O caso dos quatro jovens influencers do Tik Tok suspeitos de terem violado em grupo uma rapariga de 16 anos em Loures, em fevereiro deste ano, e que depois divulgaram as imagens nas redes sociais deve avançar para julgamento “nos próximos dias”, avançou ao Observador a Procuradoria-Geral da República.

O inquérito já teve despacho final e o Ministério Público deduziu acusação contra os quatro suspeitos, numa investigação que foi conduzida pelo Departamento de Investigação Penal de Loures (DIAP). O Observador questionou o DIAP de Loures para perceber quais os crimes em causa, mas não obteve resposta até à publicação deste artigo.

A alegada violação em grupo aconteceu em fevereiro de 2025. Os suspeitos são influencers com milhares de seguidores nas redes sociais, onde divulgaram as imagens dos alegados atos sexuais não consentidos.

Num momento inicial, em março, a Polícia Judiciária (PJ) revelou que tinham sido detidos três jovens, entre os 17 e os 19 anos, por suspeitas de crimes de violação agravada e pornografia de menores, contra uma adolescente de 16 anos, em Loures. Em junho, a PJ anunciou a detenção de um quarto elemento do grupo.

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A alegada violação foi filmada e o vídeo, partilhado no Tik Tok, teve mais de 32 mil visualizações, sendo que ninguém alertou as autoridades.

De acordo com as informações então divulgadas pela Polícia Judiciária, foi o Hospital Beatriz Ângelo, onde a vítima foi assistida, a participar o caso à PSP. A PJ foi ativada de seguida, “dado a competência reservada para a investigação dos crimes em causa”.

O alegado crime de violação em grupo foi praticado junto à casa da rapariga, durante um encontro combinado com um rapaz seu conhecido e que é um dos suspeitos.

Apesar de terem ficado em liberdade, os jovens foram indiciados por um total de 51 crimes, estando em causa os crimes de violação, sequestro e pornografia de menores.

A alegada vítima foi ouvida pelas autoridades e as declarações podem ser utilizadas no julgamento, que a Procuradoria-Geral da República confirma agora que vai mesmo avançar: “O processo será remetido a breve trecho para julgamento”, adianta a PGR ao Observador.

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Um dos suspeitos chegou a partilhar vídeos a falar sobre o caso. “[A rapariga] ficou um dia sem andar, éramos uns quatro ou cinco”, disse. O mesmo influencer desmentiu depois a informação divulgada pela Polícia Judiciária, num outro vídeo partilhado nas redes sociais.

O semanário Expresso avançou em outubro que a PJ propôs que fosse deduzida acusação contra os quatro arguidos, “pelos crimes de violação agravada e pornografia de menores”.