A Google voltou a mexer nos resultados de pesquisa do motor de busca. A partir de agora, também os utilizadores em Portugal vão ter acesso à funcionalidade “Vista geral de IA”, que funcionará para pesquisas feitas em português e em inglês.

A alteração vai ser bastante visual. Até agora, quem pesquisa no Google no computador tem acesso a dois grandes blocos de informação: um pequeno resumo sobre o que se está à procura (habitualmente arrumado no canto direito do ecrã, com dados da Wikipédia ou um mapa, por exemplo) e, mais abaixo, as ligações para vários sites. Ou seja, os resultados principais de pesquisa.

Com a “Vista geral de IA”, que será acionada sempre que for relevante para os termos pesquisados, o utilizador passará a ver um bloco com a indicação que está a ver uma resposta gerada por IA à pergunta que fez. Será apresentado um pequeno resumo, gerado por um modelo de IA adaptado à pesquisa, explica a Google.

Um dos exemplos do bloco “Vista geral de IA”

Elizabeth Hamon Reid, vice-presidente de pesquisa da empresa, considera que “é a próxima geração de pesquisa”, conforme explicou numa mesa redonda com vários meios de comunicação social europeus, na qual o Observador esteve presente. “Achamos que há uma grande oportunidade com a IA de desbloquear este tipo de resposta”, capaz de responder a um nível superior de complexidade. “A ‘Vista geral de IA’ é apenas o início”, garantiu.

A partir desta semana, esta funcionalidade chegará a mais países europeus, após um período de “extensos testes”. Além de Portugal, vai também ser disponibilizada na Áustria, Bélgica, Alemanha, Irlanda, Itália, Polónia, Espanha e Suíça, em idiomas que variam entre o alemão, francês, italiano e espanhol. A Suíça é o país que vai ter esta funcionalidade disponível em mais línguas (francês, alemão, italiano e inglês). Hamon Reid prometeu que haverá mais idiomas em breve.

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A responsável de pesquisa da Google afirmou que, dos testes que já foram feitos pela tecnológica noutros mercados, esta nova vista de IA vai fazer com que mais gente “use a pesquisa”. “Assume-se que as pessoas já usam a pesquisa para todas as questões, mas há quem pense no trabalho que vai ter — tirar o telefone do bolso, pesquisar, ler a informação… Mas com isto as barreiras reduzem-se e vemos um uso maior”, explicou.

Nos testes, os utilizadores mais jovens, entre os 18 e os 24 anos, foram também aqueles que apresentaram um maior nível de disponibilidade para interagir com esta alteração à pesquisa.

Porém, a responsável da Google explica que a “Vista geral de IA” não vai ser acionada para todas as pesquisas. “Fazemos um cálculo sobre quão relevante é a apresentação [da funcionalidade] para a pesquisa. Se não for relevante, não será apresentada”, detalhou. Por exemplo, uma simples pesquisa sobre o estado do tempo não irá acionar a vista geral de IA.

Elizabeth Hamon Reid não avançou, para já, quantos utilizadores é que vão ser abrangidos por esta alteração, até porque isso “varia consoante os países”. Mas explicou que a chegada da funcionalidade vai ser gradual “nos próximos dias”, até por “questões de fiabilidade para o sistema”.