260 dias separaram a Tailândia de Espanha. Foi há pouco mais de oito meses e meio que, na longínqua cidade de Buriram, começou a temporada do MotoGP. Volvidas 21 rondas do Campeonato mundial de motociclismo, os pilotos chegaram a Valência, numa jornada final que não tinha nada para atribuir, já que Marc Márquez e a sua Ducati resolveram cedo as contas dos títulos. Ainda assim, o Grande Prémio da Comunidade Valenciana contou com os regressos do ex-campeão do mundo Jorge Martín (Aprilia), de Maverick Viñales (Tech3) e de Raúl Fernández (Trackhouse). Para além disso, este fim de semana marca a despedida de Miguel Oliveira da categoria rainha, depois de o piloto da Pramac se ter despedido do Algarve.

Houve hino, bandeira, mulher, filhos e pontos: Miguel Oliveira despede-se do GP de Portugal em 14.º

A roda acima de um segundo e abaixo do 20.º lugar nas duas primeiras sessões de treinos livres, a última ronda do MotoGP não começou bem para o falcão português que, já este sábado, falhou a presença na Q2 e terminou a Q1 no oitavo lugar, a seis décimos de Fernández. Assim, Oliveira garantiu o 18.º lugar na grelha de partida, tendo como melhor registo pessoal um tempo de 1.29,657 minutos, partindo para a Sprint com a difícil missão de chegar aos pontos. Em sentido inverso, Marco Bezzecchi (Aprilia) garantiu a sua segunda pole position consecutiva, depois de ter vencido o Grande Prémio de Portugal. O italiano bateu Álex Márquez (Gresini) por 26 milésimos de segundo.

“As dificuldades foram as mesma de Portimão: sem aderência na entrada de curva e, assim que acelero um bocado, perco a aderência toda. Assim fica difícil despedir-me com um resultado melhor. A dianteira parece estar muito bem, mas atrás não está a funcionar. Espero que de hoje [sexta-feira] para a amanhã [sábado] haja um melhoria na moto, mas sinceramente não sei o que podemos fazer para melhorar. Espero que esta tarde a equipa arranje alguma coisa para me ajudar”, explicou Miguel Oliveira após as sessões de sexta-feira.

Com o céu a escurecer e a chuva a aproximar-se do circuito Ricardo Tormo, Miguel Oliveira optou por uma composição conservadora, começando com pneu duro à frente e macio atrás, mas o arranque da Sprint acabou por não ser positivo, perdendo cinco posições. Em sentido inverso, Álex Márquez e Pedro Acosta (KTM) começaram com tudo e assumiram as duas primeiras posições, com Marco Bezzecchi a cair para o sexto lugar. Na segunda volta, Joan Mir (Honda) perdeu a frente da sua moto na curva 1 e levou consigo ao chão o companheiro de equipa Luca Marini, numa fase em que Oliveira já tinha regressado ao 18.º lugar. À sexta volta, Márquez liderava tranquilamente, com mais de um segundo de vantagem para Acosta, que por sua vez tinha mais de um segundo face a Raúl Fernández.

Na penúltima volta, Fabio Di Giannantonio (VR46) atacou Fernández e acabou por levar a melhor na luta pelo terceiro lugar, com o espanhol a mostrar menor fulgor na resposta. Consumada a vitória de Álex Márquez, que repetiu o feito de Portimão, o segundo lugar de Pedro Acosta e o terceiro lugar de Di Giannantonio, Miguel Oliveira cortou a meta na 17.ª posição. Marco Bezzecchi foi quinto classificado e carimbou o terceiro lugar no Mundial de pilotos, onde Acosta subiu ao quarto lugar, com seis pontos de vantagem para Pecco Bagnaia (Ducati), que ficou fora dos pontos (13.º).