Não era decisivo, mas podia ser muito importante. Com sete pontos na Liga dos Campeões, entre duas vitórias, um empate e uma derrota, o Sporting sabia que chegar aos 10 esta quarta-feira podia ser crucial para o apuramento para a fase seguinte — até porque, daqui para a frente, o calendário obriga a uma visita ao Bayern Munique e uma receção ao PSG. Vencer o Club Brugge, portanto, tornava-se estratégico.

Menos de uma semana depois do triunfo contra o Marinhense na Taça de Portugal, no encontro que marcou o regresso dos leões à competição depois da pausa para os compromissos das seleções nacionais, Rui Borges voltava à Liga dos Campeões antes de também voltar ao Campeonato. E nem o facto de parecer estar novamente a ser amaldiçoado pelo fantasma das lesões, com os problemas de Debast, Pedro Gonçalves e Ioannidis, toldava o otimismo do treinador.

Ficha de jogo

↓ Mostrar ↑ Esconder

Sporting-Club Brugge, 3-0

Fase de liga da Liga dos Campeões

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Tobias Stieler (Alemanha)

Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Matheus Reis, 86′), Hjulmand, João Simões (Morita, 63′), Geovany Quenda (Alisson, 76′), Trincão, Geny Catamo (Salvador Blopa, 76′), Luis Suárez (Rodrigo Ribeiro, 86′)

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Vagiannidis, Kochorashvili, Bruno Ramos, Flávio Gonçalves, Eduardo Quaresma, Ricardo Mangas

Treinador: Rui Borges

Club Brugge: Nordin Jackers, Hugo Siquet (Zaid Romero, 81′), Joel Ordóñez, Brandon Mechele, Joaquin Seys (Jorne Spileers, 81′), Carlos Forbs (Hugo Vetlesen, 74′), Aleksandar Stankovic (Mamadou Diakhon, 74′), Hans Vanaken, Raphael Onyedika, Christos Tzolis, Romeo Vermant (Nicolo Tresoldi, 61′)

Suplentes não utilizados: Dani Van den Heuvel, Simon Mignolet, Cisse Sandra, Gustaf Nilsson, Vince Osuji, Samuel van Hoogen, Shandre Campbell

Treinador: Nicky Hayen

Golos: Geovany Quenda (24′), Luis Suárez (31′), Trincão (70′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Hjulmand (11′), a Raphael Onyedika (20′), a Christos Tzolis (68′), a Joaquin Seys (75′)

“Não há um jogo-chave, não acredito nisso. Faltam quatro jornadas e todas serão importantes. No fim veremos aquilo de que fomos capazes. É um jogo importante, porque é em nossa casa, perante os nossos adeptos, mas o Club Brugge é uma grande equipa. Na época passada, por exemplo, o Sporting não foi capaz de ganhar. É uma equipa à imagem do Sporting, sempre à procura de jovens jogadores para valorizar e com muito valor individual e coletivo. Tem jogadores muito bons em termos ofensivos e podem criar estragos a qualquer momento numa jogada individual. Tem grande capacidade física e atlética, muita dinâmica no processo ofensivo e um ataque rápido, com muitas transições”, explicou o técnico leonino na antevisão da partida, recordando a derrota da temporada passada na Bélgica também na fase de liga da Liga dos Campeões.

Assim, em Alvalade, Rui Borges lançava Geovany Quenda na esquerda do ataque, no lugar de Pedro Gonçalves, apostando em Geny Catamo do outro lado. João Simões regressava ao onze, Iván Fresneda era o dono do corredor direito e Salvador Blopa era a surpresa da convocatória ao surgir no banco de suplentes. Do outro lado, num Club Brugge que aparecia em Lisboa com quatro pontos, mas vindo de um empate com o Barcelona, o internacional português Carlos Forbs era titular na equipa de Nicky Hayen.

