O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Brasil foi preso no Paraguai nesta sexta-feira após ter retirado a pulseira eletrónica que utilizava e fugido com um passaporte falso, revelou a Polícia Federal (PF) do Brasil. Foi entretanto entregue às autoridades brasileiras.
Silvinei Vasques estava no aeroporto de Assunção, capital do Paraguai, quando foi detido pelas autoridades locais ao tentar embarcar para El Salvador. Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 16 de dezembro por tentativa de golpe de Estado e já respondia na justiça por usar do cargo público para interferir nos resultados das eleições presidenciais de 2022.
Nessa sequência foi decretada pelo juiz Alexandre de Moraes a prisão domiciliária — e entrega do passaporte — de Vasques. Mas, segundo a Polícia Federal, o equipamento de monitorização deixou de transmitir localização GPS pelas 3h de quinta-feira. Silvinei Vasques também não foi encontrado em casa encontrado pelos agentes de segurança.
Após a fuga, foi emitido um mandado de detenção e a medida cautelar foi alterada para prisão preventiva, tendo sido entregue às autoridades brasileiras na fronteira entre os dois países.
“A fuga do réu, caracterizada pela violação das medidas cautelares impostas sem qualquer justificativa, autoriza a conversão das medidas cautelares em prisão preventiva”, justificou o juiz.
Silvinei Vasques, que dirigia a Polícia Rodoviária Federal durante o Governo de Jair Bolsonaro, foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão no âmbito do processo da “trama golpista”. E responde pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, danos agravados e deterioração do património público.
A Procuradoria-Geral do Brasil e a Polícia Federal revelam que Vasques utilizou o seu cargo público para tentar interferir nos resultados eleições presidenciais de 2022. Nos distritos em que Lula da Silva — que posteriormente foi eleito — tinha mais intenções de voto, foram determinadas “operações stop” de modo a afetar os acessos dos eleitores às urnas.
Uma medida que foi considerada como uma estratégia para favorecer o então Presidente Jair Bolsonaro, que na altura era também candidato presidencial. Vasques foi preso preventivamente em agosto de 2023, tendo Alexandre de Moraes determinado depois o alívio das medidas cautelares, passando a estar sujeito à obrigação de permanência na habitação, monitorizada com pulseira eletrónica e a entrega de seu passaporte.
Texto editado por Carlos Diogo Santos