Era quase inevitável. Com o Benfica em período de campanha eleitoral com o maior número de proponentes de sempre a um sufrágio (seis), tudo o que tenha a ver com o atual mandato é escalpelizado até ao limite. No futebol os números são mais “conhecidos”, nas modalidades nem por isso. No entanto, as contas eram fáceis de fazer: o basquetebol “cumpriu” com o esperado, o futsal conseguiu finalmente quebrar o domínio do rival, o andebol teve mais um ano longe dos principais adversários, o hóquei em patins foi a maior desilusão pelo investimento feito. Depois, surgia o voleibol, habituado a ganhar praticamente tudo desde que Marcel Matz assumiu o comando da equipa em 2018/19. Na última época, não foi isso que aconteceu. Ganhou a Taça, perdeu a Supertaça ibérica, a Supertaça de Portugal e o Campeonato – e sempre frente ao Sporting. Agora começava um novo ciclo dentro da mesma era, com novo duelo frente aos leões na Supertaça.

O fim de uma era: Sporting vence Benfica na “negra” e sagra-se campeão de voleibol na Luz sete anos depois

“São duas equipas montadas para tentar vencer as competições internas. Tanto o Sporting como o Benfica têm um bom investimento dentro da modalidade e vão fazer tudo para vencer os troféus que vão estar em disputa. O primeiro é a Supertaça. Fizemos uma boa pré-época com a equipa, alguns jogadores chegaram mais em cima da hora. Estamos muito preparados e vamos tentar ter a melhor versão para começar a época. Estamos com uma equipa bem equilibrada neste ano. É uma equipa experiente, com potencial em todas as posições, não apenas uma opção. Estou a gostar de ver o nível de trabalho que temos internamente. Vai ser importante vencer, um clube que investe quer vencer. No ano passado pagámos um preço no início e eles pagaram um preço mais na parte final da época”, frisara Marcel Matz, técnico de um plantel reforçado com nomes como Murad Khan, Kelvi Giovani, Valerii Todua, Francisco Pombeiro e Diogo Fevereiro.

“A pré-temporada tem corrido bem. Há ainda muita coisa por limar, fruto da chegada tardia dos atletas internacionais, mas é a única coisa que podemos dizer que nos falta: um pouco mais de tempo com toda a equipa completa. De qualquer das formas, é um grupo comprometido, que encara a época com grande responsabilidade e otimismo porque só assim conseguimos estar mais fortes para enfrentar os próximos desafios. Vai ser um jogo onde não existem vencedores antecipados: são duas equipas que se conhecem bem e que se respeitam. Temos as nossas armas e vamos encarar o jogo da única forma possível para quem representa o Sporting, que é para ganhar. A vitória no Campeonato acresce a responsabilidade mas é também um reforço dos níveis de otimismo que a equipa deve ter”, destacara João Coelho, técnico dos leões.

Depois das vitórias nas Supertaças Ibérica e de Portugal, Sporting e Benfica tinham dividido sucessos na fase regular do Campeonato e tiveram depois momentos distintos na final, com os encarnados a chegarem ao 2-0 mas os leões a vencerem os três jogos seguintes incluindo a “negra” na Luz. Agora, a vitória voltou a cair para os leões, que revalidaram o título no primeiro troféu da época e chegaram à sexta Supertaça do historial, superando as cinco do Castêlo da Maia e do Sp. Espinho e ficando apenas atrás do Benfica (12).

A partida começou de forma muito equilibrada, com sucesso quase total dos side outs dos dois conjuntos até ao empate a 15, altura em que o Sporting conseguiu fazer um parcial de 4-0 com Edson Valencia no serviço na rotação e o experiente russo Sergey Grankin, de 40 anos, a mostrar que será uma mais valia na parte da distribuição dos leões. Os encarnados ainda conseguiram entrar no primeiro set mas, com o checo Jan Galabov (que foi uma das grandes surpresas no último Mundial, terminando na quarta posição) a aparecer mais no encontro, foram os verde e brancos que conseguiram fechar o primeiro parcial por 25-23. O segundo set começou de novo melhor para o Sporting (3-0), o Benfica voltou a conseguir encostar no resultado (12-12) mas um novo parcial de 5-0 acabou por ditar a história até ao final, com novo triunfo por 25-17 tendo Grankin em destaque pela forma como liderou a equipa e promoveu a ligação central com Kelton Tavares.

Marcel Matz tinha de mexer no encontro, lançando para o terceiro parcial nomes como Murad Khan, Kelvi Giovani, Valerii Todua ou Pombeiro em busca de soluções que contrariassem todo o domínio do Sporting, que estava a imperar na receção, no bloco e sobretudo no ataque. Era um risco, funcionou na perfeição: com uma melhoria significativa sobretudo no bloco, o Benfica reentrou na partida com uma vantagem de quatro pontos logo no arranque que ainda conseguiu ser recuperada ao longo do parcial pelo Sporting para apenas um ponto (de 18-12 para 21-20), esteve empatada (24-24) mas caiu para os encarnados (26-24).

O Benfica ganhava uma esperança redobrada na recuperação, voltou a entrar melhor com um avanço de quatro pontos que foi anulado com um parcial de 4-0 pelo Sporting para o empate a dez antes de uma fase de jogo onde quase tudo girava em torno de Murad Khan e Edson Valencia, com a rotação que colocou o venezuelano no serviço a ser determinante para os leões dispararem e ganharem por 25-23 apesar das várias alterações que Marcel Matz foi tentando promover sem sucesso para ganhar outros argumentos na receção e no bloco para travar um ataque verde e branco liderado de novo ao melhor nível por Grankin.