Ninguém pode falar em crise, mas também já ninguém pode dizer que tudo está bem. Depois de um início de temporada impressionante, o FC Porto parece ter travado o ímpeto: passou com dificuldades contra o Moreirense, venceu o Sp. Braga sem merecer, perdeu com o Nottingham Forest em Inglaterra e não foi além de um empate com o Utrecht. Este domingo, portanto, era capital para inverter a tendência — principalmente tendo em conta que a próxima semana será de compromissos das seleções nacionais.

Em Famalicão, a equipa de Francesco Farioli defrontava um dos conjuntos mais complexos da Primeira Liga para lá dos principais rivais e poucos dias da tal igualdade nos Países Baixos que acabou por confirmar que a grande prioridade dos dragões prende-se com as competições internas. E o treinador italiano, num prolongamento de uma linha de pensamento que já tinha sublinhado nas últimas semanas, continua a achar que o que tem sido exigido da equipa não é justo.

Ficha de jogo

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Famalicão-FC Porto, 0-1

11.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal 22 de junho, em Famalicão

Árbitro: José Bessa (AF Porto)

Famalicão: Lazar Carevic, Léo Realpe, Rodrigo Pinheiro, Pedro Bondo (Rafa Soares, 68′), Ibrahima Ba, Tom van de Looi, Mathias de Amorim (Umar Abubakar, 80′), Gustavo Sá, Sorriso, Yassir Zabiri (Antoine Joujou, 68′), Gil Dias (Simon Elisor, 68′)

Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin, Gustavo Garcia, Marcos Peña, Renan Santana, Pedro Santos

Treinador: Hugo Oliveira

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa (Martim Fernandes, 82′), Bednarek (Pablo Rosario, 19′), Kiwior, Francisco Moura, Alan Varela, Victor Froholdt, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 58′), Pepê, William Gomes (Borja Sainz, 58′), Samu (Deniz Gül, 82′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Dominik Prpic, Stephen Eustáquio, Ángel Alarcón

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Victor Froholdt (36′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Gil Dias (22′), a Pablo Rosario (45+3′), a Tom van de Looi (47′), a Gustavo Sá (54′), a Alberto Costa (61′), a Rodrigo Pinheiro (66′), a Rafa Soares (90+3′)

“Por vezes, as expectativas são muitas pela maneira como começámos. Sentir que temos de ganhar sempre 2-0 ou 3-0… Não é assim. No Campeonato, na Europa, na Taça, os jogos são muito complicados. Há uns que desbloqueamos cedo, mas noutros temos de lutar e competir até ao fim. Já falei disto algumas vezes e acho que foi construída uma narrativa que não é saudável. Os nossos rivais, bem como os meios de comunicação, querem atirar o FC Porto para baixo. Mas o que nós queremos é ver a equipa unida, estamos nas decisões. Vamos enfrentar as dificuldades como uma família, a família portista. E quando estamos com essa mentalidade podemos defrontar qualquer adversário em qualquer circunstância. É o momento para estarmos unidos, em que precisamos dos nossos adeptos para continuarmos a lutar tal como fizemos desde o início da época”, defendeu.

Assim, este domingo e depois de ter feito muitas alterações na Liga Europa, Francesco Farioli voltava às escolhas mais habituais mas apostava em Rodrigo Mora e William Gomes, deixando Gabri Veiga e Borja Sainz no banco. Do outro lado, num Famalicão que vinha de três vitórias consecutivas e que não perdia há quase dois meses, Hugo Oliveira tinha Yassir Zabiri como referência ofensiva, apoiado por Gil Dias, Gustavo Sá e Sorriso.

O FC Porto começou claramente melhor e com uma intensidade muito acima da média, criando até uma enorme oportunidade para marcar logo nos instantes iniciais, com Samu a aparecer na grande área a rematar para uma boa defesa de Lazar Carevic (4′). Rodrigo Mora deu continuidade às situações de perigo com um pontapé em jeito que passou a centímetros da baliza do Famalicão (9′) e os dragões criavam perigo essencialmente pelo lado esquerdo, onde o jovem médio se entendia às mil maravilhas com Francisco Moura.

Já depois de o lateral, precisamente, também ficar perto de abrir o marcador com um remate cruzado que passou ao lado (17′), surgiu a primeira contrariedade para Francesco Farioli: Bednarek lesionou-se e teve de sair, sendo substituído por Pablo Rosario numa fase ainda muito embrionária da partida. O FC Porto sentiu a ausência do central polaco e, apesar de ter acumulado remates desenquadrados de fora de área ainda antes da meia-hora, era notório que tinha uma enorme dificuldade para desbloquear espaço no último terço contrário.

E a verdade é que, à passagem da meia-hora e na primeira vez em que se aproximou da baliza adversária, o Famalicão poderia ter marcado. Yassir Zabiri rematou em jeito já na grande área e a bola acertou em cheio no poste, ressaltando para as costas de Diogo Costa e acabando por sair pela linha de fundo (29′). A resposta do outro lado foi imediata, com Samu a cabecear para mais uma intervenção atenta de Lazar Carevic (33′), e o golo apareceu logo depois: Rodrigo Mora e Francisco Moura combinaram novamente na esquerda, o lateral cruzou rasteiro para a área e Victor Froholdt, completamente sozinho, rematou de primeira para marcar (36′). 

William Gomes ainda poderia ter aumentado até ao fim da primeira parte, com mais um remate ao lado (38′) e outro lance em que permitiu a antecipação do guarda-redes quando seguia quase isolado (45+1′), mas já nada mudou. Ao intervalo, o FC Porto estava a vencer de forma justa em Famalicão e ia demonstrando níveis de concentração e intensidade algo acima do que aconteceu nos jogos mais recentes.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o jogo afastou-se das balizas, com o Famalicão a tentar ter mais bola e maior protagonismo e o FC Porto a não conseguir responder à nova versão do adversário, preferindo resguardar-se e perdendo totalmente a superioridade demonstrada na segunda parte. Em reação, de forma clara, Francesco Farioli olhou para o banco e mexeu ainda antes da hora de jogo, lançando Borja Sainz e Gabri Veiga.

Os minutos iam passando e a verdade é que a segunda parte decorria sem qualquer oportunidade digna desse nome, entre um Famalicão que queria mais e um FC Porto que parecia resignado com o que tinha. Samu quis contrariar essa ideia a pouco mais de 20 minutos do fim, num lance em que picou a bola por cima do guarda-redes e viu Pedro Bondo evitar o golo praticamente em cima da linha (67′), e Hugo Oliveira fez as primeiras substituições logo depois para colocar Rafa Soares, Simon Elisor e Antoine Joujou de uma vez.

Os dragões foram recuperando algum domínio à medida que o jogo se encaminhou para o fim, até porque a equipa da casa também já não conseguia imprimir o mesmo controlo, e voltaram a encaixar-se por completo no meio-campo contrário e a criar situações de perigo com relativa frequência. Alberto Costa ficou muito perto de aumentar a vantagem com um remate que Lazar Carevic defendeu (78′), Hugo Oliveira ainda lançou Umar Abubakar e Francesco Farioli deu minutos a Martim Fernandes e Deniz Gül, mas já nada mudou.

O FC Porto venceu o Famalicão e manteve a liderança isolada do Campeonato com mais três pontos do que o Sporting, partindo para a semana de compromissos das seleções nacionais com um regresso aos triunfos depois da escorregadela nos Países Baixos. Se é verdade que a exibição foi curta e que o resultado foi magro, também é certo que Francesco Farioli continua a querer contar uma história onde Victor Froholdt é quase sempre o grande protagonista.