Primeiro sinal de superioridade: a final da Supertaça, com vitória clara do Sporting no Mulitusos de Sines diante do FC Porto. Segundo sinal de “superioridade”: a Supertaça Ibérica, com os dragões sem argumentos para equilibrarem o encontro com o Barcelona depois de uma desvantagem inicial de quatro golos e com os leões a terem a oportunidade de vencer a final contra os catalães depois de várias vantagens antes do desaire no desempate por livre de sete metros. O segundo clássico da temporada chegava logo na quarta jornada do Campeonato, com o Sporting a partir com ligeiro favoritismo apesar da derrota esta semana diante do Aalborg na Liga dos Campeões frente a um FC Porto que somou por goleadas todos os encontros feitos após a Supertaça Ibérica e que mostrou maior entrosamento entre os reforços que chegaram este verão.

Ano novo, vida velha: Sporting vence FC Porto e conquista terceira Supertaça consecutiva de andebol

“Não podemos ficar desmotivados por sofrer uma derrota na Liga dos Campeões, diante de uma equipa que é um sério candidato a estar na Final Four. Sabíamos das dificuldades, queríamos vencer mas nem sempre é possível. Centrámo-nos naquilo que poderíamos ter feito e não fizemos, há espaço para melhorarmos. Agora, esperamos um FC Porto completamente diferente em relação à Supertaça. Acrescentou muitos jogadores ao plantel e, passado um mês, com tempo para trabalhar, não será o mesmo adversário. Estamos onde queremos estar, na Liga dos Campeões, sabemos que temos mais viagens e menos tempo de recuperação. Por isso, em relação ao FC Porto, espero um adversário melhor e diferente. Sabemos da importância deste jogo em casa para as contas do Campeonato”, comentara Ricardo Costa, técnico do Sporting, aos meios do clube.

“Nestes jogos que fizemos no Campeonato fomos sempre favoritos e tínhamos a obrigação de ganhar. Penso que fizemos três jogos bem conseguidos mas queremos dar um passo em frente e agora segue-se um clássico. Estamos mais entusiasmados para jogar este jogo e vamos para ganhar. Perdemos a Supertaça por alguns golos e a verdade é que revimos esse jogo nos treinos, temos tido uma evolução boa e agora vamos dar uma réplica completamente diferente. Para além de encararmos o jogo com mais vontade ainda de ganhar, iremos ter mais qualidade e isso, aliado à nossa confiança e à vontade de ganhar, vai levar-nos a bom porto. O Sporting tem uma equipa muito boa, está a jogar muito bem mas temos mais possibilidades porque temos uma equipa com muita qualidade. Se dermos o nosso máximo, vai ser mais fácil batermos uma equipa como o Sporting”, salientara Diogo Rêma, guarda-redes do FC Porto, também aos meios do clube.

A promessa de um clássico mais equilibrado era inequívoca, os números apontavam para outra realidade que o FC Porto teria de contrariar. Depois de alguns anos de domínio no andebol nacional, os azuis e brancos não foram tendo capacidade para lidar com o crescimento do Sporting, tendo nos últimos 13 jogos com os leões, desde a meia-final da Taça de Portugal de 2022/23, apenas um triunfo e um empate além de 11 derrotas. Agora, em dia de aniversário de Martim Costa (23 anos), jovem internacional que trocou com o irmão Kiko os azuis e brancos por Alvalade em 2021, os dragões conseguiram apresentar outros argumentos mas nem o maior desgaste dos verde e brancos inverteram a tendência recente, com o Sporting a vencer de novo o clássico e a isolar-se na liderança do Campeonato à quarta jornada após já ter batido o Benfica.

Tal como tinha acontecido na Supertaça, o jogo até começou de forma equilibrada com vantagens mínimas para os dois lados mas com o FC Porto a aproveitar uma fase de algumas precipitações ofensivas dos leões no ataque com falhas técnicas para conseguir pela primeira vez dois golos de vantagem (9′). A partir daí, nem os dragões conseguiram disparar com Andre Kristensen a ter algumas intervenções importantes, nem os leões aproveitaram as vantagens numéricas para chegarem à liderança, algo que só aconteceu com o 10-9 aos 17′. Esse avanço acabou por estabilizar o Sporting em termos emocionais, com o rendimento defensivo verde e branco a melhorar, o FC Porto a encontrar maiores dificuldades no jogo de primeira linha e a vantagem a aumentar até aos quatro golos em cima da buzina para o intervalo depois de mais um ataque falhado pelos dragões (20-16). Orri Thorkelsson (sete golos) e Martim Costa (quatro) eram os melhores marcadores.

A segunda parte começou com uma reação portista, que aproveitou duas falhas técnicas seguidas para deixar o encontro com apenas dois golos de diferença. Os azuis e brancos atravessavam a melhor fase da partida, em contraponto com os leões, mas foi aí que Christensen apareceu ao mais alto nível, segurando esse avanço do Sporting para voltar aos quatro golos a 20 minutos do final (24-20). O contributo dos jogadores que vinham do banco também inclinava a balança para os visitados, sendo que o FC Porto ainda ameaçou o triunfo do Sporting nos minutos finais quando se colocou a dois golos de distância com posse de bola e apenas a um com 1.20 minutos para jogar. Estava tudo em aberto, até por um ataque falhado de Martim Costa com 30-29, mas Moga conseguiu blocar o remate de Gunnarsson para segurar de vez a vitória dos leões com dez golos de Thorkelsson e mais seis de Martim Costa, que festejou da melhor forma o 23.º aniversário.