O Google anunciou que não irá ativar por defeito o seu assistente de inteligência artificial Gemini para os alunos, uma reviravolta depois de meses de críticas de pais, escolas e eleitos.
O gigante da pesquisa online domina as ferramentas digitais das escolas americanas: as suas aplicações, como Gmail, Docs e Classroom, estão por toda a parte, e os seus computadores baratos, os Chromebooks, são os mais distribuídos aos alunos.
Segundo as alterações, anunciadas na terça-feira pelo Google no seu blogue, o Gemini, Gemini Notebook, Gemini in Classroom e o motor de busca serão desativados por defeito para os alunos, desde o pré-escolar até ao liceu, a menos que os administradores escolares os ativem.
Esta reviravolta significa também que as escolas que recusam qualquer uso de IA não poderão oferecer aos alunos o motor de busca do Google, porque as funções de IA estão agora “profundamente integradas”, explicou ao New York Times o vice-presidente do Google responsável pela educação, Chris Phillips.
Se uma escola proibir totalmente a IA, os alunos “não terão acesso à pesquisa, e vão ver uma mensagem da sua escola a indicar que não está disponível”, acrescentou.
No X, o presidente da câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, entre outros eleitos americanos, acusou o Google de “tentar usar o seu poder de monopólio para impor a IA (…) nas escolas públicas”.
Google is trying to use its monopoly power to force AI into our public schools.
No corporation should have the power to dictate how we teach our children.
Our public schools exist to serve students, not to grow the profit margins of Big Tech.https://t.co/jfACMS1Sh2
— Mayor Zohran Kwame Mamdani (@NYCMayor) November 3, 2026
O Google disse à AFP que estas configurações serão aplicadas em todo o mundo, começando pelos Estados Unidos, numa data ainda não definida.
Mais de 150 milhões de alunos usam o Classroom no mundo todo, segundo os senadores Richard Blumenthal e Josh Hawley, que no mês passado exigiram uma resposta do grupo sobre a ativação por defeito da IA nos dispositivos escolares.
Em agosto, o Google tinha aberto o seu assistente Gemini no Classroom a alunos de todas as idades, com ajuda guiada, quizzes e cartões de revisão retirados dos seus cursos.
A funcionalidade estava ativada por defeito nas escolas que já autorizavam o Gemini, e esta configuração será invertida no futuro.
As cidades de Nova Iorque e Los Angeles anunciaram ambas em setembro a sua intenção de restringir o acesso a ferramentas de IA nos dispositivos escolares.
“Estamos a analisar o anúncio do Google e as suas possíveis consequências para as escolas, os professores e os alunos”, disse à AFP um porta-voz do distrito escolar de Los Angeles.
Segundo aquele responsável, a IA pode melhorar o ensino se for introduzida com prudência e com salvaguardas claras, ajudando os professores, sem os substituir, e garantindo a proteção dos dados dos estudantes.
Numa mensagem na rede social X, o Google garantiu que estas mudanças dão às escolas “mais escolhas, não menos”, como resposta às crescentes preocupações dos pais e da comunidade educativa sobre o uso da IA para fazer os trabalhos de casa de forma descuidada.
We want to clarify what we announced today about our education services. Today’s announcements give schools more choice, not less. Here’s what we announced:
– Gemini, Gemini Notebook, and Search will be OFF ???? by default. This is based on K-12 schools asking for more control…
— News from Google (@NewsFromGoogle) November 3, 2026