A seleção irlandesa vai, mesmo, defrontar Israel este domingo na Liga das Nações, apesar da pressão que existiu para que a equipa boicotasse os dois jogos. A decisão foi confirmada este sábado pela Federação Irlandesa de Futebol (FAI), depois de uma reunião marcada por sucessivos atrasos e debate intenso dentro da própria seleção.
Citado pela Associated Press, David Courell, diretor executivo da FAI, revelou que uma “maioria significativa” dos jogadores votou a favor da participação. A questão voltou a ser discutida depois de um jogador ter manifestado a intenção de não disputar os encontros. O guarda-redes Gavin Bazunu terá dito aos companheiros que não pretendia jogar e não deverá continuar com a equipa.
O primeiro jogo realiza-se este domingo em Debrecen, na Hungria, onde Israel será a equipa da casa. O segundo está marcado para 4 de outubro, mas será disputado em Backa Topola, na Sérvia, apesar de a Irlanda ser a equipa anfitriã.
Os jogadores irlandeses entrarão em campo com braçadeiras negras “em reconhecimento de todas as vidas perdidas no conflito”, segundo Courell.
A participação da Irlanda tem sido contestada no país, onde os apelos ao boicote ganharam força nas últimas semanas. Mais de 160 desportistas assinaram uma carta aberta a pedir à FAI que não realizasse os encontros. Houve, também, manifestações junto ao hotel da seleção em Dublin e uma campanha pública do sindicato SIPTU, que apelou aos jogadores para “seguirem a sua consciência”.
A FAI manteve a posição de disputar os jogos, argumentando que um boicote poderia levar a sanções da UEFA. A Irlanda integra o grupo de países que vai organizar o Campeonato da Europa de 2028, juntamente com Inglaterra, Escócia e País de Gales.
O selecionador Heimir Hallgrimsson também se pronunciou sobre a polémica, afirmando: “Não estamos a jogar com o genocídio, estamos a jogar contra o genocídio. Estamos a jogar contra Israel, não estamos a jogar com Israel.” A Federação Israelita de Futebol, em resposta, acusou o treinador de “estupidez, ignorância e hipocrisia”.
A decisão da FAI foi igualmente criticada pelo antigo selecionador irlandês Brian Kerr. “O povo irlandês e o público que acompanha futebol não querem que os jogos sejam disputados”, afirmou, acusando a federação de ter abandonado uma posição que anteriormente defendera junto da UEFA. Kerr lembrou que, em novembro, a FAI tinha pedido que Israel fosse afastado da competição por uma questão de princípio.