Quase 43 anos depois, o destino voltou a colocar frente a frente Atlético Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica. Os dois históricos clubes do futebol português não se encontravam desde 11 de dezembro de 1982, altura em que mediram forças nos 32 avos de final da Taça de Portugal, com as águias, então comandadas por Sven-Göran Eriksson, a golearem no mítico Estádio da Tapadinha (6-0). Contudo, o reencontro entre os rivais lisboetas, que protagonizaram diversos confrontos ao longo das décadas de 40, 50, 60 e 70 do século passado, teve um grande senão: a Tapadinha encontra-se sem condições, segundo a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para receber jogos deste calibre. Nesse sentido, a solução encontrada por um futebol que foi perdendo o romantismo ao longo dos anos passou pela realização do jogo desta quarta eliminatória no… Estádio do Restelo, a casa do Belenenses, o outro protagonista de uma rivalidade bairrista que atravessa séculos. Ganharam quase todos, esvaiu-se a história.
AFL ainda se lembram quando juntaram o Atlético CP e o @SLBenfica para representarem as cores da Seleção de Lisboa?
Germano Figueiredo acompanhado de Artur Santos, jogador do Benfica e que curiosamente viria a ser treinador do Atlético.
Que venha a festa da Taça em Lisboa! ????????️ pic.twitter.com/FnWIXekwju
— Atlético CP (@AtleticoCP1942) November 20, 2025
Voltando a 2025, o regresso do Benfica à competição deu-se na prova rainha, onde as águias tinham entrado com o pé direito, em casa do Desp. Chaves (2-0). Ainda assim, a equipa de José Mourinho deslocou-se a Belém a viver uma fase menos positiva, com resultados negativos frente a Bayer Leverkusen (casa, 0-1) e Casa Pia (casa, 2-2). No entanto, este regresso esteve longe de ser positivo para o Special One, que perdeu Dodi Lukebakio, que só vai voltar no próximo ano, durante a paragem para as seleções. Para além do belga, Giorgi Sudakov e Vangelis Pavlidis também se lesionaram nos últimos dias, mas acabaram por recuperar a tempo da visita ao Atlético, que aconteceu no dia em que o grego comemorou o 27.º aniversário. Por outro lado, Leandro Barreiro foi descartado do onze pelo treinador por ter sido totalista nas duas partidas realizadas pelo Luxemburgo.
“O Atlético, para a gente da minha idade que começou a ir campos de futebol ainda antes de caminhar, tem significado. Basta ver os anos do Atlético na Primeira Liga e a minha idade. O Atlético para as pessoas da minha geração é o Atlético daquele tempo, não é este. Preferia que o jogo fosse na Tapadinha, claro. Acho que será uma noite bonita de futebol. Não espero facilidades, mas espero ganhar. Lukebakio? Joga outro, é tão simples quanto isto. O único mercado que está aberto amanhã [sexta-feira] é o do Livramento em Setúbal. Se estou contente? Não estou contente. Não pode jogar, mas já não podia jogar com o Atlético pela situação disciplinar e agora não pode jogar durante três meses, segundo a equipa médica. Estou preocupado porque é um jogador meu que vai passar por uma cirurgia, mas vai jogar outro. Vai entrar outro com vontade de jogar e agarrar a oportunidade”, explicou Mourinho na conferência de imprensa de antevisão ao jogo.
Ficha de jogo
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Atlético-Benfica, 0-2
4.ª eliminatória da Taça de Portugal 2025/26
Estádio do Restelo, em Lisboa
Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)
Atlético: Rodrigo Dias; Paulinho, Bruno Almeida (Duarte Henriques, 78’), Fran González, Vicente Durand; Ricardo Dias (Rúben Marques, 82’), Catarino Pascoal (Francis Okoli, 78’), Caleb (Nico Souza, 78’); Joãozinho (David Herrera, 62’), Délcio Fernandes e Caio Santana
Suplentes não utilizados: Fábio Ferreira; César Sousa, Rodrigo Pereira e David Dinamite
Treinador: Pedro D’Oliveira
Benfica: Samu Soares; Tomás Araújo (Samuel Dahl, 46’), Nico Otamendi, António Silva; Amar Dedic, Enzo Barrenechea (Richard Ríos, 46’), Fredrik Aursnes, Rodrigo Rêgo; João Rego (Leandro Barreiro, 46’), Vangelis Pavlidis (Henrique Araújo, 78’) e Franjo Ivanovic (Andreas Schjelderup, 46’)
Suplentes não utilizados: Anatoliy Trubin; Giorgi Sudakov, Gianluca Prestianni e Joshua Wynder
Treinador: José Mourinho
Golos: Ríos (73’) e Pavldis (g.p., 77’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Otamendi (37’), Simão Sabrosa (diretor de futebol, 37’), Ivanovic (40’), Bruno Almeida (44’), Délcio (52’), Caio (67’), Paulinho (67’), Dedic (87’) e Duarte Henriques (90+3’)
A equipa de Alcântara chegou a este jogo depois de ter empatado com o Amora na Liga 3 (fora, 1-1), campeonato em que ocupa o sétimo lugar da Série B, com três vitórias, dois empates e cinco derrotas. Na Taça de Portugal, o Atlético causou furor na eliminatória anterior, onde eliminou o Felgueiras, da Segunda Liga (casa, 2-0). Os carroceiros têm a particularidade de serem treinados por Pedro D’Oliveira, jovem treinador de 29 anos que chegou ao futebol em 2019, nos distritais de Lisboa, tendo passado por todas as divisões, com dois segundos lugares (na terceira e na primeira) e um título (na segunda). Mostrou qualidade no Sintrense, chegando ao Atlético esta época. “Há pequenas coisas e especificidades que identificamos nas equipas de José Mourinho e temos de estar preparados. Desde o início do ano temos 12 jogos. Desde que José Mourinho entrou já tem 12 jogos. O ritmo competitivo é completamente diferente. Não faz sentido falar muito de debilidades ou oportunidades. Olhamos para o jogo da mesma maneira, mas o tempo e espaço é muito menor”, explicou o treinador.
