielle tem neste momento uma trajetória que aponta diretamente para o continente, onde chegará como depressão pós-tropical.
Para já, os principais perigos centram-se nos Açores, com as ilhas em alerta laranja e vermelho para chuva, vento e ondulação muito forte. Mas para o continente há previsão de chuva logo para o final da tarde de sábado e depois para o dia de domingo (mas que se pode prolongar até terça-feira). Inicialmente não era possível dizer com rigor o que iria acontecer, dada a possibilidade de o Gabrielle mudar de rumo (ventos, correntes, temperatura da água do mar, tudo influencia). Tendo em conta o modelo da ECMWF (Centro Europeu) e o National Hurricane Center dos Estados Unidos (que monitoriza os furacões do Atlântico), será o primeiro ciclone da época a atingir a Península Ibérica.
Entretanto, esta quinta-feira, as previsões meteorológicas agravaram-se no grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), onde os avisos do IPMA, para vento e agitação marítima, aumentaram de amarelo para laranja, mas as medidas excecionais não foram alargadas a estas duas ilhas.
“Efetivamente verificou-se uma deslocação da trajetória do furacão. O que é facto é que as previsões que nos são dadas pelo IPMA [para o grupo Oriental] apontam para ventos sustentados na ordem dos 60 km/hora, com rajadas até 120 km/hora, e portanto não justifica a adoção de outras medidas excecionais como aquelas que foram adotadas para os grupos Ocidental e Central”, explicou o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, à Lusa.
“Ao longo do dia acompanharemos a evolução das condições meteorológicas, através do IPMA e, se necessário for, não hesitaremos em tomar medidas excecionais”, acrescentou. As medidas de exceção incluem a “proibição de atividades junto à orla costeira e em zonas ribeirinhas” e “a restrição de circulação junto à orla costeira, exceto para residentes e serviços essenciais”.
A Câmara de Santa Cruz das Flores, nos Açores, ativou hoje o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil. No despacho publicado, o presidente da autarquia, José Mendes, justifica a medida com “a necessidade de adotar medidas preventivas e especiais de reação, devido às previsões meteorológicas”. O mesmo plano foi ativado na Madalena, na ilha do Pico, e na Calheta, na ilha de São Jorge.
Estarão também proibidas “atividades turísticas ou lúdicas, nomeadamente a realização de trilhos pedestres”, bem como “atividades desportivas, recreativas, culturais ou religiosas em espaços abertos, localizados em áreas expostas ao risco”.
O Gabrielle não mexerá muito com as temperaturas, que se vão manter altas a partir desta quarta-feira (a maior parte do país na média dos 30ºC de máxima, mais quente a Sul e no interior, mais fresco a Norte e no litoral, mas já com mínimas abaixo dos 15ºC (com a amplitude térmica a ser superior a 15 graus), até porque neste momento tem um crista subtropical que arrasta uma massa de ar quente das Caraíbas — e pode até levar à vinda de poeiras do deserto e causar chuva de barro. Mas haverá períodos de chuva a partir da tarde de sábado no continente, primeiro a Norte e depois estendendo-se a todo o país no domingo, podendo manter-se a Sul, e um aumento da intensidade do vento nas terras altas e no litoral oeste, com rajadas de mais de 50 km/h, o que causará também um aumento da agitação marítima, com ondas até 7 metros.
Segundo um comunicado do IPMA emitido na tarde desta terça-feira, o ciclone encontrava-se neste dia no oceano Atlântico. Também em comunicado, o Centro de Previsão e Vigilância Meteorológica dos Açores do IPMA avançou que às 9h00 locais (10h00 em Lisboa) o Gabrielle estava “a aproximadamente 2.640 quilómetros a oés-sudoeste do Grupo Ocidental dos Açores“, deslocando-se para nordeste.
É esperado que “nos próximos dias, à medida que se aproxima do arquipélago dos Açores, vá perdendo intensidade, atingindo a região com ventos de força de tempestade tropical ou furacão de categoria 1”, referiu a meteorologista Rita Mota. A mais recente atualização das previsões aponta que o centro do ciclone deverá passar entre os grupos Ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) na sexta-feira. Assim, a partir da madrugada de sexta-feira deverá ocorrer precipitação em todas as ilhas, podendo ser forte nos grupos Ocidental e Central.
Atenção aos Avisos Meteorológicos para os Açores:
Precipitação – Amarelo [ 22 Set 09:00 – 22 Set 21:00 ]
Precipitação por vezes FORTE, podendo ser acompanhada por trovoada.#avisosipmahttps://t.co/Eh182u2rph pic.twitter.com/6W4d2Hi3E5— IPMA (@ipma_pt) September 22, 2025
O vento deverá intensificar-se, com rajadas que poderão variar entre os 130 e os 150 quilómetros por hora (de sudoeste, rodando para noroeste). Quanto à agitação marítima, deverá igualmente aumentar, com ondas de oito a 10 metros de altura significativa e altura máxima na ordem dos 14 a 18 metros (de sudoeste, passando a noroeste), segundo o IPMA.
O IPMA referiu que “tendo em conta a distância geográfica e temporal a que o ciclone ainda se encontra, permanece alguma incerteza relativamente à sua trajetória e respetiva intensidade“, podendo originar alterações na previsão atualmente disponível. A informação será atualizada na tarde desta quarta-feira.