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Este é o Bom, o Mau e o Vilão das Manhãs 360 com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. No teu bom, temos um acordo.

Temos um acordo, aleluia. André Ventura e Aguiar Branco chegaram a acordo depois de longos dias de intenso debate sobre aquilo que pode ser investigado na Comissão Parlamentar de Inquérito que o Chega quer criar por causa de Luís Neves. Depois de argumentos e contra-argumentos, depois de avanços e recuos, depois de tudo isso, ontem, finalmente, o líder do Chega e o presidente do Parlamento puseram-se de acordo e a CPI vai mesmo avançar. É muito raro, ou mesmo inédito, haver uma CPI tão polêmica antes mesmo de nascer, especialmente quando está em causa um poder potestativo de um grupo parlamentar, ou seja, o poder de um partido impor aos outros a constituição de uma comissão. De qualquer forma, agora há condições pra o Chega mostrar ao país que tinha razão em querer esta CPI e vamos ver o que se descobre sobre Luís Neves. Vamos ver se se descobre mais alguma coisa que não se conhecia.

Sim, vamos ver como é que corre a própria CPI. Porque isto é tudo muito bonitinho no papel, a questão do objeto da CPI, mas depois as coisas podem descambar.

Descambar ou virar.

Ou afunilar, claro. Pode correr muito bem, de facto.

Vamos ver. O importante, Paulo, é que as instituições sigam o seu curso. Isso é o mais importante na vida. Nunca se esqueçam disto.

Sem dúvida. Escrevam na pedra.

Miguel, o teu mau fez um grande elogio.

Foi, Luís Montenegro está, como estão vários líderes mundiais em Nova York, a participar na Assembleia Geral da ONU. Como ele é português, que remédio, esteve reunido com António Guterres, que deixa a liderança das Nações Unidas em dezembro, ao fim de 10 anos de um mandato penoso. E à saída desse encontro, Luís Montenegro quis convencer-nos que, e eu vou citá-lo: "Guterres é mesmo hoje a grande referência moral das nações e da concertação das nações a nível mundial." Luís Montenegro reconheceu, o que ele havia de fazer, que a ONU nem sempre tem alcançado os seus objetivos, mas apressou-se a tranquilizar a pátria. Ele disse isto: "Mas não é por responsabilidade, nem por falta de esforço do secretário-geral." Disse-nos Luís Montenegro. Com certeza. Ora, como toda a gente sabe, não, António Guterres não é hoje a grande referência moral das nações. Aliás, não é referência nenhuma e por isso é totalmente ignorado nos principais conflitos que envolvem as diferentes nações. Ninguém quer saber de António Guterres pra nada. E sim, a responsabilidade pelos falhantes da ONU são de António Guterres. Caso contrário, estaríamos a admitir que a personalidade do secretário-geral é absolutamente irrelevante, ele não tem qualquer influência. Esteve lá 10 anos a abrir e a fechar portas, a chamar elevadores, a fazer avioezinhos de papel pra atirar lá pra baixo, pras ruas de Nova York. Não foi isso que esteve lá a fazer, se é secretário-geral da ONU. Se é o líder máximo da ONU, e se a ONU não consegue fazer aquilo que é suposto fazer, a culpa há de ser de quem? Minha? Sou eu. Agora sou eu o culpado. Paulo, controla-te. Eu sei que a tentação é grande, sei que até poderias invocar aqui um animal, que é usado numa expressão semelhante a esta, mas não faças isso.

Não.

Ok. Enfim, onde é que eu ia?

A responsabilidade é de António Guterres, obviamente, do que se passa na ONU.

Eu percebo o ponto do Luís Montenegro. Eu estou a pô-lo aqui no mau, mas eu percebo. O Luís Montenegro tem que dizer estas coisas, não vai estar a dizer mal de um compatriota, ainda por cima lá fora. Mas nós sabemos que ele sabe que nós sabemos que ele sabe. E por isso, enfim, vamos dar o desconto a estas coisas.

Pois, poderia ter sido mais contido nos elogios.

Paulo, se calhar não podia. Digamos apenas que vem juntamente com as obrigações de um primeiro-ministro ter de fazer estas figuras de vez em quando. Agora, a verdade é que ele disse o que disse e, portanto, o que eu hei de fazer? Vou pô-lo no bom.

Não.

Não? Jamais.

Jamais.

Paulo, isto é uma coisa séria. Nós não andamos aqui a brincar ao jornalismo.

Só falta o teu vilão, que é a Polícia Judiciária.

Sim, ontem foram feitas buscas na sede da PJ no âmbito desta investigação que envolve o diretor nacional, Carlos Cabreiro. O objetivo é descobrir se foram feitas escutas ilegais no chamado Processo Rui Pinto. Esta investigação resulta, é importante termos isto em mente, de uma denúncia de um coordenador da PJ. O Observador até teve acesso a uma das queixas que fazem parte dessa denúncia e escreve hoje que há nela várias contradições, desde documentos não assinados a referências a vigilâncias em datas que não têm nada a ver com a data da suposta escuta que está em causa. Obviamente, eu não faço a mais pequena ideia de como esta investigação vai acabar, não sei, mas há uma coisa que eu sei: é que acabe como acabar, a PJ não sai nada bem disto. Porque uma de duas: se a queixa tiver fundamento, então é posta em causa a integridade do atual diretor da Polícia Judiciária. E se a queixa não tiver fundamento, então é posta em causa a integridade de um coordenador da Polícia Judiciária. Aliás, ambos, denunciante e denunciado, foram alvos das buscas de ontem. As buscas estiveram a olhar para computadores e um telemóvel, penso eu. O telemóvel não de Carlos Cabreiro, mas do denunciante. Por isso, aconteça o que acontecer, a PJ tem um problema de reputação grave, porque ou num lado ou no outro, a instituição tem pessoas que fazem o que não deviam. E por isso, é o sarilho.

Sim, já não há uma saída boa ou sofrível que seja pra isto. Já é tudo mau.

Sim, sendo que atenção, claro, com certeza. Deixa-me aqui repetir aquelas coisas que temos de dizer sempre e que estão corretíssimas. Como é evidente, o mais importante aqui é haver a possibilidade de haver investigações a esta polícia criminal, à Polícia Judiciária, e isso é que é importante. E haver buscas na sede da PJ, isto é importantíssimo que possa acontecer. Mas a PJ não vai sair bem disto.

Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira são André Ventura e Aguiar Branco, o mau é Luís Montenegro e o vilão de hoje é a Polícia Judiciária. Foram as escolhas de Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.