???????? Eusébio estreou-se de águia ao peito e fez um hat-trick num particular frente ao Atlético CP!
⚽ 4-2
????️ 23/05/1961 pic.twitter.com/ml0rG4zTlo— SL Benfica (@SLBenfica) November 21, 2025
Para este desafio, José Mourinho fez cinco alterações no seu onze e apostou em três centrais no setor defensivo, lançando a sua equipa num 3x5x2 pouco visto na presente temporada, com Tomás Araújo a jogar pela direita, permitindo a subida de Amar Dedic. Ainda assim, a grande novidade acabou por ser a estreia absoluta de Rodrigo Rêgo, que fez todo o corredor esquerdo e atuou no apoio a Franjo Ivanovic e Vangelis Pavlidis. Por outro lado, João Rego também foi titular e juntou-se a Enzo Barrenechea e Fredrik Aursnes no meio-campo, atuando mais pela esquerda. As outras novidades foram Samuel Soares e Nico Otamendi, com mais naturalidade. Em sentido inverso, o Atlético até começou instalado num 4x3x3, com Joãozinho, Délcio Fernandes e Caio Santana instalados no ataque, mas o baixar de posição de Joãozinho, para acompanhar o estreante Rêgo, acabou por traduzir-se numa linha defensiva de cinco elementos.
Os alcantarenses entraram muito vivos na partida, empregando intensidade ao seu jogo com e sem bola, dispondo inclusivamente da primeira oportunidade, que culminou num remate forte de Joãozinho, à entrada da área, que saiu perto do poste esquerdo da baliza de Samu (2′). Pouco depois, num lance de bola parada, João Rego desviou para trás e, no centro da área, Rodrigo Dias cabeceou à figura de Samu (11′). Com o passar do tempo, o Benfica começou a mostrar-se mais ofensivo, até por contra do decréscimo dos índices físicos do Atlético e criou perigo na sequência de um canto de Aursnes, com Ivanovic a receber ao primeiro poste e a atirar ao lado com tudo para fazer muito melhor (23′). Seguiu-se uma deambulação de Rodrigo Rêgo da esquerda para o meio, a furar a defesa, que terminou com Dedic a rematar cruzado para defesa de Rodrigo Dias (29′). No canto, Enzo desviou ao primeiro poste e, em cima da baliza, António Silva desviou por cima… com a barriga (30′). Na resposta, Délcio finalizou ao segundo poste com um pontapé de bicicleta, que obrigou Samu a uma grande intervenção (39′). Assim, o nulo continuou a imperar ao intervalo (0-0).
⚽️ INTERVALO ????
???? Atlético 0 – 0 Benfica ????◉ Ainda não há golos no Restelo e, apesar da diferença de escalão das equipas, o Atlético vai surpreendendo pois mesmo tendo muito menos posse vai a espaços mostrando maior esclarecimento sobre o que fazer com ela, ao ponto dos… pic.twitter.com/2udTEPeICS
— GoalPoint (@_Goalpoint) November 21, 2025
Para a segunda parte, Mourinho operou de imediato quatro alterações, voltando a colocar a equipa na formação tradicional, mais próxima de um 4x4x2. Assim, Samuel Dahl, Richard Ríos, Leandro Barreiro e Andreas Schjelderup entraram para os lugares de Araújo, Barrenechea, João Rego e Ivanovic, e foram a cara de um Benfica com mais atitude e instalado no ataque desde o recomeço. A primeira ocasião de perigo, ainda que tímida, saiu dos pés do médio colombiano que, de longe, tentou alvejar a baliza de Rodrigo Dias, mas o seu remate saiu por cima, depois de desviar num opositor (57′). Já com David Herrera no lugar de Joãozinho, os encarnados continuaram sem criar perigo, mas conseguiram desfazer o nulo… de bola parada. Fredrik Aursnes assumiu a cobrança de um canto na direita e cruzou longo para o segundo poste, onde Ríos apareceu a completar de cabeça para o fundo das redes (73′).
Logo a seguir ao golo inaugural, Paulinho chegou tarde a uma arrancada de Barreiro dentro da área e derrubou o luxemburguês, com Fábio Veríssimo a assinalar de imediato o castigo máximo. Na cobrança da grande penalidade, Vangelis Pavlidis atirou rasteiro para direita, Ricardo Dias ainda adivinhou o lado, mas a bola passou por baixo do seu corpo (77′). Com o resultado praticamente sentenciado, Pedro D’Oliveira lançou Duarte Henriques, Francis Okoli, Nico Souza e Rúben Marques, com José Mourinho a conceder minutos a Henrique Araújo. Na reta final da partida, Schjelderup arrancou da esquerda para o meio e, já dentro da área, atirou à figura do guarda-redes, que defendeu para canto (90′). Logo a seguir, na sequência de um cruzamento de Aursnes, António Silva foi empurrado por Duarte Henriques e, chamado a converter, Nico Otamendi não conseguiu bater Dias, que adivinhou o lado e travou o remate (90+3′).