Em média, os estudantes do 2.º ano conseguem ler 75 palavras corretamente num minuto, inserindo-se no intervalo de referência internacional (estabelecido entre 70 e 130). Contudo, um quarto dos mais de 90 mil alunos avaliados em junho deste ano lê menos que 51 PLCM (Palavras Lidas Corretamente num Minuto), o que significa que estão em “risco elevado de dificuldades futuras de compreensão leitora”. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação vai apresentar um conjunto medidas para reforçar as competências básicas de leitura nos primeiros anos escolares.
Há mais de um ano, em setembro de 2024, o Governo anunciou um plano para a educação (denominado Aprender Mais Agora) onde se incluía um diagnóstico da Fluência Leitora. As conclusões deste diagnóstico são agora conhecidas e constam no Relatório Nacional do Diagnóstico da Fluência Leitora, divulgado esta quinta-feira pelo recém-criado Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA).
Entre os dias 9 e 20 de junho de 2025, em várias escolas públicas e privadas foi aplicado este teste diagnóstico (que serve apenas para avaliar as capacidades dos alunos e que não conta para nota). No total, foram avaliados 97.586 alunos. No relatório é explicado que, para realizar esta monitorização, foram “construídos dois textos equivalentes, com uma dimensão de 150 palavras cada, para serem lidos em voz alta por cada aluno, individualmente”. E foi também elaborada uma versão em braille. Os professores receberam ainda um “guião de aplicação”, onde lhes era explicado o passo a passo para realizar esta avaliação.
Segundo o EduQA, a capacidade média de leitura dos alunos (75) insere-se no intervalo de referência internacional para os alunos do 2.º ano (entre 70 e 130 Palavras Lidas Corretamente num Minuto), sendo que, se nos focarmos apenas nos alunos que não necessitam de apoio à aprendizagem, este valor médio sobe para 79.
Em que se baseia o indicador PLCM (Palavras Lidas Corretamente num Minuto)
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De acordo com o relatório divulgado pelo EduQA, a avaliação realizada em junho teve dois parâmetros em foco: a precisão e a velocidade.
O primeiro diz respeito ao “número de erros cometidos durante a leitura, contabilizando-se o número de palavras omitidas, substituídas ou adicionadas, incluindo também os erros de acentuação”.
Já a velocidade “pretende avaliar a rapidez com que o aluno consegue ler um texto, medindo-se neste parâmetro o número de palavras lidas num minuto”. O resultado da recolha deste dois domínios, escreve o EduQA, foi a criação do indicador PLCM — Palavras Lidas Corretamente num Minuto.
O relatório revela ainda que os alunos do sexo masculino apresentaram valores médios de leitura mais elevados que alunas do sexo feminino, apesar de se tratar de uma diferença de “pequena dimensão”. E, sem surpresa, os alunos de nacionalidade portuguesa também registaram um desempenho médio acima dos alunos estrangeiros (numa diferença de 11 palavras lidas corretamente por minuto).
Ainda no que toca a diferenças de desempenho, no relatório lê-se também que os estudantes das escolas privadas superam o desempenho dos alunos das escolas pública. Nas instituições de ensino privadas, os alunos leem, em média, 87 palavras corretamente num minuto; valor que desce para 73 quando falamos em estudantes do ensino estatal.
Mas o principal resultado deste relatório é que “25% do total de alunos que realizaram o diagnóstico” leem menos de 51 palavras corretamente num minuto, pelo que estes alunos estão em “risco elevado de dificuldades futuras de compreensão leitora”. Em reação a este diagnóstico, o Ministério da Educação diz ao Observador que “a identificação precoce destas lacunas nas aprendizagens permite uma intervenção específica, de modo a diminuir a probabilidade de insucesso escolar”.
No relatório, este instituto tutelado pelo Ministério da Educação escreve que este diagnóstico “revelou-se uma ferramenta útil no fornecimento de informação complementar para a identificação precoce de alunos em risco, contribuindo para informar a implementação de intervenções específicas para os alunos com baixos níveis de fluência leitora”.
Governo apresenta medidas em dezembro
Neste sentido — e para fazer face aos 25% dos alunos com um resultado inferior ao esperado — o Ministério liderado por Fernando Alexandre esclarece, em resposta ao Observador, que “está a preparar um conjunto de medidas orientadas para o reforço das competências básicas de leitura nos primeiros anos de escolaridade, que serão anunciadas num evento a realizar no dia 3 de dezembro“.
E acrescenta que é “particularmente relevante investir no desenvolvimento da capacidade leitora dos alunos, em particular no 1.º ciclo do Ensino Básico” porque irá afetar o desempenho futuro dos estudantes. O Ministério lembra ainda as conclusões elencadas noutro relatório do EduQA (divulgado esta terça-feira) exclusivamente sobre as provas ModA (Provas de Monitorização da Aprendizagem).
Neste documento lê-se, por exemplo, que os alunos teriam resultados mais elevados nas dimensões “Raciocinar e Comunicar” e “Resolver Problemas” se fossem melhores na “Compreensão de Textos”. Em História e Geografia de Portugal, por exemplo, um maior domínio da compreensão textual irá influenciar a dimensão “Analisar Fontes e Suportes”, aponta também este relatório.