O final de 2025 fica obviamente marcado pela inesperada separação entre Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero. Depois de sete anos de uma parceria de sonho que levou o tenista espanhol à conquista de seis Grand Slam e ao topo do ranking ATP, a bomba explodiu logo no início da pré-época e sem que ninguém estivesse à espera. E deixou um lugar vago.
Lugar que, por agora, tem dono. Sem que Carlos Alcaraz tenha anunciado um substituto efetivo para Juan Carlos Ferrero, o cargo de treinador principal do espanhol vai ser ocupado de forma aparentemente interina por Samuel López, técnico que era até aqui o número 2 da equipa. Natural de Alicante e com 55 anos, o também espanhol até recorreu às redes sociais nos últimos dias para dar conta do início da preparação da próxima temporada.
“Primeira semana de pré-temporada completa. Depois de superar os testes médicos, arrancámos com boas sensações, muito trabalho e compromisso. Continuamos a treinar com vontade, ambição e unidade, focados em crescer dia a dia e em continuar a fazer história neste desporto”, escreveu, apontando desde já ao Open da Austrália de janeiro, o único Grand Slam que Carlos Alcaraz nunca conquistou.
Samuel López deu os primeiros passos na alta roda do ténis no início dos anos 90, quando ajudou Antonio Martínez Cascales a fundar a então Equelite Academy — agora Ferrero Tennis Academy, em homenagem ao antigo tenista e agora treinador que foi o principal talento a sair da escola. López fez parte da equipa técnica de Ferrero durante vários anos, treinando depois tenistas como Guillermo García López, Santiago Ventura e Mariusz Fyrstenberg, acompanhando também a seleção espanhola que esteve nos Jogos Olímpicos de 2000 e 2012.
Começou a treinar Pablo Carreño Busta em novembro de 2015, levando o espanhol até à conquista de sete títulos ATP e ao 10.º lugar do ranking. Depois de já ter substituído Juan Carlos Ferrero na box de Carlos Alcaraz no Open da Austrália de 2024, quando o treinador recuperava de uma cirurgia ao joelho, Samuel López deixou oficialmente Carreño Busta em dezembro do mesmo ano para se juntar à equipa técnica do jovem espanhol. Agora, um ano depois, assume a posição de treinador principal.
Samuel López:
"Preseason first week completed. After passing the medical checkup we started off with good sensations, hard work, and commitment
We continue to train with enthusiasm, ambition, and unity, focused on growing day by day and continuing to make history in this sport" pic.twitter.com/z5h0Po6ip2
— Alcaraz Updates???? (@alcarazzupdates) December 21, 2025
De forma natural, os últimos dias também têm trazido mais pormenores sobre a separação entre Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero — sendo que, até pelas publicações que ambos fizeram a anunciar a novidade, ficou desde logo claro que o treinador não pretendia separar-se do tenista. De acordo com a Clay, uma revista especializada em ténis, o desacordo entre as duas partes prendeu-se com a renovação de contrato.
“O que aconteceu é muito simples. O contrato era anual. O de 2024 terminou no fim de novembro e esperaram até sábado, dia 13 de dezembro, para apresentar o novo. E deram até à primeira hora de segunda-feira, dia 15, para o receber assinado. O Juan Carlos não aceitou e eles não quiseram fazer nenhuma mudança”, explicou fonte próxima do treinador à revista, acrescentando que este ainda fez uma contra-proposta que não foi aceite e que, a partir daí, não existiu qualquer margem para negociar por parte de Albert Molina, o empresário de Carlos Alcaraz.
☝️ El padre de Alcaraz, señalado: “Me pasó lo mismo que a Ferrero…"
????️ Carlos Santos, primer ‘maestro’ de Carlitos, apunta en Eurosport que el padre del murciano sería el responsable de la ruptura con Ferrero.
✍️ @Joaquin_S1 https://t.co/VMWwt0DBfP— As Más Deporte (@As_MasDeporte) December 20, 2025
Entretanto, também surgiram notícias sobre a relação difícil e complexa entre Juan Carlos Ferrero e o pai de Carlos Alcaraz, com o primeiro treinador do tenista a vir a público revelar que passou pela mesma situação. “Assim que o Samuel [López] chegou para ser adjunto ficou claro que a mudança era possível. No final de contas, as coisas aconteceram sempre desta maneira com o Carlitos, muito gradualmente, para que nada drástico aconteça da noite para o dia”, referiu Carlos Santos, treinador do espanhol dos cinco aos 12 anos, à Eurosport.
“Quem gere tudo para o Carlitos não estava convencido ou talvez achasse que o Juan Carlos Ferrero estava a pedir muito dinheiro. Acho que esse é o ponto crucial da questão. É uma questão financeira e existia uma falta de acordo sobre o tempo que ele passava com o Carlitos em torneios, viagens e por aí. Eles queriam que ele ficasse exclusivamente com ele, a viajar para todos os torneios. E o Juan Carlos não queria ir a todos”, acrescentou, recordado que Alcaraz já não treinava na Ferrero Tennis Academy com frequência, preferindo cada vez mais ficar perto de casa, em Murcia.