Pouco mais de dois meses depois do dia trágico, no dia em que assinalava mais um aniversário: o FC Porto oficializou esta terça-feira a mudança de nome do Olival, que passa a chamar-se Centro de Treinos e Formação Desportiva Jorge Costa, numa homenagem ao antigo central que morreu no início de agosto.
Numa cerimónia que decorreu uma semana depois do anúncio oficial da decisão, André Villas-Boas revelou uma simbólica placa com o rosto de Jorge Costa e, rodeado da família e dos amigos do antigo internacional português e também de todos os elementos do futebol do FC Porto, leu um longo discurso com a voz embargada e claramente a lutar contra as lágrimas.
“Muitos vestiram esta camisola, poucos a honraram como o Jorge Costa”
André Villas-Boas afirma que “quem entrar no CTFD Jorge Costa vai cruzar-se com a força de um Capitão que representa o que é ser Porto”
— FC Porto (@FCPorto) October 14, 2025
“Hoje, neste dia carregado de emoção e significado, reunimo-nos para homenagear e eternizar uma das figuras mais marcantes da história do FC Porto: Jorge Costa. A escolha desta data, 14 de outubro, data do seu aniversário, não poderia ser mais simbólica – é um tributo à vida que dedicou, de corpo e alma, ao nosso clube, à nossa identidade, ao nosso desígnio coletivo, aos nossos princípios e valores. Um pequeno gesto que lhe devia ter sido feito em vida e nunca retribuirá tudo que lhe devemos, o privilégio de o termos tido connosco, de termos usufruído da sua presença carismática e um gesto que exprime a enorme vontade de nunca o esquecermos”, começou por dizer o presidente dos dragões, recordando que Jorge Costa celebraria esta terça-feira 54 anos.
“Até há bem pouco tempo, regressado a casa, era um dirigente como poucos. Dos primeiros a chegar, dos últimos a sair, preocupado com todos. Aos mais experientes injetava ânimo, aos mais novos ensinava-os a caminhar de cabeça erguida. Ninguém ficava indiferente ao Bicho nos corredores do Olival, ninguém fica indiferente à sua grandeza. Jorge Costa foi muito para o FC Porto, para nós e para mim. Foi, como poucos, um verdadeiro símbolo portista, respeitado em todos os balneários, estimado por sucessivas gerações de adeptos, e temido pelos adversários. O Bicho, como era conhecido, encarnava o ADN do FC Porto: a resiliência, o inconformismo, a cultura do trabalho, a lealdade, a força perante a adversidade. Muitos vestiram esta camisola, poucos a honraram como o Bicho”, continuou.
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Já perto do fim da cerimónia e depois de ter terminado o discurso previamente preparado, André Villas-Boas decidiu largar o papel e deixar algumas palavras de improviso, voltando a emocionar-se de forma clara. “O Jorge Costa significa muito para mim e lamento profundamente a sua perda, era um grande homem e um grande companheiro. Portanto, gostava de deixar aqui um grande abraço ao Jorge, que a 5 de agosto morreu, mas deixou-nos um legado impressionante, de carisma, de vitórias, uma força da natureza. Um homem especial… Há algo de muito curioso no David que me faz lembrar o seu pai, que é o caminhar dele, inconfundível… E o cabelo encaracolado, que trazia na juventude, mais velho já não trazia caracóis, já trazia mais a sua careca à mostra”, brincou, revelando ainda alguns pormenores sobre o dia da morte do antigo jogador.
“Era um grande companheiro, um homem que nunca me deixou só, que se manteve sempre ao meu lado. Às vezes sou invadido por diferentes sentimentos, por o ter trazido de volta a esta casa, de o ter perdido aqui, da forma que foi, nos meus braços. Pronto… Novamente quero agradecer às equipas do FC Porto que viveram um momento muito triste, mas que nos vai inspirar para sermos campeões. É uma força da natureza o nosso Bicho e vai ser um exemplo para as nossas conquistas, que nos inspire. Agradecer também às nossas equipas médicas, pelo trabalho que fizemos até ao fim, para o trazer de volta à vida. Foi um dia muito duro, muito complicado…”, terminou.
[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]