O Sporting começou melhor e o primeiro remate do jogo pertenceu a Geovany Quenda, que atirou de fora de área e ao lado (3′). Do outro lado, Carlos Forbs protagonizou a primeira aproximação do Club Brugge à baliza contrária, com um pontapé desviado que saiu fácil para Rui Silva (7′), e o Estádio José Alvalade gelou logo em seguida. Hjulmand viu o cartão vermelho direto, aparentemente por conduta negligente por ter dividido uma bola com Stankovic com o pé levantado, e por segundos parecia deixar os leões em inferioridade numérica. O árbitro, porém, foi chamado ao VAR e reverteu a decisão, mostrando apenas o cartão amarelo.

A equipa de Rui Borges passou por algumas dificuldades à passagem do primeiro quarto de hora, com os belgas a terem mais bola no último terço e a dificultarem a saída a jogar com uma pressão muito elevada. O conjunto de Nicky Hayen marcava homem a homem, com cada elemento a ser a sombra de um outro elemento do Sporting, e o espaço era curto no meio-campo leonino. A partir dos 20 minutos, porém, os leões perceberam que só precisavam de ultrapassar essa primeira fase de pressão para encontrar uma cratera no meio-campo contrário.

Depois de Geny Catamo rematar ao lado (21′) e Luis Suárez obrigar Nordin Jackers a uma boa defesa (23′), os golos apareceram. Geny Catamo acelerou na direita, deixou um adversário para trás e rematou para defesa do guarda-redes, com Geovany Quenda a aproveitar a recarga para atirar à meia-volta e abrir o marcador (24′). Pouco depois, na sequência de uma boa recuperação de bola e de uma assistência ainda melhor de Catamo, Suárez surgiu na cara de Jackers e picou da melhor maneira para aumentar a vantagem (31′).

Os leões geriram a vantagem no quarto de hora que restava na primeira parte, com Maxi Araújo a ter ainda um remate ao lado (35′) e Trincão a falhar o alvo por pouco (39′), e os belgas nem sequer conseguiram reagir propriamente aos dois golos sofridos. Ao intervalo, o Sporting estava a vencer o Club Brugge de forma clara e tinha os três pontos na mão para encaminhar a passagem à próxima fase da Liga dos Campeões.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e Luis Suárez poderia ter bisado logo nos instantes iniciais da segunda parte, ao acertar no poste depois de ficar completamente isolado e fintar o guarda-redes (48′). O Sporting apresentava-se mais na expectativa, oferecendo a bola ao Club Brugge enquanto defendia com uma linha de cinco para depois explorar a transição rápida nas costas do adversário, e os belgas mantinham a dificuldade para chegar com perigo à baliza de Rui Silva.

O relógio ia avançando, o jogo ia adormecendo e os leões perdiam também a capacidade de ter a bola, controlando a posse dos belgas com os olhos sem depois conseguirem encontrar Luis Suárez na frente. Nicky Hayen foi o primeiro a mexer, trocando Romeo Vermant por Nicolo Tresoldi na frente de ataque, e Rui Borges respondeu ao reforçar o meio-campo com a entrada de Morita para o lugar de João Simões. Logo a seguir, porém, o Club Brugge teve a melhor oportunidade até então, com Tresoldi a atirar ao lado na cara de Rui Silva já dentro da grande área (64′).

À entrada para os últimos 20 minutos, contudo, apareceu o xeque-mate. Morita abriu em Quenda na esquerda, o jovem avançado colocou a bola rasteira na área e Trincão, mesmo com Maxi Araújo a atrapalhar, atirou de pé esquerdo e de primeira para aumentar a vantagem (70′). Rui Borges voltou a mexer já dentro do derradeiro quarto de hora, lançando Alisson e proporcionando também a estreia europeia de Salvador Blopa, e ainda teve tempo para colocar Matheus Reis e Rodrigo Ribeiro, mas já nada mudou — com o mesmo Blopa a ter ainda uma enorme oportunidade para marcar bem dentro do período de descontos (90+4′).

O Sporting venceu o Club Brugge em Alvalade, somou o terceiro triunfo na Liga dos Campeões e chegou aos dez pontos em cinco jornadas na fase de liga, encaminhando muito o apuramento para os oitavos de final — seja direto ou via playoff. Num dia em que não havia Pedro Gonçalves, Geovany Quenda e Geny Catamo deram conta do recado e foram os agitadores de serviço, deixando bem claro que Rui Borges pode contar com os jovens avançados em qualquer situação.