Uma notícia, um comunicado, a garantia de que nada não era “do conhecimento ou da responsabilidade do presidente Rui Costa”. A TVI/CNN avançou na noite desta segunda-feira com a informação de que o número 1 do clube da Luz iria ser constituído arguido no âmbito de um processo onde o Benfica é suspeito de ter violado a legislação europeia sobre sanções aplicadas a vários entidades e pessoas que apoiam interesses russos a propósito de uma transferência a rondar os 76 mil euros pela venda do ex-jogador Germán Conti.

De acordo com o canal, Rui Costa apresentou-se no Departamento Central de Investigação e Ação Penal, em Lisboa. com dois advogados após ter sido notificado para ser interrogado e constituído arguido apenas com o Termo de Identidade e Residência. Aí, o presidente dos encarnados explicou que naquela dia, a 15 de julho, havia a apresentação oficial da equipa e também uma reunião dos órgãos sociais tendo em vista também a questão da alteração dos estatutos, pedindo para que a diligência fosse adiada, algo que foi aceite sem que Rui Costa tenha voltado a ser chamado ou recebido qualquer tipo de comunicação por esse processo.

Em resumo, o central argentino foi contratado pelo Benfica ao Colón por 3,5 milhões de euros, valor que veio depois a subir a mais de 4,7 milhões pelas comissões de intermediação, mas teve sempre pouco espaço na Luz, jogando dez encontros em 2018/19 antes de ser emprestado aos mexicanos do Atlas e aos brasileiros do Bahia e do América. Em 2023, Conti foi cedido ao Lokomotiv Moscovo sem que os encarnados tivessem recebido qualquer valor mas segurando uma parte da percentagem dos direitos económicos. O tal valor que chegou às contas dos encarnados será da venda do argentino para o Racing, no ano passado.

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Segundo a TVI/CNN, a SAD do Lokomotiv Moscovo é detida de forma indireta pelo Estado da Federação Russa “através da empresa Transtelecom Company e ainda pelo VTB Bank”. Em paralelo, o banco russo de onde partiu a transação pertence ao Marathon Group de Alexander Vinokurov, outro dos nomes que também faz parte da lista de sanções internacionais aplicadas desde o momento da invasão do país à Ucrânia. Pouco depois, o Benfica explicou em comunicado a história, deixando “de parte” a figura de Rui Costa.

“O Sport Lisboa e Benfica cedeu um jogador [German Conti] sem contrapartida financeira, na época de 2022/23, a um clube de futebol russo. Na época seguinte, o clube russo vendeu esse jogador a um terceiro clube. Como o Benfica era detentor de uma percentagem do passe do atleta, o clube russo transferiu para o Benfica o montante correspondente àquela percentagem: 70 mil euros. ⁠⁠A transferência em causa foi validada pelo TMS da FIFA”, começou por defender o comunicado emitido esta noite pelos encarnados.

“Quando se tomou conhecimento do entendimento do Ministério Público, de que na data da transferência o clube estaria abrangido por sanções da União Europeia, o Benfica imediatamente fez cessar os efeitos do referido contrato e recusou receber qualquer pagamento. Quer a venda do jogador que deu lugar ao pagamento do valor acima referido ao Benfica, quer o pagamento daquele valor, que viria a ser bloqueado por ordem do Ministério Público, não eram do conhecimento ou da responsabilidade do presidente Rui Costa. ⁠⁠A notificação do Ministério Público foi feita ao legal representante do Sport Lisboa e Benfica, que é o presidente Rui Costa”, prossegue o mesmo texto colocado no site oficial do clube.

“A data para inquirição coincidia com a data de apresentação do plantel para a presente época bem como da reunião do Plenário dos Órgãos Sociais, agendada para apreciar a proposta de alteração estatutária, pelo que, feita essa prova, o Ministério Público entendeu adiar a diligência. Aguarda-se novo agendamento. Nem o Clube, por via dos seus serviços, nem a instituição financeira que acompanhou a questão, na altura, identificaram alguma anomalia na operação”, completou o comunicado dos encarnados.