Um diamante azul muito raro, que já foi a pedra colorida mais cara por quilate do mundo, foi vendido esta terça-feira, 11 novembro, num leilão na Suíça, por 20.5 milhões de francos suíços, o equivalente a 22.1 milhões de euros. O valor ficou dentro da expetativa apontada pela casa de leilões Christie’s, que definiu antecipadamente o preço da pedra entre 20 e 30 milhões de euros. Contudo, não chega aos 30 milhões que haviam sido noticiados nos dias que antecederam o leilão — e deixou alguns especialistas desiludidos.
Em 2014, quando o Mellon Blue foi a leilão pela última vez, dois compradores passaram 20 minutos numa verdadeira “batalha de lances” até que a venda por 32,6 milhões de dólares, ou o equivalente na altura a 26 milhões de euros, fosse concluída. O raro diamante azul vívido de 9,75 quilates determinou um novo recorde de preço na altura e naquele leilão só custou menos do que o quadro Untitled (Yellow, Orange, Yellow, Light Orange), do pintor norte-americano Mark Rothko, que se vendeu por 36,5 milhões de dólares.
O facto do diamante ter sido vendido agora por um valor inferior de há 11 anos poderá estar relacionado com o momento geopolítico, aponta Tobias Kormind, diretor da joalharia 77 Diamonds, em entrevista à ABC News. “Não foi o momento deslumbrante que eu esperava”, afirmou o especialista, que diz que a pedra foi “anunciada como a grande atração da temporada”. “Tensões geopolíticas — desde a guerra na Ucrânia às tarifas de Trump — e uma economia chinesa enfraquecida que manteve muitos compradores usuais ausentes, deixou a sala com um clima notável de cautela”. A título de comparação, o diamante azul mais caro de sempre, o Oppenheimer Blue, foi vendido em 2016 pelo equivalente a 51,3 milhões de euros.
▲ Rachel Mellon, conhecida por Bunny, era amiga de Jackie Kennedy e circulava por meios sociais que incluíam Barbara Bush, ou o jornalista Truman Capote
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O Blue Mellon ganhou o nome em homenagem à sua cor mas também à sua proprietária mais célebre, Rachel Lambert Mellon. Quando morreu aos 103 anos a colecionadora de arte, filantropa e horticultora responsável por redesenhar o Rose Garden da Casa Branca (que Trump mandou pavimentar) a pedido de Jackie Kennedy, a sua coleção com mais de 1500 itens foi a leilão em Nova Iorque. A intenção era usar o que fosse arrecadado para financiar uma fundação destinada a desenvolver atividades que aliam jardins ao bem-estar. Entre as 350 peças de joias Tiffany, do designer francês Jean Schlumberger ou do italiano Fulco di Verdura, estava o diamante, “uma das pedras coloridas mais finas a aparecer no mercado”, diz Max Fawcett, diretor de joalharia na Christie’s de Genebra, responsável pela venda.
O azul do diamante foi classificado como “fancy vivid”, o que significa que tem uma cor intensa e distinta, fora da escala tradicional,presente em menos de 1% de todos os diamantes azuis. Já o grau de clareza é “internally flawless”, o que significa que a pedra não tem defeitos internos, uma classificação também muito rara. Depois do leilão de 2014 o diamante passou por um retoque para ter a sua claridade melhorada, o que alterou a pedra para 9,51 quilates. Além disso, o diamante foi de um pendente para um anel pavé em formato de serpente. As palavras “fancy vivid blue” estão gravadas no interior da peça.