A derrota caseira com o Nacional no final de setembro, até por ser o quinto encontro consecutivo sem vitórias no Campeonato, parecia colocar tudo em causa, outubro trouxe a bonança. Quando já se começava a sentir a contestação ao técnico Carlos Vicens nas bancadas pela falta de resultados, o Sp. Braga conseguiu encontrar o seu ponto de metamorfose à luz de uma nova identidade desenvolvida pelo antigo adjunto de Pep Guardiola, partindo a partir daí para a melhor série da temporada com cinco triunfos e um empate em Alvalade que nem a última derrota no Dragão frente ao FC Porto beliscou perante a personalidade mostrada pela equipa contra o atual líder da Primeira Liga, com o segundo registo da prova em passes certos, o quarto em ações e redução da posse dos azuis e brancos aos 33%. Agora seguia-se o regresso ao caminho que nunca sofreu qualquer desvio esta época, a Liga Europa, e a tentativa de defesa do registo 100% vitorioso na prova.

Para quem tem nome de piloto basta mesmo acelerar e cruzar a meta (a crónica do FC Porto-Sp. Braga)

“A equipa está a crescer, estamos neste processo de nos convertermos na equipa que queremos ser e os jogadores estão a acreditar nesta forma de fazer as coisas. Estamos cada vez melhores, a jogar com uma grande personalidade e os resultados na Liga Europa acabam por ser a consequência disso, de estarmos a ser ambiciosos e de entrarmos em todos os jogos para ganhar. Agora não será diferente. Pela frente vamos ter um rival que está só a três pontos do primeiro classificado na sua liga, está a seis jogos seguidos sem perder, foi empatar a Sevilha com o Betis e ganhou ao Rangers em Glasgow. É uma equipa que gosta de dominar os encontros, pelo que vamos ter que fazer muitas coisas bem se queremos sair com uma vitória”, apontara Carlos Vicens, espanhol que retirou “sinais positivos” apesar do último desaire sofrido no Dragão.

Foi preciso partir pedra para mostrar que no aproveitar é que está o ganho: Sp. Braga vence Estrela Vermelha e assume liderança

“Mais que o adversário, temos de nos focar em nós próprios. É isso que temos feito, principalmente neste último mês. Olhámos mais para nós e retificámos aquilo que tínhamos de retificar. Trazer um treinador novo com ideias e processos novos leva tempo. Tanto eu como os capitães, e alguns jogadores que temos com maior experiência, alertámos antes para isso. Porque estas ideias demoram tempo a assimilar e notou-se isso. Tivemos alguns jogos em que não conseguimos impor as ideias que estamos a conseguir impor agora. Esse processo leva o seu tempo e acho que agora ainda não está tudo perfeito mas está muito mais perto daquilo que nós queremos”, reforçara o capitão Ricardo Horta, que recebeu esta semana o prémio de Jogador do Mês para os adeptos depois de ter conseguido três golos e outras tantas assistências em seis partidas realizadas.

Além da confirmação desse bom momento, o Sp. Braga tentava também assegurar a invencibilidade na Liga Europa, estatuto que partilhava com o Midtjylland e o Lyon à entrada para esta quarta jornada – com essa particularidade de ser também a única formação além dos franceses comandados por Paulo Fonseca sem qualquer golo consentido. Em condições normais, e ainda com quatro jornadas por disputar, um triunfo com o Genk não só assegurava a presença no playoff de acesso aos oitavos como era um passo importante para consolidar o desejo não assumido de terminar esta fase no top 8 com qualificação direta para a fase seguinte antes dos jogos com Rangers (fora), Nice (fora), Nottingham Forest (casa) e Go Ahead Eagles (fora). No entanto, esta acabou por ser a noite em que o Sp. Braga caiu pelas suas próprias ideias, onde nem mesmo um super Zalazar foi suficiente para disfarçar uma catadupa de erros individuais proibidos na defesa.

À semelhança do que acontecera nos últimos encontros, o Sp. Braga não demorou a assumir o controlo da partida, percebendo todos os momentos do jogo numa primeira parte onde teve apenas um lance em que foi apanhado numa transição 3×2 que os belgas não conseguiram aproveitar. Apesar disso, os minhotos foram enfrentando dificuldades em furar a organização defensiva do Genk, tentando com algumas meias distâncias aquilo que não conseguiam em ataque organizado. O que desequilibrou? Uma segunda bola após corte mal feito de um defesa contrário, com Zalazar a ganhar no corredor central e a rematar rasteiro à entrada da área para o 1-0 (30′). Ainda houve mais uma aproximação com muito perigo dos arsenalistas, com Gabri Martínez a não conseguir colocar o passe para a finalização de El Ouazzani na área (45′), mas seria o Genk a terminar da melhor forma, com Heymans a desviar de cabeça ao primeiro poste um canto de Karetsas para fazer o empate perante os protestos do banco da casa, que pedia o intervalo… antes da bola parada (45+1′).

A primeira parte começou mal, o segundo tempo começou ainda pior: Gorby teve um mau passe na saída a partir de trás ainda no primeiro terço, o Genk conseguiu fazer a recuperação em zona alta com Sor a subir pela esquerda do ataque e a rematar um míssil na área que bateu ainda na trave mas que fez a reviravolta no arranque da etapa complementar (48′). Sem que nada o fizesse prever, o Sp. Braga estava atrás, abanou em termos emocionais e foi cometendo erros proibidos sempre com essa premissa de sair a jogar a partir de trás com bola no pé, com Heymans a ter mais uma arrancada após recuperação no meio-campo dos minhotos para assistir Oh Hyeon-Gyu para o 3-1 (59′). A noite de sonho estava a tornar-se um pesadelo.

Mais uma vez, passado o vendaval de 15 minutos que gelou a Pedreira e a aposta de Vicens em Grillitsch, Fran Navarro e Dorgeles em simultâneo, foi Zalazar que voltou a agarrar na equipa para “inventar” a jogada do 3-2, abrindo na esquerda em Ricardo Horta antes de ir à área concluir sozinho de cabeça (71′) já depois de uma grande defesa de Van Crombrugge a remate de Lagerbielke. O jogo reabria, o jogo voltava a “fechar”: na sequência de mais uma perda de Gorby ainda no seu meio-campo, o Genk voltou a sair numa transição com a estrutura defensiva minhota descompensada e Medina rematou colocado para o 4-2… no minuto seguinte. A insistência final do Sp. Braga ainda permitiu reduzir por Fran Navarro, num ressalto que acabou por trair o guardião belga (86′), mas Lagerbielke falhou o empate nos descontos e a derrota tornou-se inevitável.