A nomeação da nova administração do Metropolitano de Lisboa era um tema urgente para o Governo no final de junho quando a empresa de transportes perdeu mais um administrador, ficando, então, reduzida a dois membros. Mas cinco meses depois, ainda não foi nomeada a nova administração. E, de acordo com informação recolhida pelo Observador, o processo deverá deslizar para janeiro de 2026.

Quando questionado, no final de junho, sobre o risco de a empresa ficar sem quorum para tomar algumas decisões, na sequência da renúncia de João Paulo Saraiva, fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e Habitação afirmou ao Observador que o “Governo, recentemente empossado [o segundo Executivo de Luís Montenegro entrou em funções a 5 de junho], está a desenvolver todos os requisitos legais no sentido de nomear novo conselho de administração do Metropolitano de Lisboa com a máxima urgência”.

Administração do Metropolitano de Lisboa vai ficar sem quorum. Processo de nomeação “com máxima urgência” está em curso

Logo em agosto foi conhecida a escolha do Governo para nova presidente do Metro. O nome da ex-secretária de Estado da Gestão Saúde, Cristina Vaz Tomé, não foi anunciado mas foi noticiado por vários órgãos e confirmado junto pelo Observador junto de fonte governamental.

Mas a nomeação dos novos órgãos sociais para um novo mandato (o atual terminou em 2024) ainda não aconteceu. Isto não obstante ter sido publicado já na semana passada o diploma que altera os estatutos da empresa, criando um cargo novo, o de vice-presidente, mas mantendo o número de máximo de cinco administradores. A alteração é justificada nestes termos: “Tendo em consideração a especial exigência, complexidade e relevância estratégica da atividade desta empresa pública para o país, impõe-se proceder à alteração da composição do conselho de administração da ML, EPE, através da introdução da figura do vice-presidente do conselho de administração, mantendo-se, todavia, o mesmo número de elementos que compõem o referido conselho de administração”.

A alteração visa ainda “reforçar a capacidade de gestão e governação da empresa, num contexto de forte crescimento e expansão da rede metroviária, que contribuem para a mobilidade sustentável e a redução das emissões de gases com efeito de estufa na Área Metropolitana de Lisboa”.

Não obstante, a administração do Metro de Lisboa continua reduzida a duas gestores nomeadas em 2022 e 2023, respetivamente Helena Carrasco Campos e Sónia Martins Páscoa (pelo anterior Governo socialista).

Há um mês, a secretária de Estado dos Transportes comentava à agência Lusa que a publicação dos novos estatutos era uma das “decisões necessárias” que já tinham começado a acontecer. Cristina Pinto Dias argumentou que a criação da figura de vice-presidente é “fruto da complexidade que esta segunda-feira ficou também patente face aos milhões e milhões de euros que estão neste momento em marcha”.

Administração do Metro de Lisboa regularizada até “primeira quinzena de dezembro”

A secretária de Estado estava a referir-se à expansão da linha vermelha do Metro, um dos projetos que saiu do financiamento por fundos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) devido a atrasos na execução e que agora vai ter que ser financiado com outros recursos.

Nestas declarações Cristina Pinto Dias admitia que a situação da administração do Metro de Lisboa estaria regularizada na primeira quinzena de dezembro, sem explicar que outras razões haveria para a demora. Também não esclareceu se haverá outras mudanças na atual composição.

O Observador voltou a questionar o Ministério das Infraestruturas e Habitação sobre este processo e as causa da demora, sem obter esclarecimentos adicionais.

Além da renúncia já referida de João Paulo Saraiva — o ex-vice-presidente da Câmara de Lisboa no mandato de Fernando Medina foi para a Transportes Metropolitanos de Lisboa — o Metropolitano ficou sem presidente do conselho de administração quando Vítor Rodrigues dos Santos faleceu em junho de 2024. Nessa altura Helena Carrasco Campos foi indicada como presidente interina.

Este vazio na administração pode afetar a capacidade da empresa de tomar algumas decisões por falta de quorum — os estatutos determinam a existência de três administradores executivos — ainda que haja também a leitura de que basta a assinatura de dois gestores para vincular o Metropolitano. E acontece num momento crucial de um ciclo de elevados investimentos na expansão da rede de mais de 1,4 mil milhões de euros.

A linha circular é um investimento de 344 milhões de euros que ligará o Rato e Cais do Sodré com duas novas estações, Estrela e Santos. A sua conclusão está prevista para o segundo trimestre de 2026. Mais atrasado está o projeto de extensão da linha vermelha até Alcântara cujo prazo de conclusão vai ultrapassar o horizonte temporal de execução de verbas do PRR. O investimento de 405 milhões de euros prevê quatro novas estações a partir de São Sebastião — Campolide/Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara e só deverá ficar pronto em 2027.

A empresa lançou ainda este ano o concurso para a Linha Violeta que vai ligar Loures a Odivelas num investimento de 677 milhões de euros. Um dos candidatos à construção do metro de superfície, o consórcio Mota-Engil/Zagope/Spie Batgnolles, está a ser alvo de uma investigação da Comissão Europeia por causa da presença de uma empresa chinesa

O Metro tem outros temas quentes para resolver como o elevado número de interrupções do serviço devido a avarias e problemas de sinalização ou as crónicas avarias nas escadas rolantes e elevadores.