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“Projecto Global”, longa-metragem de Ivo M. Ferreira sobre as FP-25, no concurso Big Screen do Festival de Roterdão

Este artigo tem mais de 6 meses

“A Providência e a Guitarra”, o novo filme de João Nicolau, vai abrir o festival neerlandês, fora de competição. No elenco conta com Salvador Sobral, na estreia como ator.

Isac Graça, Jani Zhao e Gonçalo Waddington (ao centro) em “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira
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▲Isac Graça, Jani Zhao e Gonçalo Waddington (ao centro) em “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira

O Som e a Fúria

▲Isac Graça, Jani Zhao e Gonçalo Waddington (ao centro) em “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira

O Som e a Fúria

Roterdão volta a trazer excelentes notícias para o cinema português: Vanja Kaludjercic, directora artística do festival, acaba de anunciar em conferência de imprensa que Projecto Global, nova longa-metragem de Ivo M. Ferreira, fará a sua estreia mundial no festival neerlandês. A 55ª edição do certame vai decorrer entre 29 de janeiro e 8 de fevereiro do próximo ano.

A obra decorre no início dos anos 1980, altura em que Portugal foi palco de atentados e assaltos perpetrados pelas Forças Populares 25 de abril (FP-25). Na ficção, construída a partir de uma investigação histórica da época, “Rosa, Jaime e os seus camaradas do grupo armado de extrema-esquerda FP-25, deslizam para uma espiral armada onde a moral se desfaz, a lealdade vacila e cada passo abre um abismo mais profundo”, diz o comunicado de imprensa. “Afastados de si próprios e com os sonhos de outrora em ruínas, já não reconhecem o país que atravessam, e ainda menos as pessoas que se tornaram.”

▲ O cineasta Ivo Ferreira (ao centro) numa foto de rodagem de "Projecto Global"

Joana Linda

Produzido pela O Som e a Fúria, o filme é interpretado por Jani Zhao, Rodrigo Tomás, José Pimentão, Gonçalo Waddington, Isac Graça, João Catarré, Ivo Canelas, Hugo Bentes, Isabél Zuaa, João Pedro Mamede, Pedro Marujo, João Estima, Adriano Luz, Ana Tang, Lee Zhao Ferreira, Alyne Fernandes, David Pereira Bastos e Gonçalo Cabral. Projecto Global chegará às saals portuguesas a 23 de Abril de 2026. A fotografia tem a autoria de Vasco Viana, a montagem é de Sandro Aguilar. Para além do filme, de 100 minutos de duração, foi preparada para futura difusão televisiva uma série de 6 episódios, de 45 minutos cada.

Fora de concurso (secção Limelight), Roterdão dará as honras de abertura da próxima edição ao novo filme de João Nicolau, A Providência e a Guitarra, uma adaptação livre do conto homónimo de R. L. Stevenson, com argumento de Mariana Ricardo e João Nicolau. É a quarta longa do cineasta e foi igualmente produzida pela O Som e a Fúria.

Segundo a nota de apresentação, o filme centra-se em Léon e Elvira Berthelini, artistas ambulantes, de tempos distantes, “que viajam de cidade em cidade. Em Covarronca, mal recebidos, passam a noite ao relento antes de se cruzar com Stubbs, um jovem licenciado de Cambridge, com quem encontram refúgio na casa de um pintor em desavença com a mulher. Em troca da hospitalidade, lembram-lhes que o amor à arte resolve a arte do amor. Mas uma maldição obriga-os a viagens absurdas até ao século XXI, onde a segurança social e o futuro de uma banda de rock estão em jogo.”

▲ “A Providência e a Guitarra”, de João Nicolau

A partir do texto de Stevenson, que mistura autobiografia, reflexão e fábula moral, “este conto fantasioso e musical” — reza o mesmo comunicado — “mergulha no universo lúdico e inventivo de João Nicolau, entre poesia, aventura e humor.” O filme é interpretado por Pedro Inês, Clara Riedenstein, Salvador Sobral, Isac Graça, Jenna Thiam, Américo Silva, Beatriz Brás, Leonardo Garibaldi, João Pereira, José Raposo e pelo jurista e ex-gestor cultural Miguel Lobo Antunes, que assim regressa ao universo do cineasta após o seu generoso e divertido papel em Technoboss, de 2019.

Já Vanja Kaludjercic, que anunciou com entusiasmo a eleição de A Providência e a Guitarra para filme de abertura, sublinhou que o filme assinala também a estreia como actor de Salvador Sobral, “o vencedor da Eurovisão em 2017 e um dos mais acarinhados músicos portugueses.”

Além das duas longas citadas, haverá mais cinema português nos Países Baixos, no campo das curtas-metragens ou resultante de co-produções internacionais. O, de Francisca Alarcão e Computadora, de Alice dos Reis, são curtas programadas em estreia mundial na secção Short & Mid-length. Em estreia internacional, será exibido Rui Carlos, curta de Margarida Paias estreada no Curtas – Vila do Conde. Domestic Demon, de Anahid Yahjian (Tiger Shorts) e Statues Also Die?, da documentarista brasileira Thais Fernandes (Short & Mid-length), são co-produções que envolvem Portugal, assim como a longa Lone Samurai (secção Harbour), de Josh C. Waller.

Antes da apresentação da Competição Tiger, a mais célebre do festival (dedicada a primeiras e segundas obras), e que exibirá em 2026 uma obra angolana — Meu Semba, de Hugo Salvaterra — e uma moçambicana — O Profeta, de Ique Langa —, Roterdão anunciou que dedicará uma retrospectiva completa, a primeira no ocidente, da obra do egípcio Marwan Hamed. Nome importante da nova leva de autores daquela cinematografia, Hamed estreou há pouco El Sett, drama biográfico sobre Umm Kulthum (1898-1975), lendária cantora e uma das vozes mais populares de todo o mundo árabe. El Sett tornou-se há dias no filme mais rendível da história do cinema egípcio.

O outro foco de Roterdão 2026 será o “V-Cinema”, fenómeno do cinema nipónico que, no final dos anos 1980, originou uma série de obras ara exibição directa nos mercados de vídeo e raramente vistas fora do Japão. O filme de encerramento de Roterdão será francês com uma comédia policial, Bazaar, de Rémi Bezançon, com Laetitia Casta, Guillaume Gallienne e Gilles Lellouche.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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