Mais uma semana sem Mundial de MotoGP, mais uma semana de muitas notícias do Mundial de Superbikes tendo Miguel Oliveira no centro da questão. Para já, entre muita especulação, não estará nada definido. No entanto, várias publicações especializadas vão apontando a transferência do piloto português para a BMW como uma certeza, com a Yamaha a dar um passo atrás em termos de projeto depois do anúncio da reforma de Jonathan Rea sem o sucessor desejado (que agora pode ser Xavi Vierge). Alheio a tudo isso, e enquanto não existem essas confirmações oficiais, o Falcão de Almada apontava baterias para a passagem do Mundial da Europa para a Ásia, neste caso com o regresso a Motegi para o Grande Prémio do Japão.

Quando tem o que precisa, ele voa: Miguel Oliveira iguala melhor resultado do ano com nono lugar em São Marino

“Esta é uma corrida especial para mim, não só por ser o Grande Prémio em casa da Yamaha, mas também porque sou fascinado por este país e estou sempre feliz por voltar. Fazê-lo como piloto de um fabricante japonês torna tudo ainda mais especial. Senti o grande entusiasmo dos funcionários da Yamaha durante a visita de hoje [quinta-feira] à YMR em Iwata e espero que possamos continuar a desenvolver o nosso progresso recente. Estamos a melhorar a cada fim de semana e a mostrar uma competitividade crescente, o que é uma grande motivação”, apontava Miguel Oliveira no lançamento do fim de semana numa pista onde chegou ao pódio em Moto3 e Moto2 e foi quinto classificado por uma vez no MotoGP, também na KTM.

A entrada acabou por ser um prolongamento dessa confiança, com o português a não fazer nenhuma volta rápida na primeira metade da sessão inicial de treinos livres mas a conseguir depois marcar 1.45,357, ficando com o décimo melhor registo da manhã (madrugada em Portugal) andando muito perto daquilo que Jack Miller, o companheiro de equipa, estava a produzir. Contudo, a parte vespertina trouxe outras sensações: o desenvolvimento da moto ficou estagnado, as voltas rápidas na parte final acabaram por ser anuladas por várias bandeiras amarelas e Miguel Oliveira acabou por não conseguir melhor do que a 22.ª posição.

Foi um dia difícil. Tive uma boa sensação com a moto, especialmente no início da sessão de treinos, mas durante as voltas rápidas tivemos muita dificuldade com a aderência. Além disso, recebi duas bandeiras amarelas, o que não ajudou em nada. Portanto, no geral, foi um desastre.”

Fabio Quartararo ainda conseguiu passar direto à Q2 com o oitavo lugar, Álex Rins voltou a fazer um registo muito modesto (19.º), as duas Pramac não foram além do 20.º e 22.º postos. Mais uma vez, a Yamaha não tinha argumentos para os principais adversários mesmo correndo em casa. E era assim que Miguel Oliveira enfrentava a qualificação, com a esperança de poder ficar o mais à frente possível para tentar depois ter um outro rendimento em corrida para manter a atual série de bons resultados nas corridas de domingo, com um 12.º lugar na Hungria e o nono na Catalunha e São Marino que foram as três melhores posições do ano.

Houve melhorias, não chegaram nem de perto para “ameaçar” a Q2: Miguel Oliveira terminou com o sexto lugar, atrás de Jack Miller (14.º) mas à frente de Álex Rins, Jorge Martín, Brad Binder ou Enea Bastianini, e partia da 16.ª posição para uma sprint onde o cenário de pontos voltava a ser quase uma miragem mas que permitia ir testando alguns pontos para a corrida de domingo. Lá na frente, Pecco Bagnaia e o surpreendente Joan Mir fecharam a primeira linha da grelha, com Quartararo a ser a melhor Yamaha em quinto.

Logo no arranque, e numa situação que viveu na primeira pessoa nos últimos anos, Miguel Oliveira viu a boa saída ficar condicionada por um acidente entre Marco Bezzecchi e Jorge Martín que obrigou o português a desviar-se com a moto para também não ir ao chão e baixar para o 20.º lugar, apenas à frente de Álex Rins (que teve também de alargar a trajetória e passar pela gravilha). Lá na frente, Pecco Bagnaia continuou a dominar por completo, com Pedro Acosta a agarrar-se à segunda posição até ser apanhado por Marc Márquez apesar de ter ficado à frente de Joan Mir pelo último lugar no pódio. Morbidelli fechou o top 5 à frente de Quartararo. Já Miguel Oliveira, entre ultrapassagens a Somkiat Chantra e Maverick Viñales e desistências de Enea Bastianini, Johann Zarco e Jack Miller, ainda conseguiu terminar a sprint no 15.º lugar. Este domingo, Marc Márquez pode fazer já a festa do título, até pelo rendimento modesto do irmão Álex no Japão com um oitavo posto na grelha mas uma décima posição na sprint que o deixou fora dos pontos.