“Pai Mãe Irmã Irmão”

Jim Jarmusch ganhou o Festival de Veneza com este filme composto por três histórias sobre pais e filhos passadas, respetivamente, nos EUA, em Dublin e em Paris. Na primeira, irmão e irmã (Adam Driver e Mayim Bialik), vão visitar o pai viúvo (Tom Waits) ao campo, e este finge ser mais necessitado do que é para lhes extorquir dinheiro; na segunda, uma mãe e escritora (Charlotte Rampling) recebe em casa, para o lanche anual, as duas filhas, uma estilosa (Vicky Krieps), a outra reservada (Cate Blanchett); e na última, irmão e irmã (Indya Moore e Luka Sabbat) cujos pais morreram num acidente aéreo, visitam pela última vez o apartamento em que cresceram e o depósito onde estão guardadas as coisas dos progenitores. Os denominadores comuns deste trio são o desconforto lacónico entre pais e filhos e a distância que se abriu entre eles quando estes cresceram e saíram de casa; e a sensação de que já não se conhecem — ou nunca se conheceram bem. Não há, deliberadamente, confrontos entre as personagens, e a interação entre elas é escassa, mas isso faz com que a fita se torne monocórdica e inerte, apesar do belíssimo elenco.

“Kontinental’25”

A acreditar em Radu Jude, o realizador de Kontinental’25, as grandes cidades romenas estão também a ser rápida e radicalmente alteradas pela febre da especulação imobiliária. Edifícios antigos são demolidos ou alterados para se fazerem apartamentos de luxo e hotéis, e novas casas  construídas, mas cada vez mais longe do centro, com má qualidade e a preços pouco acessíveis. A protagonista, Orsolya (Eszter Tompa), é uma oficial de justiça que vive em Cluj e faz despejos. Quando, um dia, vai despejar de uma cave um antigo atleta caído em tempos difíceis, e este se suicida, Orsolya é tomada por um enorme sentimento de culpa, evita ir de férias com o marido e os filhos e vai desabafar com várias pessoas sobre o trágico episódio, incluindo a mãe, um padre e um seu antigo aluno de Direito que ganha a vida a fazer entregas. Jude inspirou-se vagamente em Europa’51, de Roberto Rossellini para fazer Kontinental’25, um drama satírico onde também fala das tensões históricas entre romenos e húngaros e dos aleijões crónicos e da falência moral da Roménia, e se dispersa e divaga tanto como a angustiada e errante Orsolya.

“Song Sung Blue”

Em 2008, o realizador Greg Kohs fez um documentário chamado Song Sung Blue, sobre Mike e Claire Sardina (pode ser visto no YouTube), que tinham uma banda de homenagem a Neil Diamond, com a qual davam espectáculos na zona de Milwaukee, de onde eram naturais, usando os nomes artísticos, respetivamente, de Lightning e Thunder. Mike e Claire eram apenas dois de muitos outros artistas que viviam de homenagear, com talento e dedicação, os seus cantores e músicos favoritos. Craig Brewer pegou nesta história, e tal como os Sardina faziam covers das canções de Diamond, assinou aqui um filme que é uma cover mais ficcionada e dramatizada do documentário homónimo de Kohs, em que Hugh Jackman interpreta Mike e Kate Hudson personifica Claire. Song Sung Blue foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.