A reviravolta de Max Verstappen prometia continuar. Numa altura em que faltavam apenas seis corridas para o final da temporada, a vantagem conquistada pela McLaren na primeira metade do ano parecia cada vez mais ténue. Depois da paragem de verão, o neerlandês da Red Bull iniciou uma recuperação que parecia impossível e chegou ao Grande Prémio dos Estados Unidos a 63 pontos de Oscar Piastri, com Lando Norris pelo meio. No primeiro dia, no número 1 dominou a qualificação e cilindrou a concorrência numa corrida Sprint cheia de incidências, que terminou sem os McLaren, que se envolveram num incidente no arranque. Apesar de ter vencido, Verstappen conquistou “apenas” oito pontos aos rivais, mas terminou o dia de sábado a mostrar, novamente, que era o mais forte num Circuito das Américas (COTA, em inglês) teoricamente favorável à papaya.

Max reinou depois do caos inicial: Norris e Piastri envolveram-se em acidente e Verstappen aproveitou para vencer Sprint em Austin

“Foi bom. Acho que, em todos os segmentos, o carro esteve muito forte. Tentar juntar uma volta completa aqui é, por vezes, bastante complicado. Está muito calor e o vento é forte. O primeiro setor, com o vento na traseira, é particularmente desafiante. A primeira volta na Q3 foi boa. Consegui melhorar um pouco em relação à Q2. Infelizmente, não consegui fazer a última volta. Foi um pouco confuso com as voltas de saída, mas, felizmente, não foi necessária”, partilhou Verstappen depois de ter conquistado a pole position para a corrida principal.

“Foi um pouco mais difícil hoje [sábado], por alguma razão. Ontem [sexta-feira] estava bastante confortável e não sei se todos os outros melhoraram um pouco ou se o vento nos afetou mais, mas ambos [Norris e Piastri] tivemos dificuldades em juntar uma boa volta e em ser tão rápidos quanto este senhor [Verstappen]. Estávamos a forçar e, mesmo assim, estou contente com o segundo lugar. Podia ter sido pior. Não havia qualquer hipótese de conseguir a pole hoje. A minha dica para amanhã é simples: não ser atingido! Espero ter uma boa corrida com o Max. Já tivemos algumas boas batalhas no passado e estou ansioso por repetir isso”, alertou Norris, que saiu atrás do campeão do mundo.

Para esta partida, Charles Leclerc (Ferrari) decidiu partir de pneus macios, contrariando as previsões da Pirelli. Max Verstappen voltou a ter um grande arranque e fechou a trajetória por dentro na primeira curva, apertando o monegasco, que subiu desde logo ao segundo lugar, mas terminou a primeira volta desde logo fora da zona de DRS. Quem começou mal foi Lando Norris, que atacou pela trajetória exterior, mas não conseguiu segurar a linha interior. Na segunda volta, Carlos Sainz (Williams) repetiu o que fez em 2024 e ultrapassou Oliver Bearman (Haas) com uma grande manobra. Logo a seguir foi a vez de Norris atacar Leclerc, sem sucesso. Na sétima volta, Sainz tentou ultrapassar Kimi Antonelli (Mercedes) na curva 12, mas acabou tocado pelo italiano e foi forçado a abandonar a corrida, provocando o virtual safety car.

Nessa circunstância, Alex Albon (Williams) foi o primeiro a parar nas boxes para trocar de pneus. Já com o ritmo de corrida normalizado, Norris continuou bastante perto de Leclerc, enquanto que Verstappen aproveitou para descolar e colocar a vantagem acima dos sete segundos. Na volta 19, o britânico voltou a forçar a ultrapassar na curva 13, mas o monegasco voltou a defender-se bem, beneficiando da capacidade de tração do seu monolugar. Com o DRS ativado, Norris lá acabou por ultrapassar Leclerc na 21.ª volta. Na volta seguinte foi a vez de Lewis Hamilton (Ferrari) pressionar o companheiro de equipa, que segurou o pódio antes de trocar de pneus. A corrida acabou por esfriar na frente, sem que ninguém conseguisse ter vantagem de DRS, e só animou com as paragens nas boxes, com Piastri, Hamilton, Norris e Verstappen a passarem para os macios. Quem saiu a ganhar foi Leclerc, que voltou a passar para a frente de Norris, no segundo lugar.

Na 35.ª volta, Bearman tentou ultrapassar Tsunoda por dentro, sem espaço, saiu de pista e deu um pião, perdendo a luta pelo sétimo lugar. Pela terceira vez nesta corrida, Norris e Leclerc entraram em luta pelo segundo lugar, mas o Ferrari aumentou o ritmo e, mesmo de pneus médios, conseguiu voltar a fugir. A sete voltas do fim, Norris voltou à carga, mas Leclerc começou por fechar a trajetória com uma tesoura, seguindo-se novo ataque, com sucesso. Com a bandeira de xadrez a surgir na reta da meta, Max Verstappen carimbou a terceira vitória nos últimos quatro Grande Prémios — foi segundo no restante — e chegou aos quatro triunfos em Austin, número que o coloca apenas atrás de Lewis Hamilton (seis vitórias) e de Michael Schumacher (cinco). Lando Norris chegou logo a seguir, com Charles Leclerc a completar o pódio, à frente de Lewis Hamilton e Oscar Piastri.

O Mundial de pilotos está cada vez mais relançado, já que, por esta altura, os três primeiros estão separados por apenas 40 pontos, quando, há quatro corridas — depois dos Países Baixos —, a diferença estava acima dos 100 pontos (104). Oscar Piastri continua na liderança, agora com 346 pontos, mas viu Lando Norris aproximar-se. O britânico tem 332, com Max Verstappen a surgir logo a seguir, com 306. A próxima corrida acontece no próximo fim de semana, no México.