No início da digressão norte-americana, Max Verstappen (Red Bull) continuou a sua recuperação em busca da revalidação do título mundial, algo que, há poucas semanas, parecia quase impossível. Nos Estados Unidos, o neerlandês completou um fim de semana perfeito, ao vencer a Sprint, a qualificação e a corrida principal, e reduziu a diferença para o líder Oscar Piastri (McLaren). Agora na Cidade do México, Lando Norris (McLaren) começou por se impor na qualificação, alcançando um tempo canhão no sábado. Charles Leclerc (Ferrari), que foi o primeiro a baixar do segundo 15, ficou na segunda posição, seguido do companheiro de equipa Lewis Hamilton. Verstappen não foi além do quinto lugar, com Piastri a partir atrás de si, na sétima posição.

Max, o Pistoleiro Implacável que continua à procura do impossível: Verstappen volta a vencer e fecha fim de semana irrepreensível no Texas

“Estou feliz por estar novamente na pole. Já passou algum tempo desde a última vez e é uma sensação muito boa. A volta foi daquelas em que nem se percebe bem o que aconteceu. Pareceu-me decente, mas, quando vi o tempo, fiquei agradavelmente surpreendido. Senti-me bem durante todo o fim de semana, sobretudo hoje [sábado]. Fiquei um pouco nervoso com a Ferrari no final, mas consegui fazer a volta quando era preciso e estou muito contente. Não tenho dormido bem ultimamente, talvez seja esse o segredo. Já tive boas corridas aqui no passado e vou focar-me no que posso controlar. É tudo o que posso fazer. Vim para ganhar. Vou olhar sempre para a frente. Sei que terei pilotos rápidos atrás de mim. É uma longa corrida até à curva 1 e o ritmo de corrida da Ferrari costuma ser bastante forte. Estou a contar com uma batalha e não espero que seja fácil”, partilhou Norris.

“Problema? Se soubéssemos mudaríamos, mas infelizmente não sabemos. Tentámos tantas coisas e não tem funcionado. Não é falta de esforço. É não conseguirmos encontrar a solução. Entrámos na qualificação a tentar algo novo e não acertámos totalmente em algumas curvas. Melhorou nalguns pontos, mas noutros tornou tudo mais difícil e isso não me permitiu forçar. Desde a primeira volta da Q1 que sabia que não ia ser suficiente. Basicamente, tudo o que tentámos não resultou. Não existe propriamente uma corrida de recuperação quando não há ritmo. Preciso que os outros desistam à minha frente para poder avançar. Cada volta que fiz este fim de semana não foi boa. Em ritmo curto ou longo, nunca senti o carro na janela certa e isso não vai mudar de um momento para o outro amanhã [domingo]”, assumiu Verstappen.

O início de corrida foi caótico e cheio de incidentes, com os pilotos da frente a arrancarem bem e Max Verstappen a sair de pista por fora, acabando por ir à relva. Pouco depois, o neerlandês ultrapassou Lewis Hamilton, numa fase em que vários carros tiveram de sair de pista, incluindo o Ferrari. Já sem Liam Lawson (Racing Bulls) em prova, Hamilton foi o primeiro piloto castigado pelos comissários, levando dez segundos por ter passado pela relva quando devia de ter seguido no alcatrão por fora da pista. Seguiu-se Carlos Sainz (Williams), que recebeu cinco segundos por ter ultrapassado o limite de velocidade no pitlane. As paragens nas boxes começaram, então, a surgir, numa altura em que Lando Norris continuava líder e Nico Hülkenberg (Kick Sauber) também desistiu

Com os pneus gastos, Charles Leclerc entrou na boxe na volta 31 e caiu para o terceiro lugar, atrás de Max. Norris parou a meio da corrida, passando de macios para médios, e conseguindo manter a liderança, com sete segundos de vantagem para o neerlandês. Na 36.ª volta, Fernando Alonso (Aston Martin) somou o quinto abandono da temporada. Pouco depois, Verstappen parou para colocar macios e caiu para o sétimo lugar. Com Norris a rubricar a volta mais rápida, o campeão do mundo voltou a aproximar-se de Hamilton e ultrapassou-o na reta da meta. Na mesma altura, Piastri atacou Kimi Antonelli (Mercedes), que lhe fechou a porta e segurou o quinto lugar. Os dois pararam na box a seguir, juntamente com Hamilton e, depois de uma má paragem da Mercedes, o líder do Mundial lá conseguiu ultrapassar, mas viria a ter de ultrapassar Esteban Ocon (Haas) para recuperar o sexto lugar.

Na luta pelo quarto lugar, George Russell (Mercedes) aproximou-se de Oliver Bearman (Haas) na volta 54, mas o compatriota segurou a posição e distanciou-se. Sainz levou nova penalização, de drive-through, por exceder o limite de velocidade nas boxes, por problemas na ativação do sistema de controlo. A 12 voltas do fim, Piastri atacou Russell na curva um e assumiu o quinto posto, com o britânico a devolver a posição ao colega de equipa. Na parte final, Verstappen colou em Leclerc, mas o virtual safety car, que apareceu na penúltima volta devido a um incidente de Sainz, afetou a luta pelo segundo lugar, bem como pelo quarto. Quando acabou, Max Verstappen voltou a atacar na zona do estádio, mas Charles Leclerc segurou o segundo lugar. Assim, Lando Norris somou a sexta vitória em 2025, estreando-se a vencer no México, terreno onde a McLaren venceu pela quarta vez, o que não acontecia desde 1989. Oliver Bearman foi quarto, o seu melhor resultado na Fórmula 1, e Oscar Piastri quinto.

Com estes resultados, Norris assumiu a liderança do Mundial de pilotos, com apenas um ponto de vantagem para Piastri (357 contra 356). Por outro lado, Verstappen voltou a aproximar-se da liderança, reduzindo a distância de 40 para 36 pontos. O neerlandês tem agora 321 pontos. As contas do Campeonato vão passar por São Paulo dentro de duas semanas.