A Google continua a expandir o Modo IA, um formato de pesquisa que recorre à inteligência artificial (IA) para responder a questões mais longas e complexas. O Modo IA chega a Portugal a partir desta terça-feira, com as alterações a surgir gradualmente como um novo separador na área de pesquisa.

Este formato, que também vai chegar à aplicação para smartphone Google no Android e no iOS, funcionará em português europeu. O anúncio da chegada a Portugal faz parte da expansão deste serviço a “quase 50 novos países e territórios”, englobando um total de 36 novos idiomas, diz a tecnológica.

O Modo IA foi lançado em março deste ano, tendo sido disponibilizado primeiro nos EUA. Este modo de pesquisa recorre a uma versão dos modelos de IA Gemini, desenvolvidos pela Google, que foram adaptados para a pesquisa.

Na versão de computador, o Modo IA aparecerá como mais um separador no topo dos resultados — ao lado de opções que permitem mudar entre imagens, notícias ou vídeos. O Modo IA não é a mesma coisa que os resumos com IA (Overviews ou vista geral de IA) que surgem quando se faz pesquisas.

Google volta a mexer nos resultados da pesquisa e faz chegar os resumos de IA a Portugal

É um modo em que as respostas às questões mais complexas surgem organizadas por tópicos, em alguns casos com imagens a acompanhar. Quando é feita a pesquisa desta forma, é indicado ao utilizador quantos sites foram analisados para apresentar determinada informação e quais são as fontes. Além disso, é também multimodal, ou seja, permite fazer uma pesquisa em texto, voz ou através da câmara do telemóvel. Um dos exemplos dados pela empresa é a questão “quero compreender os diferentes métodos de fazer café. Faz uma tabela a comparar as diferenças de sabor, facilidade de utilização e equipamento necessário”. Ou, noutro caso, um pedido de informação detalhada sobre o processo migratório das aves e como sabem para onde se devem dirigir.

A Google explica que o Modo IA usa uma técnica “de repartição da pesquisa, dividindo a pergunta em subtópicos” e gerando “uma infinidade de pesquisas em simultâneo”. E, tratando-se de um serviço com IA, possibilita que o utilizador faça perguntas adicionais sobre a informação apresentada, em estilo de conversa.

Durante um briefing com a imprensa europeia, Hema Budaraju, vice-presidente de gestão de produto da pesquisa da Google, foi questionada sobre os erros e informação falsa que podem ser apresentados ao utilizador. “Não posso sublinhar mais que há um investimento contínuo na qualidade da informação”, afirma. A empresa explica que usa um “sistema de qualidade e classificação” para determinar a informação que é sugerida, mas reconhece que “nem sempre” é possível acertar. “Como acontece com qualquer produto de IA em fase inicial, nem sempre acertamos, mas estamos empenhados na sua melhoria contínua.”

A Google revela que tem como “objetivo mostrar uma resposta baseada em IA tanto quanto possível”. Porém, admite que, em casos em que não há “muita confiança” na informação encontrada, o utilizador continuará a ver os tradicionais resultados com ligações para sites.

A responsável pela pesquisa da Google foi ainda questionada sobre o impacto desta nova forma de pesquisa para o setor dos media. Em teoria, se este novo formato de pesquisa “lê” a informação e apresenta um resumo esquematizado ao utilizador, haverá menos tendência a carregar nas ligações, afetando o tráfego dos sites. Várias das questões sobre este tema ficaram sem resposta ou, em alguns casos, com pedidos para que fossem redirecionadas para as equipas locais da Google.

Um estudo feito pelo Pew Research Centre, citado pela BBC, concluiu que as pessoas clicam numa ligação por cada cem pesquisas em que seja apresentado um resumo de IA. Noutras ocasiões, a Google já contestou a metodologia de pesquisa usada neste estudo.

No Reino Unido, alguns grupos de comunicação social já fizeram chegar à Autoridade da Concorrência e Mercados britânica queixas sobre estes resumos de IA da Google. Em julho, a DMG Media, a dona do Mail Online ou Metro, queixou-se de que tinha registado uma queda de 89% no tráfego online devido aos resumos. Na altura, também já era temido o impacto “devastador” deste Modo IA na indústria, que foi oficialmente lançado no Reino Unido no fim de julho.