O novo livro de poesia de Manuel Alegre, um título de Itamar Vieira Júnior e a estreia de Ângelo Delgado são algumas das novidades da LeYa, a celebrar 18 anos, anunciou nesta quarta-feira aquele grupo editorial.

Na apresentação das novas edições, realizada na Livraria Buchholz, em Lisboa, o diretor-geral da LeYa, David Azevedo Lopes, anunciou a abertura das candidaturas ao Prémio LeYa, tendo até às 12h00 sido já recebidas cinco. O processo de candidatura está aberto até 30 de abril.

Uma das novidades da temporada é o novo livro do brasileiro Itamar Vieira Júnior, que venceu o Prémio LeYa em 2018, com Torto Arado.

Coração Sem Medo é o novo romance do escritor brasileiro, a publicar já este mês, que aborda as intervenções policiais nos bairros desfavorecidos no Brasil, narrando a história de uma funcionária de supermercado, mãe de três filhos que vê a sua vida alterada quando o filho mais velho desaparece e ela se vê ameaçada por grupos violentos envolvidos no desaparecimento de jovens na cidade de Salvador e também pela própria polícia.

“O sucesso de Itamar, atualmente traduzido em mais de 30 línguas, começou aqui”, frisou a editora Maria do Rosário Pedreira.

Já o novo livro de poesia de Manuel Alegre, Balada do Corsário dos Sete Mares, é publicado em fevereiro.

Em março, pelas Publicações D. Quixote, é editado Triunfo do Triunfo e Outros Contos Escolhidos, de Luísa Costa Gomes, livro que reúne contos dispersos em periódicos e antologias.

Outra portuguesa, a escritora Margarida Fonseca, regressa ao romance com A Chave, com o qual venceu, este ano, o Prémio João Gaspar Simões, cujo júri destacou “a qualidade da estrutura formal, a inteligência da estratégica narrativa e a cumplicidade com o leitor”.

Carla Louro, poetisa vencedora, no ano passado, da 1.ª edição do Prémio Nuno Júdice, estreia-se com Entra-se na Casa pelo Pátio, “um livro íntimo, feminino e muito emotivo”, segundo a D. Quixote que chancela o livro.

Ainda na área da poesia, no âmbito da celebração dos 60 anos das Publicações D. Quixote, é editado Dom Quixote 60 anos de Poesia – uma Antologia, organizada por Manuel Alberto Valente, que apresenta 60 poemas de autores publicados pela editora fundada pela editora dinamarquesa Ebba Merete Seidenfaden (1940-1980), conhecida como Snu Abecassis. Esta antologia inclui autores como Herberto Helder (1930-2015), Sofia de Mello Breyner Andresen (1919-2009) ou Jorge de Sena (1919-1978).

O livro de estreia de Ângelo Delgado na ficção, Foi o Preto, chega aos escaparates, com a chancela da Oficina do Livro, também este mês, e narra a história de José Lima, acusado injustamente de ter causado desacatos e um homicídio. A história passa-se em Portugal, na década de 1990.

Ainda em janeiro sai Na Rota do Yankee Clipper, de José Correia Guedes, pela Lua de Papel, que aborda o desastre que aconteceu em fevereiro de 1943, frente ao Cabo Ruivo, em Lisboa, quando o Boeing 314 “Yankee Clipper” se despenhou no rio Tejo, com 39 ocupantes, causando a morte a 24 deles.

Em fevereiro sairá um livro de poesia do jornalista José Carlos Vasconcelos, Os Sete Sentidos e Outros Lugares, pelas Publicações D. Quixote, um livro “sucessivamente adiado” pela agenda do autor, como explicou Rosário Pedreira. O jornalista vai ser homenageado este ano no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, onde é presença habitual.

No âmbito do cinquentenário da escritora Agatha Christie (1930-1976), a LeYa vai reeditar a Autobiografia da autora inglesa, pela Asa, “com atualizações”, assinalou a editora Carmen Serrano.

A Editora Asa, a celebrar o seu 75.º aniversário, propõe-se rever o seu fundo de catálogo com uma nova coleção, intitulada “Escolha da Editora”, onde reeditará, entre outros, do espanhol Arturo Perez-Reverte, O Assédio.

A Casa das Letras vai publicar Máfia: Uma História Global, de Ryan Gingeras, professor no Departamento de Segurança Nacional, na Universidade Naval da Califórnia. O autor situa na transição do século XIX para o XX, o fim do banditismo e o início do crime organizado, que controla o jogo, o negócio de estupefacientes, o de álcool e da prostituição, e refere a existência de Estados reféns do crime organizado.

Pela mesma editora e na área de ensaio é publicado Portugal e o Ocidente – Do Ultimato Britânico e de Salazar à Revolta Utópica, do escocês Tom Gallagher, professor emérito na Universidade de Bradford, que anteriormente escreveu O Ditador que se Recusa a Morrer (2021), sobre António de Oliveira Salazar (1889-1970).

O universo da escritora Enid Blyton é recuperado por Chris Smith, com ilustrações de James Lancett, na série “Os Novos Cinco” a editar pela Oficina do Livro. Os Novos Cinco e o Código dos Contrabandistas será o primeiro volume a sair.

Outro regresso aos escaparates é o da peça de teatro A Noite, de José Saramago, numa edição que inclui fotografias da estreia da peça pelo grupo de Teatro de Campolide. Foi com este título que Saramago, em 1979, começou a publicar na Editorial Caminho, que está a comemorar 50 anos de existência.

Na área da banda desenhada, entre as novidades da LeYa para o trimestre destaca-se a edição de Final Cut, novela gráfica do norte-americano Charles Burns, o mesmo autor de Black Hole e da trilogia Nitnit.